Investimento bilionário da Petrobras amplia encomendas navais em Santa Catarina, movimenta estaleiros de Itajaí e Navegantes e reforça a retomada da construção de embarcações no país, com impacto direto sobre empregos, tecnologia marítima e renovação da frota até 2032.
Com investimento estimado em R$ 12 bilhões, a Petrobras prevê construir 42 embarcações em Santa Catarina e gerar mais de cinco mil postos de trabalho diretos dentro do Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras.
O anúncio foi apresentado na sexta-feira (26/06), durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Estaleiro Detroit, em Itajaí, no Litoral Norte catarinense, com a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Estaleiros de Itajaí e Navegantes ganham protagonismo
Na primeira etapa, os estaleiros Detroit, em Itajaí, e Navship, em Navegantes, já concentram 16 embarcações de apoio marítimo em construção, em projetos que empregam diretamente mais de dois mil profissionais, segundo a Petrobras.
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Dentro desse pacote inicial, Itajaí reúne seis embarcações do tipo PSV, usadas no apoio a plataformas, e quatro unidades OSRV, voltadas a operações de resposta e recuperação em caso de vazamento de óleo.
Já em Navegantes, outras seis embarcações PSV estão em produção, ampliando a participação da cidade no programa e reforçando o peso da indústria naval catarinense nas encomendas ligadas às operações offshore da Petrobras.
Entre as unidades em fase mais avançada, a Starnav Elektra, do tipo PSV, está sendo construída no Estaleiro Detroit e tem previsão de entrega em julho, após receber destaque durante a visita oficial ao empreendimento.
Tecnologia embarcada busca menor consumo
Nos barcos PSV, os projetos incluem sistemas de geração e distribuição de energia com banco de baterias, controle por telemetria de consumo e possibilidade futura de conversão para operação parcial com combustível renovável.
Além desses recursos, as embarcações terão novas tecnologias de pintura e sistemas anti-incrustação, soluções usadas para reduzir resistência durante a navegação, diminuir o consumo de combustível e cortar emissões nas operações marítimas.
Durante a agenda em Itajaí, Magda Chambriard defendeu a retomada da construção naval no país e afirmou que a entrega antecipada da Starnav Elektra “confirma a pujança da indústria naval brasileira”.
Na mesma ocasião, a presidente da Petrobras disse que a companhia tem a maior frota de apoio marítimo do mundo e ressaltou que o país pode operar e construir suas próprias embarcações, sem depender apenas de contratos com mão de obra estrangeira.
Programa Mar Aberto avança até 2032

Para Santa Catarina, o plano ainda inclui oito embarcações de suporte para engenharia submarina do tipo RSV, previstas para estaleiros de Navegantes, além de 18 empurradores destinados à renovação da frota da Transpetro.
Em escala nacional, o Programa Mar Aberto prevê 96 embarcações até 2032 e investimentos estimados em R$ 32 bilhões na indústria naval brasileira, combinando construção e afretamento de unidades para a Petrobras e a Transpetro.
O pacote nacional contempla 40 embarcações de apoio para exploração e produção, 20 navios de cabotagem, 18 barcaças e 18 empurradores, conforme informações divulgadas pela Agência Petrobras.
Outro ponto relevante é a exigência mínima de 40% de nacionalização na etapa de construção das embarcações, com financiamento do Fundo da Marinha Mercante e maior participação da cadeia produtiva brasileira nas encomendas.
Nos polos de Itajaí e Navegantes, a Petrobras afirma que os contratos garantem demanda para a indústria naval catarinense nos próximos anos, especialmente em atividades de construção e reparo de embarcações de apoio.
Com 42 embarcações previstas no estado, 16 unidades já em construção e novas encomendas direcionadas a Navegantes, Santa Catarina assume papel estratégico na renovação da frota da Petrobras e da Transpetro.
Esse pacote bilionário pode recolocar Santa Catarina no centro da construção naval brasileira e ampliar a disputa entre estaleiros nacionais por novas encomendas de apoio offshore nos próximos anos?
