Projeto Marmora Clean Energy Hub prevê transformar um poço de mina inundado de 220 metros de profundidade em sistema de armazenamento de energia com capacidade de até 500 MW, utilizando bombeamento hidráulico e integração com usina solar de 30 MW em Ontário, Canadá
No Canadá, um poço de mina com cerca de 220 metros de profundidade, localizado em Marmora, Ontário, pode ser transformado em uma bateria hidrelétrica de grande porte, com capacidade prevista entre 400 e 500 MW, ainda em fase de avaliação.
O projeto está situado na antiga Mina de Ferro de Marmoraton, no município de Marmora e Lake, no condado de Hastings. A área foi explorada entre 1953 e 1978, deixando uma cratera industrial com 740 centímetros de comprimento, 450 metros de largura e grande profundidade.
Com o fim das atividades, o poço de mina foi gradualmente preenchido por água da chuva e infiltrações naturais. Esse processo resultou na formação de um lago profundo de cor turquesa, que hoje ocupa o fundo da estrutura abandonada.
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Projeto propõe uso do poço de mina como bateria de energia
O chamado Projeto Marmora Clean Energy Hub foi desenvolvido pelas empresas Ontario Power Generation e Northland Power.
A proposta prevê transformar o poço de mina inundado em uma usina hidrelétrica de bombeamento em circuito fechado.
Nesse modelo, o lago existente funcionaria como reservatório inferior do sistema. Um segundo reservatório seria construído nas proximidades para completar a estrutura necessária ao funcionamento da unidade de armazenamento de energia.
Durante períodos de baixa demanda elétrica, o sistema utilizaria energia excedente de fontes como solar e eólica para bombear água até o reservatório superior. Esse processo permitiria armazenar energia na forma de potencial hidráulico.
Quando a demanda por eletricidade aumentasse, a água retornaria ao reservatório inferior passando por turbinas. Esse fluxo geraria energia limpa, funcionando de forma semelhante a uma bateria hidrelétrica de grande escala.
Capacidade energética e integração com energia solar
O projeto prevê uma capacidade instalada entre 400 e 500 MW, o que permitiria fornecer armazenamento e flexibilidade para a rede elétrica de Ontário. Essa estrutura ampliaria a capacidade de resposta do sistema em horários de maior consumo.
Além do sistema hidrelétrico, está prevista a instalação de uma usina solar fotovoltaica com potência de 30 MW. Essa unidade teria a função de alimentar o próprio sistema de bombeamento e complementar a operação energética.
A integração entre diferentes fontes renováveis faz parte do desenho do projeto. O objetivo é aproveitar excedentes energéticos e redistribuí-los conforme a demanda, utilizando o poço de mina como elemento central do armazenamento.
Situação atual e previsão de operação
Até o momento, o projeto não foi aprovado nem iniciou obras. O Marmora Clean Energy Hub está registrado na Agência de Avaliação de Impacto do Canadá e permanece em fase de planejamento e análise ambiental.
A documentação oficial indica que, caso sejam obtidas as aprovações necessárias e o financiamento seja garantido, o início das operações pode ocorrer por volta de 2029. Esse prazo depende de etapas regulatórias e contratuais.
O avanço do projeto está condicionado a estudos detalhados e decisões institucionais. Essas análises incluem aspectos técnicos, econômicos e ambientais que ainda estão em andamento.
Impactos ambientais, econômicos e sociais
A proposta de transformar o poço de mina em uma bateria de energia limpa envolve impactos em diferentes áreas. Estudos ambientais deverão avaliar possíveis efeitos sobre a vida aquática e o ecossistema local.
Do ponto de vista econômico, a construção e operação do sistema podem gerar empregos técnicos e operacionais na região.
A iniciativa também pode contribuir para o posicionamento de Ontário no setor de armazenamento energético.
Além disso, o lago turquesa já existente no local possui valor visual e pode ganhar nova função. O espaço poderá servir como exemplo de transição energética e também como ponto de interesse para turismo industrial sustentável.
Atualmente sem atividade econômica, o poço de mina representa um potencial recurso energético ainda em análise. A viabilidade do projeto depende da conclusão dos estudos e da aprovação pelas autoridades competentes.
