O Ministério da Indústria do Cazaquistão confirmou em abril a presença de 20 milhões de toneladas de terras raras na região de Karagandy, terceira maior reserva já mapeada no mundo, em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China pelo controle dos minerais críticos.
A descoberta da maior reserva de terras raras do Cazaquistão foi apelidada de “Novo Cazaquistão” e contém estimadas 935.400 toneladas de óxidos de cério, lantânio, neodímio e ítrio.
Segundo o ministério, o depósito foi confirmado em quatro zonas prospectivas na província central de Karagandy.
De acordo com a Mining.com, se confirmada, a jazida coloca o país entre os três maiores donos de terras raras do planeta.
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Conforme o governo cazaque, os estudos para definir composição da mineração e viabilidade comercial vão durar até o fim de 2026.
Por isso, a empresa exploradora estima que pode levar de 6 a 12 anos até a primeira tonelada sair do solo.
A guerra por terras raras entre Estados Unidos e China e o porquê de o Cazaquistão entrar na conta agora
Em 2024, a China respondia por quase 70% da produção mundial de terras raras e por mais de 90% da capacidade de refino.
Em outras palavras, qualquer fabricante de bateria, motor elétrico, ímã industrial ou turbina dependia do parque industrial chinês.
Conforme o Departamento de Energia dos Estados Unidos, Washington passou a tratar o assunto como questão de segurança nacional desde 2023.
Por outro lado, a Casa Branca tem buscado parceiros alternativos como Austrália, Canadá e agora o Cazaquistão.
Segundo a Astana Times, o presidente Kassym-Jomart Tokayev visitou Washington em abril de 2026 e apresentou um plano de cooperação direta na cadeia de baterias.
Como reportou a Reuters, o acordo prevê US$ 2,3 bilhões em investimentos cruzados ao longo de cinco anos.

O que tem na jazida de Karagandy: 935 mil toneladas de óxidos divididas em quatro zonas
Os quatro depósitos identificados estão na faixa central do país, entre a capital Astana e a antiga capital Almaty.
Em primeiro lugar, o cério aparece em maior quantidade e é usado em catalisadores de motores a combustão.
Em segundo lugar, o lantânio entra em ligas para baterias de níquel-hidreto e em vidros ópticos de alta precisão.
De acordo com os geólogos, o neodímio é o elemento mais cobiçado da jazida porque permite fabricar ímãs permanentes para motores elétricos e turbinas eólicas.
Por sua vez, o ítrio é insumo essencial em lasers industriais e em tubos de tela LED.
Conforme o Conselho de Investimentos do Cazaquistão, o desenvolvimento pleno do sítio deve custar perto de US$ 10 bilhões.
- Cério (Ce): catalisadores automotivos, vidro óptico
- Lantânio (La): baterias NiMH, refino de petróleo
- Neodímio (Nd): ímãs permanentes para turbinas e VEs
- Ítrio (Y): lasers industriais, telas LED
A reserva de terras raras do Cazaquistão é a terceira maior do mundo atrás de China e Vietnã
De acordo com o U.S. Geological Survey, a China detém 44 milhões de toneladas de óxidos em reserva.
Em comparação, o Vietnã tem 22 milhões e o Brasil aparece em quinto lugar com 21 milhões.
Em comparação direta, os 20 milhões de toneladas confirmadas no Cazaquistão ainda precisam passar por validação independente.
Posteriormente, geólogos da União Europeia e do Departamento de Energia americano devem visitar Karagandy nos próximos meses.
Como reportou o portal Mining-Technology, a checagem internacional vai definir se a reserva entra oficialmente na lista da Comissão Europeia de Minerais Críticos.

O que a reserva de terras raras do Cazaquistão muda para o Brasil e o pré-sal
O Brasil tem a quinta maior reserva mundial, com 21 milhões de toneladas, segundo o Serviço Geológico do Brasil.
Na prática, o país ainda não produz em escala industrial porque depende de capacidade de refino.
Em maio de 2026, a Câmara aprovou a Política Nacional de Minerais Críticos, que destina R$ 2 bilhões em garantias e R$ 5 bilhões em créditos fiscais.
Por isso, executivos do setor de óleo e gás veem a corrida pelas terras raras como tangente direta da transição energética.
Conforme o Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem 17% das reservas globais de nióbio e 22% de grafite, ambos usados na cadeia de baterias.
Da mesma forma, plataformas offshore precisam de ímãs de neodímio em motores submersos e equipamentos de geração elétrica.

A nova geopolítica das terras raras coloca a Ásia Central no centro da disputa industrial
Segundo o Centro de Estudos Estratégicos de Astana, o Cazaquistão tenta diversificar fornecedores e reduzir dependência exclusiva da China.
Em comparação com 2010, quando 95% das exportações do país iam para Pequim, hoje a fatia chinesa caiu para 60%.
Conforme o Banco Mundial, o PIB cazaque vai crescer 4,2% em 2026, impulsionado em parte pelo setor mineral.
De acordo com o Centro de Estudos do Cáspio, há ainda intenção de unir o Cazaquistão ao corredor logístico que vai do porto de Aktau até Baku no Azerbaijão.
Como pano de fundo, o setor de petróleo do país, que produz 1,7 milhão de barris por dia, financia parte da infraestrutura de transporte das terras raras.
O acervo do CPG já cobriu a corrida das terras raras na Ásia, na África e nos Estados Unidos
O CPG publicou recentemente análise sobre a transição energética e os minerais críticos no Brasil, no acervo do site.
Posteriormente, registrou também as descobertas globais de terras raras, com foco em Estados Unidos, Suécia e África do Sul.
Em outras palavras, a entrada cazaque na lista vem reforçar uma tendência que já dominava o noticiário de O&G.
Por outro lado, alguns analistas alertam que o ciclo das terras raras já viu várias bolhas e quebras de preço nos últimos 20 anos.
Os próximos passos do Cazaquistão e o cronograma realista até a primeira tonelada exportada
Em primeiro lugar, o governo precisa finalizar relatório técnico de viabilidade comercial até dezembro de 2026.
Em seguida, deve abrir licitação internacional para parcerias entre 2027 e 2028.
Por fim, a expectativa é começar a produção comercial a partir de 2034, segundo Arthur Poliakov, do MINEX Forum.
Porém, há quem alerte para o longo prazo dos investimentos em terras raras, que costumam atrasar entre 5 e 8 anos.
No entanto, o vetor geopolítico atual joga a favor da entrada cazaque.
Ainda assim, a competição global por estes 17 elementos dificilmente vai esfriar antes da próxima década.
A jazida de Karagandy vai virar peça-chave da agenda de Astana.

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