Lançada em 2002, a maior transposição de água do planeta usa canais, túneis, reservatórios e bombeamento para abastecer regiões secas, enquanto uma terceira rota no Planalto Tibetano segue em debate
A transposição de água da China, lançada em 2002, já levou dezenas de bilhões de metros cúbicos das bacias úmidas do sul para áreas mais secas e populosas do norte, incluindo regiões próximas a Pequim e Tianjin, por meio da maior rede de transferência hídrica do planeta.
Transposição de água tenta corrigir desequilíbrio entre sul e norte
À primeira vista, a China pode parecer distante de uma crise hídrica. O país tem 9.596.960 km², abriga alguns dos rios mais caudalosos da Ásia, possui grandes reservas glaciais e áreas atingidas por chuvas de monção.
O problema está na distribuição da água. A região norte concentra uma parcela significativa da população em termos absolutos e inclui megacidades como Pequim e Tianjin, com forte demanda por abastecimento.
-
Empresa estrangeira vence leilão do primeiro túnel imerso do Brasil, obra de R$ 6,8 bilhões que envolve contrato de R$ 72,8 milhões alvo do MPF
-
Petrobras muda estado de patamar com plano ousado de R$ 12 bilhões para construir 42 embarcações e gerar mais de 5 mil empregos
-
Antigo Carrefour da Usina ficou fechado por quase 20 anos na Tijuca, acumulou disputa milionária, invasões e lixo, e agora pode virar condomínio popular com 600 moradias em 10 blocos
-
Shopee invade o Instagram e transforma posts e Reels em vitrine de compras: agora criadores podem marcar produtos e ganhar comissão
Para enfrentar esse desequilíbrio territorial, o país lançou o Projeto de Transposição de Águas do Sul-Norte, conhecido em inglês como South-North Water Transfer Project. A iniciativa tem um objetivo central: levar água do sul, mais úmido, para o norte mais árido.

Rede usa canais, reservatórios, bombeamento e túneis
A transferência ocorre por uma grande estrutura formada por canais, reservatórios, estações de bombeamento e túneis.
O sistema foi planejado para mover volumes elevados de água entre bacias, em uma escala rara no mundo.
Atualmente, duas rotas estão em operação. A rota leste aproveita parte do histórico Grande Canal da China. Já a rota central transporta água do Reservatório de Danjiangkou para áreas próximas a Pequim e Tianjin.
Somadas, essas duas estruturas já transferiram dezenas de bilhões de metros cúbicos de água. Essa dimensão faz do projeto a maior rede de transposição de água do planeta.

Terceira rota pode atravessar o Planalto Tibetano
Uma terceira grande rota vem sendo considerada há vários anos. A proposta prevê captar recursos hídricos no Planalto Tibetano e desviá-los para bacias com escassez de água no norte da China.
Essa etapa, porém, envolve dificuldades muito maiores. O traçado previsto atravessaria áreas localizadas entre 3.000 e 4.000 metros de altitude, exigindo longos túneis em terreno acidentado e inóspito.
Alguns estudos mencionam centenas de quilômetros de túneis e barragens de proporções gigantescas. Por isso, essa fase segue como objeto de análise e debate, sem a mesma condição operacional das duas rotas já existentes.

Mudança climática adiciona incertezas ao megaprojeto
A dimensão do projeto mostra como a China vem apostando em grandes obras de engenharia para enfrentar desafios ambientais.
A gestão de terra e água aparece ligada a barragens, reflorestamento em larga escala e sistemas de modificação artificial de precipitação.
As mudanças climáticas, no entanto, acrescentam incertezas. O Planalto Tibetano está aquecendo rapidamente, com recuo de geleiras e alterações nos padrões de precipitação.
Essas mudanças podem afetar a vazão dos rios nas próximas décadas. Isso significa que uma infraestrutura criada para reduzir a escassez de água poderá enfrentar novas limitações no futuro.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas no material-base sobre o Projeto de Transposição de Águas do Sul-Norte, com dados, números e descrições preservados conforme o material consultado.

