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Enquanto EUA e China disputam terras raras, Cazaquistão revela em Karagandy a terceira maior reserva do mundo com 20 milhões de toneladas

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 14/05/2026 às 06:30
Atualizado em 14/05/2026 às 06:32
Mineração a céu aberto na estepe do Cazaquistão
Mineração a céu aberto na estepe do Cazaquistão (representação artística).
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O Ministério da Indústria do Cazaquistão confirmou em abril a presença de 20 milhões de toneladas de terras raras na região de Karagandy, terceira maior reserva já mapeada no mundo, em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China pelo controle dos minerais críticos.

A descoberta da maior reserva de terras raras do Cazaquistão foi apelidada de “Novo Cazaquistão” e contém estimadas 935.400 toneladas de óxidos de cério, lantânio, neodímio e ítrio.

Segundo o ministério, o depósito foi confirmado em quatro zonas prospectivas na província central de Karagandy.

De acordo com a Mining.com, se confirmada, a jazida coloca o país entre os três maiores donos de terras raras do planeta.

Conforme o governo cazaque, os estudos para definir composição da mineração e viabilidade comercial vão durar até o fim de 2026.

Por isso, a empresa exploradora estima que pode levar de 6 a 12 anos até a primeira tonelada sair do solo.

A guerra por terras raras entre Estados Unidos e China e o porquê de o Cazaquistão entrar na conta agora

Em 2024, a China respondia por quase 70% da produção mundial de terras raras e por mais de 90% da capacidade de refino.

Em outras palavras, qualquer fabricante de bateria, motor elétrico, ímã industrial ou turbina dependia do parque industrial chinês.

Conforme o Departamento de Energia dos Estados Unidos, Washington passou a tratar o assunto como questão de segurança nacional desde 2023.

Por outro lado, a Casa Branca tem buscado parceiros alternativos como Austrália, Canadá e agora o Cazaquistão.

Segundo a Astana Times, o presidente Kassym-Jomart Tokayev visitou Washington em abril de 2026 e apresentou um plano de cooperação direta na cadeia de baterias.

Como reportou a Reuters, o acordo prevê US$ 2,3 bilhões em investimentos cruzados ao longo de cinco anos.

Reserva de terras raras do Cazaquistão tem 935 mil toneladas de óxidos identificados em laboratório
Cientistas analisam amostras das quatro zonas prospectivas em Karagandy, no centro do Cazaquistão (representação artística).

O que tem na jazida de Karagandy: 935 mil toneladas de óxidos divididas em quatro zonas

Os quatro depósitos identificados estão na faixa central do país, entre a capital Astana e a antiga capital Almaty.

Em primeiro lugar, o cério aparece em maior quantidade e é usado em catalisadores de motores a combustão.

Em segundo lugar, o lantânio entra em ligas para baterias de níquel-hidreto e em vidros ópticos de alta precisão.

De acordo com os geólogos, o neodímio é o elemento mais cobiçado da jazida porque permite fabricar ímãs permanentes para motores elétricos e turbinas eólicas.

Por sua vez, o ítrio é insumo essencial em lasers industriais e em tubos de tela LED.

Conforme o Conselho de Investimentos do Cazaquistão, o desenvolvimento pleno do sítio deve custar perto de US$ 10 bilhões.

  • Cério (Ce): catalisadores automotivos, vidro óptico
  • Lantânio (La): baterias NiMH, refino de petróleo
  • Neodímio (Nd): ímãs permanentes para turbinas e VEs
  • Ítrio (Y): lasers industriais, telas LED

A reserva de terras raras do Cazaquistão é a terceira maior do mundo atrás de China e Vietnã

De acordo com o U.S. Geological Survey, a China detém 44 milhões de toneladas de óxidos em reserva.

Em comparação, o Vietnã tem 22 milhões e o Brasil aparece em quinto lugar com 21 milhões.

Em comparação direta, os 20 milhões de toneladas confirmadas no Cazaquistão ainda precisam passar por validação independente.

Posteriormente, geólogos da União Europeia e do Departamento de Energia americano devem visitar Karagandy nos próximos meses.

Como reportou o portal Mining-Technology, a checagem internacional vai definir se a reserva entra oficialmente na lista da Comissão Europeia de Minerais Críticos.

A reserva de terras raras do Cazaquistão prevê planta de processamento próxima a Karagandy
Planta de processamento de óxidos de terras raras prevista para a região de Karagandy (representação artística).

O que a reserva de terras raras do Cazaquistão muda para o Brasil e o pré-sal

O Brasil tem a quinta maior reserva mundial, com 21 milhões de toneladas, segundo o Serviço Geológico do Brasil.

Na prática, o país ainda não produz em escala industrial porque depende de capacidade de refino.

Em maio de 2026, a Câmara aprovou a Política Nacional de Minerais Críticos, que destina R$ 2 bilhões em garantias e R$ 5 bilhões em créditos fiscais.

Por isso, executivos do setor de óleo e gás veem a corrida pelas terras raras como tangente direta da transição energética.

Conforme o Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem 17% das reservas globais de nióbio e 22% de grafite, ambos usados na cadeia de baterias.

Da mesma forma, plataformas offshore precisam de ímãs de neodímio em motores submersos e equipamentos de geração elétrica.

A reserva de terras raras do Cazaquistão precisa de logística ferroviária pela estepe central
Trem cargueiro carregado com minério atravessa a estepe central do Cazaquistão (representação artística).

A nova geopolítica das terras raras coloca a Ásia Central no centro da disputa industrial

Segundo o Centro de Estudos Estratégicos de Astana, o Cazaquistão tenta diversificar fornecedores e reduzir dependência exclusiva da China.

Em comparação com 2010, quando 95% das exportações do país iam para Pequim, hoje a fatia chinesa caiu para 60%.

Conforme o Banco Mundial, o PIB cazaque vai crescer 4,2% em 2026, impulsionado em parte pelo setor mineral.

De acordo com o Centro de Estudos do Cáspio, há ainda intenção de unir o Cazaquistão ao corredor logístico que vai do porto de Aktau até Baku no Azerbaijão.

Como pano de fundo, o setor de petróleo do país, que produz 1,7 milhão de barris por dia, financia parte da infraestrutura de transporte das terras raras.

O acervo do CPG já cobriu a corrida das terras raras na Ásia, na África e nos Estados Unidos

O CPG publicou recentemente análise sobre a transição energética e os minerais críticos no Brasil, no acervo do site.

Posteriormente, registrou também as descobertas globais de terras raras, com foco em Estados Unidos, Suécia e África do Sul.

Em outras palavras, a entrada cazaque na lista vem reforçar uma tendência que já dominava o noticiário de O&G.

Por outro lado, alguns analistas alertam que o ciclo das terras raras já viu várias bolhas e quebras de preço nos últimos 20 anos.

Os próximos passos do Cazaquistão e o cronograma realista até a primeira tonelada exportada

Em primeiro lugar, o governo precisa finalizar relatório técnico de viabilidade comercial até dezembro de 2026.

Em seguida, deve abrir licitação internacional para parcerias entre 2027 e 2028.

Por fim, a expectativa é começar a produção comercial a partir de 2034, segundo Arthur Poliakov, do MINEX Forum.

Porém, há quem alerte para o longo prazo dos investimentos em terras raras, que costumam atrasar entre 5 e 8 anos.

No entanto, o vetor geopolítico atual joga a favor da entrada cazaque.

Ainda assim, a competição global por estes 17 elementos dificilmente vai esfriar antes da próxima década.

A jazida de Karagandy vai virar peça-chave da agenda de Astana.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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