Exportações brasileiras somaram 474.220 toneladas entre janeiro e abril de 2026, enquanto produtores tentam antecipar embarques antes do impacto da cota chinesa
As vendas de carne bovina brasileira para a China aceleraram no início de 2026 e colocaram o setor em estado de atenção. Segundo dados da Abiec, o Brasil exportou 474.220 toneladas ao mercado chinês nos primeiros quatro meses do ano. Esse volume representa uma alta de 20,9% em comparação com o mesmo período de 2025. Além disso, o resultado marcou um recorde histórico para o intervalo entre janeiro e abril.
O avanço ocorre em meio à nova política comercial chinesa, que criou uma cota para a entrada da carne bovina brasileira. De acordo com o texto-base, os produtores tentam se antecipar ao limite imposto pela China. Com isso, o movimento reforça a importância do mercado chinês para o setor exportador nacional.
Cota chinesa muda o jogo para os exportadores brasileiros
A nova regra foi anunciada em dezembro de 2025 pelo Ministério do Comércio da China. Conforme a medida, o Brasil terá uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina. Dentro desse limite, a tarifa aplicada será de 12%. No entanto, acima da cota estabelecida, a alíquota subirá para 55%.
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Por isso, exportadores brasileiros já se movimentam para reduzir os impactos da cobrança mais alta. A China adotou a medida com o objetivo de fortalecer sua pecuária local. Ainda assim, o país asiático continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira.
Brasil segue como maior fornecedor da China
Atualmente, o Brasil ocupa a posição de maior fornecedor de carne bovina para o mercado chinês. Em 2025, foram enviadas 1,7 milhão de toneladas de carne brasileira para a China. Esse desempenho reforça o peso estratégico do país asiático nas exportações brasileiras.

Abiec prevê queda nas exportações totais em 2026
Apesar do recorde registrado no início do ano, a Abiec estima um cenário mais cauteloso para 2026. Segundo a entidade, as exportações totais de carne bovina podem cair 10% em relação ao ano anterior. Essa projeção considera os efeitos da nova tarifa chinesa sobre os embarques brasileiros.
Portanto, o setor acompanha com atenção os próximos meses. A preocupação aumenta porque a China tem peso decisivo no comércio externo da carne bovina nacional. Dessa forma, qualquer mudança nas regras de compra pode alterar o ritmo das vendas brasileiras.
Ministro André de Paula cumpre agenda na China
Enquanto isso, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, cumpre compromissos oficiais na China nesta semana. A agenda começou no domingo, 17 de maio de 2026, em Xangai. Na ocasião, o ministro participou do Seminário Brasil-China de Agronegócio e visitou o estande brasileiro na SIAL China, maior feira internacional de alimentos e bebidas da Ásia.
Na terça-feira, 19 de maio de 2026, André de Paula seguirá para Pequim. Lá, ele terá reuniões com representantes da GACC, do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e do Ministério do Comércio da China. Também estão previstos avanços em pleitos sanitários e fitossanitários.
Discussão sobre a cota pode entrar nas reuniões
Durante os encontros, a cota sobre a carne bovina pode ser discutida. No entanto, conforme o texto-base, a chance de revisão da medida é mínima. Mesmo assim, a agenda busca fortalecer a cooperação bilateral entre Brasil e China.
Desse modo, o setor brasileiro tenta preservar espaço no principal mercado comprador da carne nacional. Agora, a dúvida que fica é: o Brasil conseguirá manter o ritmo das exportações mesmo com a nova tarifa chinesa em vigor?
