No noroeste de Washington, caranguejos-verdes europeus ameaçam prado de erva-marinha da costa do Pacífico da América do Norte. São 8.000 acres que armazenam carbono. Na Baía de Padilla, voluntários buscam mudas e equipes instalam armadilhas para impedir a invasão. A área protege salmões, arenques, caranguejos-de-dungeness e alimentos da Nação Samish.
Os caranguejos-verdes invasores entraram no radar de cientistas e voluntários no noroeste de Washington porque podem pressionar um dos ecossistemas mais valiosos da região: 8.000 acres de ervas marinhas na Baía de Padilla, um prado que sustenta espécies comerciais e alimentos tradicionais de comunidades indígenas.
Numa manhã nublada de sexta-feira, voluntários se reuniram na margem da Reserva Nacional de Pesquisa Estuarina da Baía de Padilla para procurar mudas, as carapaças deixadas após a troca de exoesqueleto. A meta era simples e urgente: detectar cedo a presença de caranguejos-verdes e impedir que a população se estabeleça.
A caça às mudas que entrega a presença dos caranguejos-verdes

Na reserva, o trabalho de triagem ganhou um guia experiente. Angelica Lucchetto, especialista em espécies invasoras, mostrou como identificar uma muda de caranguejo-verde: cinco dentes marginais e espinhos ao longo da parte frontal, geralmente com aspecto esverdeado e manchas.
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A busca local se conectou a um esforço maior: grupos semelhantes se reuniram em toda a região do Mar de Salish em uma “Busca Relâmpago de Mudas”, tentando encontrar indícios do caranguejo-verde europeu invasor antes que a invasão se torne comum.
Por que a Baía de Padilla precisa proteger 8.000 acres de ervas marinhas

Segundo o portal washingtonstatestandard, a preocupação com caranguejos invasores existe em todo Puget Sound, mas a Baía de Padilla tem um patrimônio ecológico raro: um prado gigantesco de erva-marinha, descrito como o segundo maior da costa do Pacífico da América do Norte.
Jude Apple, coordenadora de pesquisa da reserva, defende que essa área merece proteção máxima porque funciona como lar e berçário.
Caranguejos-de-dungeness juvenis, arenques e salmões dependem desse habitat, junto com muitos outros organismos.
Alimento tradicional e cultura: o que está em jogo para a Nação Samish
Além do valor ambiental, existe o valor cultural. Sophia Ammons, gerente de programa de SIG do Departamento de Recursos Naturais da Nação Indígena Samish, destacou que muitas das espécies que usam a erva-marinha são culturalmente significativas e alimentos tradicionais.
Manter esse habitat íntegro é uma forma de garantir que espécies importantes para os Samish e outras tribos costeiras continuem existindo com estabilidade, especialmente quando a pressão de invasores como caranguejos-verdes aumenta.
Os superpoderes da erva-marinha que muita gente não vê na maré baixa
Na maré baixa, a Baía de Padilla vira uma extensão lamacenta e a erva-marinha encharcada pode parecer apenas “fitas” espalhadas no chão. Só que o prado faz trabalhos silenciosos que sustentam o sistema inteiro.
A erva-marinha mantém sedimento no fundo da baía, reduz erosão da costa e diminui risco de inundações.
Estudos também mostram que paisagens como a Baía de Padilla capturam e armazenam muito dióxido de carbono, mais do que uma floresta do mesmo tamanho, ajudando a desacelerar mudanças climáticas e reduzindo a acidificação da água, algo que prejudica organismos como moluscos.
Um estudo de 2024 acrescentou outro benefício: a erva-marinha pode eliminar patógenos que poderiam parar nos frutos do mar.
Os autores observaram que mexilhões próximos à erva-marinha tinham até 65% menos bactérias nocivas do que mexilhões longe dela, o que sugere uso desse habitat como ferramenta de segurança alimentar.
Como os caranguejos-verdes podem destruir o prado por baixo e por cima
A proteção da erva-marinha deve ficar mais difícil com o aumento da temperatura dos oceanos, que dificulta a sobrevivência da planta e favorece a disseminação da doença fatal que causa o definhamento da erva-marinha. Se caranguejos-verdes europeus se tornarem comuns, entram como pressão adicional em um ecossistema já ameaçado.
Esses caranguejos tendem a arrancar a erva-marinha enquanto escavam em busca de vermes marinhos ou mariscos no lodo e, às vezes, devoram a própria erva-marinha. Jude Apple resumiu o momento como um risco que ainda pode ser contido, mas cresce conforme a população aumenta, por isso a reserva faz muitas armadilhas para impedir que caranguejos-verdes se estabeleçam.
Invasores não param nos caranguejos-verdes: bilhões de caramujos na lama
Entre as ervas marinhas, pesquisadores também encontraram dezenas de caramujos-da-lama japoneses, outra criatura invasora. A estimativa é de bilhões desses caramujos apenas na Baía de Padilla, adicionando mais um elemento de pressão ao prado.
Esse cenário ajuda a explicar por que o alerta é de colapso silencioso: não é um único invasor, mas um conjunto de ameaças que se somam em um ambiente já sensível a aquecimento e doenças.
O aviso da costa externa: mais de 1 milhão de caranguejos-verdes capturados em 2024
Na costa externa de Washington, o problema já virou domínio em algumas áreas litorâneas. Em 2024, mais de 1 milhão de caranguejos-verdes europeus foram capturados apenas entre a Baía de Willapa e Gray’s Harbor, mostrando como a população pode explodir quando se estabelece.
Laura Kraft, pesquisadora da Universidade Estadual de Washington que trabalha na Baía de Willapa, espera que os biólogos de Puget Sound consigam manter os caranguejos invasores longe de locais preciosos como a Baía de Padilla, porque na costa externa a sensação é de que já ficou tarde demais para eliminar totalmente o invasor.
O estudo que elevou a urgência: juvenis também são ameaça
A urgência aumentou em maio, quando um estudo no qual Laura Kraft trabalhou mostrou que até caranguejos-verdes jovens podem representar grande ameaça. A equipe observou que juvenis conseguem abrir muitas espécies de amêijoas e ostras para se alimentar e ainda ameaçam ecossistemas marinhos.
Segundo Kraft, os caranguejos-verdes europeus não apenas se alimentavam de ervas marinhas, como também as cortavam arbitrariamente, e quando a folha desaparece da planta, ela não consegue mais crescer. O relato expõe o mecanismo do colapso: cortar folhas não é só “comer”, é travar a regeneração.
Por que Puget Sound demorou a ver caranguejos-verdes e por que isso mudou
O Estreito de Puget é descrito como mais protegido do que a costa externa, com águas mais rasas e apenas uma entrada e saída, o que atrasou a chegada de caranguejos-verdes europeus. O primeiro avistamento no Estreito ocorreu em 2016.
Mesmo assim, o número só aumentou desde então. Em 2023, foram encontradas apenas algumas dezenas de caranguejos-verdes; em 2024, esse número saltou para mais de 200, sinal de aceleração que colocou as reservas em modo de resposta rápida.
A linha de frente na Baía de Padilla: armadilhas, catalogação e o pico de 2024
Na própria Baía de Padilla, a rotina inclui monitorar e capturar caranguejos-verdes europeus. Brylee Axelson-Ney, funcionária encarregada de capturar e catalogar a presença da espécie invasora na baía, também lida com a coleta e registro para mapear qualquer avanço.
Duas técnicas ambientais, Brylee Axelson-Ney e Brigitta Mathews, começaram em outubro de 2024, durante o maior aumento populacional de caranguejos-verdes europeus já registrado em Puget Sound. Esse detalhe liga o aumento regional ao esforço local, porque quando a população cresce no entorno, a chance de invasão se estabelecer em pontos sensíveis aumenta.
A força dos voluntários: Molt Blitz, Molt Search e o que a reserva quer ver
Como a Baía de Padilla e o Estreito de Puget são imensos, o Washington Sea Grant, organização que coordenou o Molt Blitz, criou um caminho para cidadãos ajudarem no monitoramento. Além da blitz, qualquer residente de Puget Sound pode contribuir com dados para o programa Molt Search em qualquer época do ano.
No final da busca de sexta-feira, os voluntários separaram carapaças por espécie e contaram quantas tinham encontrado. As pilhas ficaram só com mudas multicoloridas de caranguejos nativos comuns, nenhuma muda de caranguejo-verde europeu apareceu. Angelica Lucchetto reagiu com alívio: “É isso que gostamos de ver”.
Você acha que ações com voluntários como essa são suficientes para segurar caranguejos-verdes antes que eles se tornem comuns, ou o avanço inevitável vai exigir medidas ainda mais duras?

Essas espécies invasoras ocorrem por msdade, ou apareceram trazidas por correntes marinhas. Uma lástima para qquer ecossistema.
a foto nao tem nada a ver com a matéria. Baia de Padilha não fica em Washington DC e sim em Washington State …aloooo
Se pode ser consumido logo logo a invasão acaba!😋😋😋😋