Celse investirá US$ 5 bi em Sergipe e inaugura concorrência em área dominada pela Petrobrás

Sergipe vai produzir o equivalente a 4 vezes o consumo da região. Metade da produção virá da Celse, que investirá US$ 5 bi; usina muda rotina de moradores.

Com o sucesso da Petrobrás na exploração de seis reservatórios e a chegada de investidores privados, Sergipe foi inserido na rota mundial do gás natural. Em cinco anos, o Estado, sozinho, deve movimentar 40 milhões de m³ por dia de gás, volume que corresponde a mais de quatro vezes a atual capacidade de consumo de toda a Região Nordeste.

A Celse empresa controlada por sócios de Noruega, Estados Unidos e Brasil construiu a primeira unidade de regaseificação privada do País, ao lado do Porto de Sergipe, no município de Barra dos Coqueiros. Até então, somente a Petrobrás tinha unidades do tipo. A tecnologia permite importar o combustível na forma líquida, o GNL, por navio, depois retomá-lo ao estado gasoso e então injetá-lo na malha de dutos terrestres.

“Na região, existe uma subestação de porte para escoar a energia e o terreno está próximo do mar, numa área que tem a melhor condição para ancorar o navio (onde o combustível líquido é transformado em gás), a apenas 6 km da costa”. diz Pedro Litsek, presidente da Celse.

O primeiro carregamento de GNL chegou no mês passado, de Camarões, na África, para ser usado como combustível nos testes de operação da térmica Porto de Sergipe 1, também parte do projeto da Celse. Quando começar a funcionar, em janeiro, a usina deverá ter capacidade de gerar 1,5 gigawatts de eletricidade e será a maior da América Latina.

Esse projeto foi iniciado há cerca de três anos, antes de a Petrobrás descobrir um reservatório de dimensões relevantes na região. Somente o consumo da geradora de eletricidade justifica o investimento na tecnologia de importação do gás. Por isso, é a porta de entrada para empresas privadas interessadas em competir no mercado interno.

Sergipe tem petróleo, gás, potássio e biomassa

A Petrobras anunciou sua maior descoberta desde que foi anunciado as ricas reservas do Pré-sal, em 2006. O anúncio é referente a seis campos em Sergipe e Alagoas. As reservas estão estimadas em cerca de 20 milhões de m³ por dia de gás natural, o que representa cerca de um terço da produção atual brasileira.

Dentro do potencial econômico de Sergipe, temos a capacidade de exploração mineral, sobretudo por conta do petróleo e gás. Temos também calcário e o Governo tem estado atento a isso, procurando criar oportunidades para que as empresas que exploram esses minérios vejam em Sergipe um local seguro, de grandes oportunidades.

Sergipe tem um espaço na economia brasileira. Além disso, temos que considerar que também tem uma capital que oferece qualidade de vida, um bom núcleo acadêmico.

Carnalita, como o único produtor do minério do País, Sergipe é um polo produtor de fertilizantes capaz de assumir o projeto central do segmento de potássio da Vale Fertilizantes.  A jazida sergipana está localizada no município de Rosário do Catete sendo explorada para atender a crescente demanda agrícola nacional e reduzir as importações do produto.

A viabilidade econômica da Carnalita está entrelaçada à atividade agronômica no Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo. O Brasil tem uma necessidade estratégica do potássio, porque importamos mais de 90% do que precisa para agricultura. A economia sergipana se beneficia muito dessa exploração.

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Sobre Flavia Marinho

Engenheira de Produção pós graduada em Engenharia Elétrica com ênfase em Automação , Inglês avançado e experiência na indústria de construção naval no estaleiro Brasfels (KeppelFells). Conhecimento dos processos de KPI, planejamento de tubulação, comissionamento e construção de drilling rigs, FPSO’s e reparos.