Em cinco anos, o lagarto teiú argentino cresceu 250% e se espalhou por ao menos seis estados. Num condado de 2 mil habitantes, já passou de 3 mil indivíduos. Nos Everglades, devora ovos e derruba árvores, deixando espécies nativas com sobrevivência quase zero e conservação avaliada de US$ 10 milhões.
Um lagarto invasor está avançando por Estados Unidos com uma velocidade que já assusta ecologistas: em cinco anos, a população disparou 250% e o animal se espalhou por pelo menos seis estados, aparecendo em quintais, fazendas invadidas e áreas naturais frágeis, sempre deixando rastros de destruição.
Na Flórida, o impacto virou alerta máximo quando levantamentos indicaram que 97% dos ninhos de tartarugas ficaram completamente destruídos em apenas uma temporada, cenário que empurrou a criação de múltiplos programas de conservação avaliados em US$ 10 milhões e expôs uma queda de sobrevivência de espécies nativas para quase zero em áreas protegidas.
A explosão do lagarto teiú e o avanço para além de um único estado

O crescimento não ficou restrito a um ponto isolado. Em cinco anos, estados registraram aumento de 250% de uma espécie de réptil invasora, com expansão por pelo menos seis estados.
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Em um pequeno condado com cerca de 2.000 pessoas, houve período em que a população animal ultrapassou 3.000 indivíduos, uma inversão que transformou o lagarto em presença cotidiana, inclusive em áreas urbanas e rurais.
Relatos incluem aparições em quintais e fazendas, com o lagarto circulando e causando destruição por toda parte.
O padrão sugere que a invasão não está sendo contida apenas com vigilância pontual, porque o avanço acontece tanto em áreas naturais como em espaços ocupados por pessoas, aumentando a chance de contato frequente e multiplicando danos.
O tamanho engana: o lagarto cresce como um cão e come quase tudo

O lagarto teiú argentino não se comporta como o “lagarto pequeno que some num piscar de olhos”. Ele pode chegar a 1,2 metro de comprimento e pesar quase 5 kg, com pernas grossas, mandíbulas fortes e cauda poderosa, além de força suficiente para escalar paredes de tijolos. O perigo não está só no tamanho, mas no conjunto de habilidades de sobrevivência.
Na alimentação, o lagarto é descrito como oportunista e agressivo: come qualquer coisa que consiga dominar, de ovos de tartaruga e pássaros até rãs venenosas.
Em registros de presas, entram ovos de tartaruga marinha, ovos de jacaré americano, a tartaruga gopher ameaçada, aves jovens, ratos, esquilos, sapos, lagartos nativos, cobras pequenas, frutas, sementes e até carniça. Quando o alvo é ovo, a destruição vira extrema e rápida.
Por que os ninhos viram alvo principal e como 97% podem sumir em uma temporada

O foco do lagarto em ovos muda a dinâmica do ecossistema porque ele não atinge apenas indivíduos, mas a reposição de populações inteiras.
Um adulto pode eliminar até 20 ninhos por ano, e apenas 5 a 10 indivíduos já podem apagar um berçário completo de uma espécie. Em praias da Flórida, há relatos de 70% a 97% dos ninhos de tartaruga destruídos em uma única temporada.
Esse tipo de perda é ainda mais grave quando se considera que uma tartaruga marinha pode levar 20 a 30 anos para atingir maturidade, enquanto um ninho pode ser totalmente consumido pelo lagarto em poucos minutos. Na prática, é uma extinção lenta: adultos ainda aparecem, mas a próxima geração não chega.
Sangue parcialmente quente e tolerância ao frio ampliam o território do lagarto
Um dos pontos mais incomuns atribuídos ao lagarto é a capacidade de ser parcialmente de sangue quente durante a época de reprodução. Em pesquisas mencionadas, ele consegue elevar a temperatura corporal de 5°C a 10°C acima do ambiente nesse período, algo raro em répteis, que em geral dependem totalmente da luz solar para funcionar.
Essa vantagem acelera o desenvolvimento dos ovos e antecipa o nascimento de filhotes em 7 a 14 dias, o que empurra o crescimento populacional em ritmo de dobra e nova dobra. Além disso, há confirmação de sobrevivência consistente na Geórgia e na Carolina do Sul mesmo com temperaturas de inverno próximas de 0°C, porque o lagarto hiberna de 40 a 100 dias e cava tocas de 1 a 2 metros no subsolo, retendo calor suficiente para evitar congelamento.
Inteligência acima do esperado: o lagarto aprende, lembra e engana armadilhas
O lagarto também foi associado a ciclos claros de sono REM, tipo de sono ligado ao processamento de memória e antes observado de forma típica em mamíferos e aves. A consequência comportamental é direta: ele aprende, lembra e se adapta mais rápido do que a maioria dos répteis, o que ajuda a explicar por que evita armadilhas após apenas um ou dois encontros e muda rotas quando percebe risco.
Experimentos na Universidade do Tennessee indicaram que ele reconhece cores e objetos duas a três vezes mais rápido do que tartarugas-caixa e cascavéis, duas espécies frequentemente citadas como inteligentes entre répteis. Na prática, o lagarto abre travas simples de galinheiro, derruba lixeiras, escala cercas de arame e encontra alimento escondido, com agricultores relatando que armadilhas colocadas hoje são “vencidas” amanhã porque o animal muda o caminho.
Há ainda menção de comportamento incomum em répteis: alguns indivíduos aprenderam a viajar ao longo de estradas de asfalto quente para cobrir distâncias de dezenas de quilômetros, algo mais associado a mamíferos noturnos como raposas e coiotes. O resultado é um invasor que não só entra no sistema, mas ajusta o próprio comportamento para driblar o controle.
O efeito tesoura com a píton-birmanesa e o colapso em camadas do ecossistema

Nos Everglades, o lagarto chegou em um momento em que outra espécie invasora já vinha causando danos há quase 20 anos: a píton-birmanesa. A sobreposição foi comparada a uma tesoura puxando uma folha por extremidades opostas, porque cada invasor “limpa” uma camada diferente.
A píton, com 4 a 6 metros, se especializa em grandes presas, como coelhos, gambás, guaxinins, filhotes de veado e até jacarés.
Estudos citados indicam que, em algumas áreas, populações de coelhos e gambás caíram quase 100% em poucos anos após a chegada das pítons. Enquanto isso, o lagarto mira ovos e aves que nidificam no solo, atingindo diretamente a camada reprodutiva. Quando adultos somem de um lado e reprodução some do outro, o ecossistema perde a capacidade de recuperação.
O impacto se torna visível em espécies antes comuns, que quase desapareceram, e em aves que fazem ninho no chão, como codornas e gaios-azuis, com quedas mencionadas de 40% a 60%. É o tipo de dano que parece silencioso no começo e explode quando levantamentos de ninhos revelam perdas quase totais.
Além dos ovos, o lagarto mexe no chão, derruba margens e atrai problemas
O estrago não se limita à predação. Ao cavar tocas de até 2 metros, o lagarto altera a estrutura do solo, faz areia de margens colapsar, corta raízes de plantas, muda padrões de vegetação e ainda cria abrigos que atraem roedores. Esse deslocamento de roedores para tocas aumenta risco de doença e amplia efeitos indiretos.
Em termos práticos, o lagarto não apenas come, ele desmonta a base do ambiente, criando condições para novas cadeias de impacto, com perda de estabilidade do solo e mudanças no uso do espaço por outras espécies.
Como o lagarto chegou: comércio de pets, soltura e fugas em massa
A origem da invasão foi associada ao comércio de animais de estimação exóticos. Por mais de duas décadas, os EUA foram um dos maiores mercados consumidores de répteis, e há dado de que, entre 2000 e 2015, até 79.000 lagartos vivos foram importados, sem contar os criados domesticamente para o comércio.
No início, eram vistos como pets exóticos baratos e “fáceis”, com jovens custando de 50 a 150 dólares. O problema é que o lagarto que tinha 15 a 20 cm na compra cresce rápido e vira animal de mais de 1,2 metro, com 4 a 7 kg, comendo grandes quantidades e escapando de recintos. Ao entrar na fase adulta em 8 a 12 meses, mais rápido que muitos répteis, os custos disparam e muitos donos soltam o animal na natureza.
Após a pandemia, houve aumento acentuado de abandonos em 2020 e 2021, com centros de resgate na Flórida registrando centenas de casos por mês, além de muitos não reportados.
Outro fator veio de instalações comerciais de criação na Flórida, consideradas parte central do comércio de répteis no país: após furacões e enchentes, especialmente entre 2017 e 2020, recintos foram inundados e centenas escaparam, já adultos e adaptados a ambientes quentes e úmidos.
O efeito multiplicador fica claro em um cenário descrito: bastam 10 fêmeas escapando na mesma área e, com taxa de 20 a 34 ovos por ano, em cinco anos a população pode chegar a milhares, superando até a população humana de uma cidade pequena.
O retrato de “cidade do lagarto” e a falta de predadores naturais
Em Tattnall County, na Geórgia, apelidado de “Tegu Town” pela mídia local, a cidade tem cerca de 2.000 residentes, mas desde 2021 autoridades registraram mais de 3.000 lagartos dentro de um raio de 5 km ao redor. Moradores relatam ver o lagarto correndo em quintais como cão solto, tomando sol em frente a casas e cruzando estradas ao meio-dia sem medo.
O avanço ganha força porque o lagarto quase não tem predadores naturais. Jacarés americanos podem comer jovens, mas são casos raros; coiotes têm dificuldade de atacar adultos por causa da pele grossa e reflexos rápidos; águias pegam juvenis ocasionalmente, com impacto pequeno. Sem pressão de predadores, a reprodução vira uma máquina ligada.
O combate custa caro e ainda assim o lagarto aprende a driblar
Autoridades recorrem a relatórios do público para localizar indivíduos e então instalar armadilhas, usando drones infravermelhos para escanear vegetação densa e equipes com cães treinados para rastrear cheiro.
Só que o lagarto mostra capacidade de enganar o sistema: há descrição de indivíduo soltando a cauda durante perseguição, com a cauda continuando a se mover e reter cheiro enquanto o animal escapa, tirando equipes do rumo por centenas de metros.
As ferramentas mais usadas incluem armadilhas de feromônio e armadilhas de captura viva. A Universidade da Flórida implanta 300 armadilhas vivas por ano dentro e fora dos Everglades, usando ovos de galinha como isca, mas até isso enfrenta obstáculos: 53 armadilhas foram roubadas ou arrastadas por jacarés em um ano mencionado.
Quando um lagarto é capturado, ele precisa ser colocado em dois sacos bem fechados e trancado em recipiente rígido com duas fechaduras, porque houve casos de indivíduos mastigando sacos ou forçando tampas com os membros. Em 2020, o Serviço Geológico dos Estados Unidos registrou captura de mais de 900 indivíduos, o maior número citado, e gráficos indicaram queda na população central, mas como redução frágil, longe de controle real.
Há estimativa de que o país gaste mais de 10 milhões de dólares por ano nessa luta, incluindo drones, cães, pessoal de campo, transporte e processo legal.
Leis, abatimento permitido em propriedades e proibições de posse
Em níveis estaduais, Flórida e Geórgia declararam legal o abatimento humanitário do lagarto em propriedade privada, desde que o dono do terreno dê permissão. Ainda assim, isso não é simples, porque leis contra crueldade animal e normas locais continuam válidas, criando um dilema jurídico de “permitido, mas restrito”.
Também existe um programa de anistia para animais de estimação exóticos na Flórida, criado porque muitos pets exóticos estavam sendo soltos na natureza.
Paralelamente, vários estados passaram a introduzir proibições de posse do lagarto, com multas pesadas para manutenção ilegal, e regras determinando que qualquer indivíduo capturado na natureza deve ser destruído, embora os próprios gestores admitam que essas leis afetam mais o futuro do que desfazem o que já escapou nos últimos 10 a 20 anos.
O que pode acontecer se o lagarto continuar avançando e por que a década de 2030 assusta
Modelos atribuídos ao USDA e ao Serviço Geológico dos EUA desenham um cenário duro: entre 2030 e 2040, o lagarto poderia expandir sua área para até um terço dos Estados Unidos, esticando da Flórida ao Texas, chegando ao norte até Tennessee e cruzando fronteiras para o México e América Central.
A base seria o mesmo tipo de modelo usado antes para prever expansão de pítons-birmanesas e lampreias marinhas, com a barreira natural de frio se tornando menos eficiente em regiões onde o lagarto já provou tolerância.
Nesse cenário, ecologistas apontam risco de extinção localizada de espécies nativas, com perda de dezenas de milhares de ninhos por estação para tartarugas marinhas e desaparecimento completo de algumas espécies em certas regiões.
Por isso, há expectativa de que a partir da década de 2030 não baste armadilha, cão farejador ou captura manual tradicional, exigindo novas armas ecológicas, com inteligência artificial vista como primeira linha de defesa para prever rotas, reprodução, abrigos e pontos críticos, além de robôs terrestres e armadilhas automatizadas. Outra aposta citada é uma nova geração de armadilhas de feromônio capaz de atrair grupos inteiros, não só indivíduos.
Na prática, o lagarto deixou de ser apenas mais um invasor e virou um teste de limite para conservação, agricultura e controle de fauna.
Você acha que os EUA ainda conseguem conter esse lagarto com armadilhas e fiscalização, ou a invasão já passou do ponto de retorno?

Seems like an AI article, yes, it is an AI generated story, thanks.