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Megaprojeto do século da China impressiona o mundo ao levar água do sul úmido para o norte árido, com a maior rede de transposição do planeta e planos ainda mais ousados no Planalto Tibetano, entre túneis gigantes e altitudes de até 4.000 metros

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 02/07/2026 às 20:42 Atualizado em 02/07/2026 às 20:46
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Imagem: Ilustração artística
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Lançada em 2002, a maior transposição de água do planeta usa canais, túneis, reservatórios e bombeamento para abastecer regiões secas, enquanto uma terceira rota no Planalto Tibetano segue em debate

A transposição de água da China, lançada em 2002, já levou dezenas de bilhões de metros cúbicos das bacias úmidas do sul para áreas mais secas e populosas do norte, incluindo regiões próximas a Pequim e Tianjin, por meio da maior rede de transferência hídrica do planeta.

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Transposição de água tenta corrigir desequilíbrio entre sul e norte

À primeira vista, a China pode parecer distante de uma crise hídrica. O país tem 9.596.960 km², abriga alguns dos rios mais caudalosos da Ásia, possui grandes reservas glaciais e áreas atingidas por chuvas de monção.

O problema está na distribuição da água. A região norte concentra uma parcela significativa da população em termos absolutos e inclui megacidades como Pequim e Tianjin, com forte demanda por abastecimento.

Para enfrentar esse desequilíbrio territorial, o país lançou o Projeto de Transposição de Águas do Sul-Norte, conhecido em inglês como South-North Water Transfer Project. A iniciativa tem um objetivo central: levar água do sul, mais úmido, para o norte mais árido.

Megaprojeto do século da China impressiona o mundo ao levar água do sul úmido para o norte árido
Imagem: Reprodução / Youtube

Rede usa canais, reservatórios, bombeamento e túneis

A transferência ocorre por uma grande estrutura formada por canais, reservatórios, estações de bombeamento e túneis.

O sistema foi planejado para mover volumes elevados de água entre bacias, em uma escala rara no mundo.

Atualmente, duas rotas estão em operação. A rota leste aproveita parte do histórico Grande Canal da China. Já a rota central transporta água do Reservatório de Danjiangkou para áreas próximas a Pequim e Tianjin.

Somadas, essas duas estruturas já transferiram dezenas de bilhões de metros cúbicos de água. Essa dimensão faz do projeto a maior rede de transposição de água do planeta.

Megaprojeto do século da China impressiona o mundo ao levar água do sul úmido para o norte árido
Imagem: Reprodução / Youtube

Terceira rota pode atravessar o Planalto Tibetano

Uma terceira grande rota vem sendo considerada há vários anos. A proposta prevê captar recursos hídricos no Planalto Tibetano e desviá-los para bacias com escassez de água no norte da China.

Essa etapa, porém, envolve dificuldades muito maiores. O traçado previsto atravessaria áreas localizadas entre 3.000 e 4.000 metros de altitude, exigindo longos túneis em terreno acidentado e inóspito.

Alguns estudos mencionam centenas de quilômetros de túneis e barragens de proporções gigantescas. Por isso, essa fase segue como objeto de análise e debate, sem a mesma condição operacional das duas rotas já existentes.

Megaprojeto do século da China impressiona o mundo ao levar água do sul úmido para o norte árido
Imagem: Reprodução

Mudança climática adiciona incertezas ao megaprojeto

A dimensão do projeto mostra como a China vem apostando em grandes obras de engenharia para enfrentar desafios ambientais.

A gestão de terra e água aparece ligada a barragens, reflorestamento em larga escala e sistemas de modificação artificial de precipitação.

As mudanças climáticas, no entanto, acrescentam incertezas. O Planalto Tibetano está aquecendo rapidamente, com recuo de geleiras e alterações nos padrões de precipitação.

Essas mudanças podem afetar a vazão dos rios nas próximas décadas. Isso significa que uma infraestrutura criada para reduzir a escassez de água poderá enfrentar novas limitações no futuro.

Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas no material-base sobre o Projeto de Transposição de Águas do Sul-Norte, com dados, números e descrições preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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