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Em uma caverna a 2.235 metros de altitude, arqueólogos encontram ossos de criança, pingentes e uma “tecnologia” surpreendente

Publicado em 06/05/2026 às 16:07
Atualizado em 06/05/2026 às 16:09
A caverna Cova 338, nos Pirenéus, foi usada por povos pré-históricos entre 5.500 e 3.000 anos atrás para rituais funerários e processamento de cobre. O achado muda a visão sobre a ocupação humana em regiões de alta montanha.
A caverna Cova 338, nos Pirenéus, foi usada por povos pré-históricos entre 5.500 e 3.000 anos atrás para rituais funerários e processamento de cobre. O achado muda a visão sobre a ocupação humana em regiões de alta montanha. (Imagem meramente ilustrativa)
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A caverna Cova 338, nos Pirenéus, foi usada por povos pré-históricos entre 5.500 e 3.000 anos atrás para rituais funerários e processamento de cobre. O achado muda a visão sobre a ocupação humana em regiões de alta montanha.

A antiga crença de que as montanhas serviam apenas como locais de passagem para povos pré-históricos foi desafiada por uma descoberta na caverna Cova 338, localizada na Cordilheira dos Pirenéus. Situada a 2.235 metros acima do nível do mar, a gruta revelou indícios de que foi utilizada de maneira recorrente entre 5.500 e 3.000 anos atrás.

O estudo, detalhado na revista Frontiers in Environmental Archaeology, destaca que o local abrigava atividades complexas, desde rituais funerários até o processamento de minerais.

Em comunicado, o professor Carlos Tornero, revela que “durante muito tempo, os ambientes de alta montanha foram vistos como marginais, lugares por onde as comunidades pré-históricas passavam ocasionalmente”.

Contudo, o sítio apresenta uma sequência arqueológica extremamente rica. Embora não existam provas de uma moradia permanente, as visitas planejadas demonstram que as comunidades antigas possuíam conhecimento técnico avançado para explorar ambientes de altitude extrema.

Pingente é encontrado em caverna

Além da vertente técnica, a caverna também revelou aspectos íntimos e sociais das populações passadas. Na terceira camada da escavação, os cientistas encontraram um osso de dedo e um dente de leite de uma criança que teria cerca de 11 anos.

Essa descoberta levanta a hipótese de que o local era usado para práticas funerárias, embora os arqueólogos ainda precisem de mais dados para confirmar tal teoria.

Detalhe de pingente confeccionado a partir de concha do gênero Glycymeris (sp.), descoberto nas escavações da Cova 338 — Foto: IPHES-CERCA
Detalhe de pingente confeccionado a partir de concha do gênero Glycymeris (sp.), descoberto nas escavações da Cova 338 — Foto: IPHES-CERCA

Acompanhando os restos humanos, dois pingentes foram encontrados e oferecem pistas sobre a cultura da época:

  • Pingente de concha: Segundo Tornero, a peça apresenta paralelos em outros sítios da Catalunha, sugerindo conexões entre diferentes comunidades.
  • Pingente de dente de urso: O professor aponta que este item é muito menos comum, podendo indicar algo mais específico ou simbólico.

Tecnologia milenar e o processamento de metais

Um dos achados mais surpreendentes na caverna envolve a exploração de recursos naturais para a produção de ferramentas.

Nas camadas intermediárias do solo, os arqueólogos localizaram 23 lareiras cercadas por fragmentos de minerais verdes, preliminarmente identificados como malaquita, que é a matéria-prima do cobre.

A caverna Cova 338, nos Pirenéus, foi usada por povos pré-históricos entre 5.500 e 3.000 anos atrás para rituais funerários e processamento de cobre. O achado muda a visão sobre a ocupação humana em regiões de alta montanha.
Fragmentos de malaquita — mineral abundante em cobre — encontrados durante escavações arqueológicas na Cova 338. Foto: IPHES-CERCA.

A pesquisa indica que o uso do fogo era estratégico e não acidental. Julia Montes-Landa explica que “Muitos desses fragmentos sofreram alterações térmicas, enquanto outros materiais na caverna não, o que sugere claramente que o fogo desempenhou um papel importante em seu processamento”.

Entre as observações técnicas, destacam-se:

  • Muitos dos minerais verdes recuperados apresentam sinais claros de alterações térmicas.
  • Outros materiais presentes na mesma área da caverna não foram queimados, o que reforça a intencionalidade do processamento.
  • Julia Montes-Landa complementa que os fragmentos “não foram queimados por acidente”.
  • Carlos Tornero lembra, entretanto, que “A identificação do mineral verde como malaquita ainda é precisa ser confirmada”.

Futuras investigações na caverna

Embora as descobertas atuais já tenham mudado a percepção sobre a ocupação pré-histórica nos Pirenéus, o trabalho na caverna está longe de terminar. O professor Tornero ressalta que “a escavação ainda não atingiu a profundidade total do sítio”.

Novas escavações estão programadas para ocorrer entre junho e setembro, durante o próximo verão europeu. O objetivo dessa nova fase é aprofundar a investigação sobre o papel dessas comunidades na exploração de recursos em ambientes extremos.

A caverna Cova 338, nos Pirenéus, foi usada por povos pré-históricos entre 5.500 e 3.000 anos atrás para rituais funerários e processamento de cobre. O achado muda a visão sobre a ocupação humana em regiões de alta montanha.
A caverna Cova 338, nos Pirenéus, foi usada por povos pré-históricos entre 5.500 e 3.000 anos atrás para rituais funerários e processamento de cobre. O achado muda a visão sobre a ocupação humana em regiões de alta montanha. Fonte: IPHES-CERCA.

Com informações da Revista Galileu

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Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

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