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Uma americana enriqueceu com máquinas de fabricar barris, mas foi o seu bote salva-vidas dobrável, patenteado em 1882 e usado anos depois em navios, inclusive no Titanic, que a colocou entre as inventoras mais lucrativas do século 19, com 15 patentes

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 12/07/2026 às 23:16 Atualizado em 12/07/2026 às 23:19
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Maria Beasley enriqueceu com uma máquina de fabricar barris, mas entrou para a história com o bote salva-vidas dobrável
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Nascida na Filadélfia, Maria Beasley enriqueceu com uma máquina de fabricar barris, mas entrou para a história com o bote salva-vidas dobrável que patenteou em 1882. Com 15 patentes, de aquecedores de pés a geradores de vapor, ela foi uma das inventoras mais bem-sucedidas do século 19.

Poucos nomes resumem tão bem a engenhosidade esquecida das mulheres do século 19 quanto o de Maria Beasley. Segundo o Institute for Transportation da Universidade Estadual de Iowa (InTrans), ela foi uma verdadeira “força dinâmica da engenharia” e, embora tenha feito fortuna com máquinas industriais, foi um bote salva-vidas que gravou seu nome na história dos transportes.

Entre o fim dos anos 1870 e o fim dos anos 1890, Beasley acumulou 15 patentes, que iam de aquecedores de pés a uma das inovações mais importantes já criadas para a segurança no mar. No topo dessa lista estava sua balsa salva-vidas dobrável, patenteada em 1882 e, anos depois, ligada a navios de passageiros inclusive ao lendário Titanic.

Dos barris à fortuna: a inventora que poucos conhecem

Maria E. Beasley (1897)
Maria E. Beasley (1897)

Antes de entrar para a lista das grandes mulheres inventoras da história, Maria Beasley começou pelo lado mais prático do negócio. Nascida na Filadélfia, na Pensilvânia, ela patenteou em 1878 sua primeira invenção: uma máquina de fabricar barris. O aparelho lhe rendeu, segundo a fonte, um pagamento “sem precedentes de mais de US$ 20 mil por ano” o equivalente a bem mais de US$ 450 mil nos dias de hoje.

A imprensa da época não deixou o feito passar em branco. Em 1889, o jornal Evening Star, de Washington, escreveu que Beasley havia feito “uma pequena fortuna com a máquina”. Já em 1901, o Arkansas Democrat noticiou que o equipamento chegava a produzir 1.500 barris por dia um volume impressionante para a indústria daquele tempo.

O bote salva-vidas dobrável que a imortalizou

Patente de bote salva-vidas de Maria Beasley, de 1882. Autora: Maria Beasley.
Patente de bote salva-vidas de Maria Beasley, de 1882. Autora: Maria Beasley.

Foi, porém, longe das linhas de produção de barris que Beasley deixou sua marca mais duradoura. Em 1882, ela patenteou um bote salva-vidas dobrável, projeto que somaria, com aprimoramentos posteriores, duas patentes voltadas a melhorar esse tipo de embarcação de salvamento.

O objetivo era claro: salvar vidas. Assim como outros inventores de seu tempo, Beasley enxergava na engenharia uma forma de tornar o transporte mais seguro. De acordo com o InTrans, projetos como o dela ajudariam a salvar inúmeras vidas nos anos seguintes, num período em que atravessar o oceano de navio ainda era um risco considerável.

Transatlânticos, imigrantes e o luxo sobre as ondas

Para entender o peso da invenção, é preciso olhar para o cenário da virada do século. Entre o fim dos anos 1800 e o início dos anos 1900, milhões de imigrantes lotavam os transatlânticos em busca de uma vida melhor do outro lado do Atlântico.

Ao mesmo tempo, esses navios também transportavam passageiros ricos, oferecendo “espaços extravagantes no mar, comparáveis aos de hotéis e restaurantes de luxo”. Havia gente de todas as classes cruzando o oceano mas nem sempre havia botes salva-vidas suficientes para todos, uma falha que logo se mostraria trágica.

O Titanic e a prova trágica de que os botes importavam

O exemplo mais dramático dessa lacuna tem nome conhecido: o RMS Titanic. Durante sua viagem inaugural, entre a Inglaterra e Nova York, o transatlântico britânico colidiu com um iceberg e afundou no Atlântico na madrugada de 15 de abril de 1912.

Havia mais de 2.000 pessoas a bordo, e mais de 1.000 morreram. O navio tinha botes salva-vidas de menos, mas as 20 embarcações disponíveis ainda assim salvaram cerca de 700 passageiros e é justamente a esse tipo de bote, herdeiro de projetos como o de Beasley, que muitos creditam essas vidas.

Muito além do mar: aquecedores, geradores e formas de assar

Reduzir Beasley ao bote salva-vidas, no entanto, seria injusto com sua criatividade. Sua lista de patentes incluía desde um aquecedor de pés até assadeiras e formas para assar, passando por um gerador de vapor, patenteado em 1886, e até um gerador de energia para vagões de trem.

Não à toa, dizia-se que suas invenções “não eram apenas lucrativas, mas também diversas”. Com 15 patentes registradas, Beasley era vista como uma inventora profissional algo raríssimo para uma mulher em pleno século 19.

O legado de uma “dínamo da engenharia”

Mais de um século depois, o nome de Maria Beasley segue aparecendo em listas de mulheres influentes na engenharia e na inovação. A alcunha de “força dinâmica da engenharia” resume bem uma trajetória que uniu talento técnico e faro para os negócios, numa época em que pouquíssimas mulheres conseguiam registrar sequer uma patente.

A história dela guarda, ainda hoje, uma lição atual. Beasley fez a diferença ao trazer algo único para o setor de transportes suas máquinas e seus botes salva-vidas. Agora, novas fronteiras se abrem nesse mesmo campo, da eletrificação à inteligência artificial, e fica a provocação: o que cada um de nós ainda pode inventar para mudar a forma como o mundo se move?

E você, já conhecia essa inventora?

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De fabricante de barris a uma das mentes por trás do bote salva-vidas moderno, Maria Beasley provou que uma boa ideia pode atravessar séculos e oceanos.

Você já tinha ouvido falar dessa inventora? Acha que histórias como a dela deveriam ser mais lembradas nas aulas de história e de engenharia? Comente aqui embaixo e marque aquele amigo que ama descobrir os bastidores das grandes invenções.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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