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O peixinho de 10 centímetros que quase ninguém nota pode estar fazendo um trabalho silencioso contra o metano em reservatórios brasileiros e surpreendendo cientistas

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 06/07/2026 às 10:25 Atualizado em 06/07/2026 às 10:28
Pesquisadores coletam amostras em reservatório enquanto lambari-miúdo aparece no ambiente aquático.
Estudo da Sanepar e da UFPR analisa o papel do lambari-miúdo na assimilação de carbono derivado do metano em reservatórios.
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Estudo da Sanepar e da UFPR mostra que o lambari-miúdo incorpora carbono derivado do metano em sua biomassa e atua como filtro ecológico no Reservatório Passaúna

Um peixe nativo de cerca de 10 centímetros pode ter uma função importante na redução local de gases ligados ao aquecimento global.

A descoberta foi divulgada em 26 de junho de 2026 pela Agência Estadual de Notícias do Paraná, com base em pesquisa da Sanepar, da Universidade Federal do Paraná e de instituições parceiras.

O estudo foi realizado no Reservatório Passaúna, localizado na Região Metropolitana de Curitiba. Assim, ele ajuda a entender como a própria natureza pode contribuir para equilibrar ambientes aquáticos artificiais.

Lambari-miúdo atua como filtro ecológico em reservatório

O lambari-miúdo, identificado cientificamente como Psalidodon minor, foi apontado pela pesquisa como uma espécie capaz de reter parte do carbono derivado do metano.

Esse carbono é incorporado à biomassa do peixe, ou seja, à sua carne. Dessa forma, a espécie funciona como uma espécie de filtro ecológico dentro do reservatório.

Reservatórios de abastecimento e de geração de energia costumam ter circulação de água mais lenta do que rios. Por isso, acumulam mais matéria orgânica no fundo.

Com o tempo, essa matéria se decompõe e libera gases de efeito estufa, como o metano. Esse gás é considerado um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Lambari-miúdo em fundo escuro, peixe nativo estudado por sua capacidade de atuar como filtro ecológico em reservatórios.
Lambari-miúdo (Psalidodon minor) é apontado por estudo como espécie capaz de incorporar carbono derivado do metano em reservatórios.

Por que esse pequeno peixe é tão importante?

De acordo com Jean Ricardo Simões Vitule, professor e pesquisador da UFPR, o lambari-miúdo tem grande importância ecológica, mesmo sendo pequeno.

Além disso, a espécie possui massa significativa dentro da cadeia alimentar. Isso ocorre porque ela serve de alimento para predadores no ambiente aquático.

A assimilação de carbono proveniente do metano pode chegar a até 15% do peso do peixe.

Por esse motivo, os pesquisadores alertam que a redução da população do lambari-miúdo pode acelerar a emissão de metano para a atmosfera.

Segundo Jean Ricardo, toda a comunidade biológica funciona como um filtro ecológico. No entanto, o lambari-miúdo aparece como uma das engrenagens mais importantes nesse processo.

Black bass pode ameaçar equilíbrio do ecossistema

O estudo também mostrou que espécies invasoras podem prejudicar esse equilíbrio.

Entre elas está o black bass, identificado cientificamente como Micropterus nigricans. Esse predador exótico pode reduzir populações de lambari-miúdo e de outros peixes nativos.

Com isso, a teia alimentar do reservatório é desestruturada. Consequentemente, a liberação de metano para a atmosfera pode ser potencializada.

Segundo Jean Ricardo, esses impactos aparecem em diferentes escalas, tanto no reservatório quanto no meio ambiente.

Por isso, o monitoramento e o manejo ecológico da fauna nativa são considerados essenciais pelos pesquisadores.

Protocolo de manejo pode ser aplicado em outros reservatórios

Maurício Bergamini Scheer afirma que a Sanepar e o Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR desenvolveram um protocolo de manejo ecológico.

A proposta pode ser aplicada em reservatórios do Brasil e de outros países. O objetivo é prevenir invasões biológicas, controlar espécies exóticas e fortalecer populações nativas.

Além disso, o protocolo considera diferentes formas de vida, tanto aquáticas quanto terrestres. Assim, busca reduzir prejuízos ecológicos e econômicos.

Pesquisa reuniu instituições do Brasil e do exterior

A pesquisa recebeu o título “Assimilação de carbono derivado de metano por peixes nativos e não nativos em um reservatório neotropical”.

O trabalho reuniu Sanepar, UFPR, Universidade Federal de Lavras, Lancaster Environmental Centre, LAB Analyses e Museu de História Natural Capão da Imbuia.

Segundo Jean Ricardo, essa cooperação entre instituições transforma conhecimento científico em informação útil para a sociedade.

Ainda há muito a ser investigado. No entanto, o estudo indica que milhares de reservatórios podem ter serviços ecológicos importantes ainda pouco conhecidos.

Assim, além de cuidar da quantidade de água, os pesquisadores defendem atenção à qualidade ambiental dos mananciais.

E você, acredita que peixes nativos como o lambari-miúdo deveriam ser mais valorizados nas estratégias ambientais contra o aquecimento global?

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Caio Aviz

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