Na fazenda de cacau em Linhares, a Cacau Show combina irrigação automatizada, fertirrigação e cultivo a pleno sol para testar tecnologia e ganhar controle sobre qualidade e produção
A irrigação automatizada virou o coração de um projeto que muda a forma como a Cacau Show olha para o campo. A empresa, conhecida pelo chocolate, mantém em Linhares uma fazenda própria de cacau com tecnologia e manejo que fogem do modelo tradicional no Brasil.
Mais do que plantar, a estratégia é ganhar controle sobre qualidade e produtividade, testar técnicas e levar conhecimento para o setor. O plano é ambicioso: investir cerca de R$ 1 bilhão até 2034 para expandir o cultivo de cacau no Brasil.
Por que a Cacau Show decidiu produzir o próprio cacau

Por trás do crescimento da marca, existe um ponto sensível: sem cacau de qualidade, não existe chocolate de qualidade.
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O Brasil já foi líder mundial no passado, mas perdeu força ao longo do tempo, especialmente depois de doenças que devastaram plantações, como a vassoura de bruxa.
Nesse cenário, surge a decisão de produzir parte do cacau internamente. A fazenda Dedo de Deus, em Linhares, passa a funcionar como um projeto estratégico e um laboratório de inovação para estudar o cultivo, testar tecnologia e melhorar o produto final que chega ao consumidor.
A mudança de rota: do sistema cabruca ao cultivo a pleno sol
No Brasil, o cacau costuma ser plantado no sistema cabruca, em que os cacaueiros crescem sob árvores maiores, aproveitando sombra natural.
É um modelo mais sustentável, mas também traz limitações, como menor produtividade, mais dificuldade de mecanização e menos controle.
Na fazenda da Cacau Show, o caminho é outro. A empresa adota o cultivo a pleno sol, com cacaueiros a céu aberto, sem sombra.
Isso abre espaço para mais controle da plantação, facilita o manejo e pode reduzir problemas com pragas, mas vem com uma condição clara: sem tecnologia, não funciona bem.
Irrigação automatizada e fertirrigação: o diferencial que sustenta o modelo
É aqui que a irrigação automatizada entra como peça central. O sistema é combinado com fertirrigação, ou seja, água e nutrientes aplicados juntos de forma precisa. Tudo é controlado com base em medições de solo, umidade e necessidade das plantas.
Esse controle permite que o cacaueiro produza o ano inteiro com mais estabilidade. A lógica é simples: quando a planta recebe água e nutrientes no momento certo, o campo trabalha com previsibilidade, e a produtividade responde.
O salto na produtividade: o que os números indicam
Os resultados citados chamam atenção. Enquanto a média brasileira gira em torno de 300 g de cacau por planta ao ano, na fazenda Dedo de Deus a produção chega a 1.800 g por planta, ou seja, até seis vezes mais.
Em alguns casos, a produtividade por hectare também dispara: de cerca de 450 kg no Brasil para mais de 2.000 kg em áreas da fazenda.
Esse contraste reforça o impacto direto da tecnologia no manejo, com a irrigação automatizada como base do sistema.
O sabor não começa na fábrica: fermentação e secagem com controle

O trabalho não termina na colheita. O cacau colhido ainda não está pronto para virar chocolate, e existe um processo essencial em que o sabor começa a nascer: a fermentação.
Na fazenda da Cacau Show, a fermentação dura cerca de 7 dias e ocorre em duas fases: fermentação alcoólica, por cerca de 48 horas, e fermentação acética, que pode durar até 5 dias.
Durante o processo, as amêndoas são movimentadas constantemente para garantir qualidade, e a fazenda usa equipamentos automáticos para esse trabalho.
Depois vem a secagem, com mais inovação. A fazenda cria um sistema mecânico chamado aranha, que movimenta as amêndoas para evitar que grudem.
Na etapa final, usa um secador adaptado, parecido com os usados para café, mas sem contato com fumaça, porque fumaça pode estragar completamente o sabor do cacau. O objetivo é chegar a cerca de 6,5% de umidade antes do armazenamento e uso.
Um centro de inovação que mira o campo além da própria fazenda
A fazenda Dedo de Deus não é tratada apenas como área produtiva. Ela funciona como centro de inovação, onde a empresa testa técnicas, melhora processos e gera conhecimento.
A ideia não é guardar isso só para si: a Cacau Show pretende continuar comprando cacau de pequenos produtores, mas levando tecnologia, conhecimento e melhores práticas.
Isso importa porque o cenário do cacau no Brasil tem uma característica marcante: grande parte da produção vem de pequenos e médios produtores, o que dificulta padronização, acesso à tecnologia e ganho de produtividade em larga escala.
O plano de investimento e o que pode mudar até 2034
Existe um plano de expansão com investimento de cerca de R$ 1 bilhão até 2034 para ampliar o cultivo de cacau no Brasil.
Hoje, a produção da fazenda ainda representa uma pequena parte do total usado pela empresa, mas a expectativa é que essa participação cresça nos próximos anos com a expansão para milhares de hectares.
Se isso avançar como planejado, a Cacau Show pode deixar de ser vista apenas como fabricante de chocolate e passar a ser também uma das grandes produtoras de cacau do Brasil, sustentada por tecnologia, manejo e irrigação automatizada.
Cacau além do chocolate: mais aproveitamento do fruto
Outro ponto que ajuda a explicar a estratégia é a versatilidade do cacau. Além do chocolate, o fruto gera outros produtos, como mel de cacau para bebidas e doces, polpa para sucos, sorvetes e geleias, e até a casca pode ser aproveitada como adubo.
É uma cultura mais rica do que muita gente imagina, e dominar o processo do plantio ao produto final aumenta o valor de toda a cadeia.
E para você, o que mais chama atenção nesse projeto com irrigação automatizada: a produtividade até 6 vezes maior por planta ou a ideia de expandir o cultivo no Brasil até 2034?


Boa ideia com certeza essa Empresa já pensa no futuro com tecnologia avançada, vai ajudar muito nos conhecimentos da indústria do cacau, queria saber se ela se interessa em produores do norte do pais?
Isso estimula a monocultura, tão prejudicial ao meio ambiente. Acabando com o cultivo no sistema de cabruca, que é mais sustentável por utilizar e manter outras espécies arbóreas para sombreamento. Neste caso o que importa mais é a produtividade em curto prazo do que a sustentabilidade. Agora é ver até quando esse novo sistema se sustenta produtivo e como vemos nos sistemas monoculturais de cada vez mais dependente de insumos químicos. Isso é mais uma jogada desse sistema destrutivo do agro. Não respeitando os sistemas naturais da natureza.