Seca prolongada ameaça a produção francesa, pressiona as lavouras de beterraba e reforça a previsão de queda de 15% na safra de açúcar da União Europeia.
Uma seca prolongada ameaça a produção de açúcar na França, maior fabricante do produto na União Europeia, e amplia as preocupações sobre a oferta continental.
As principais regiões produtoras de beterraba sacarina não devem receber chuvas significativas durante as próximas duas semanas.
Produtores ouvidos pela agência Reuters em 1º de julho de 2026 afirmaram que a falta de água já compromete parte das plantações francesas.
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As incertezas sobre as safras europeias também contribuíram para uma valorização expressiva do açúcar branco no mercado internacional.
O preço do produto avançou quase 10% em uma semana e alcançou, na quarta-feira, o maior patamar em nove meses e meio.
Os preços haviam atingido anteriormente o menor nível em mais de cinco anos, devido à oferta abundante e à redução dos lucros das usinas.
Falta de chuva ameaça lavouras francesas
A água exerce um papel essencial no desenvolvimento da beterraba sacarina, principalmente durante as etapas decisivas do crescimento das plantas.
Franck Sander, presidente da Confederação Geral dos Produtores de Beterraba da França, a CGB, afirmou que a situação exige atenção imediata.
Segundo Sander, a ausência de chuva durante as próximas duas semanas poderá causar consequências catastróficas para a produção francesa.
A Météo-France não prevê precipitações nas planícies produtoras próximas de Paris e no norte do país até, pelo menos, 14 de julho de 2026.
As condições ainda apresentam diferenças entre as propriedades.
Algumas plantações já mostram folhas secas, enquanto outras lavouras continuam em condições consideradas melhores pelos produtores.
A Europa também enfrentou uma onda de calor recorde durante mais de uma semana.
O fenômeno provocou mortes excedentes, alterou atividades cotidianas e aumentou os riscos para diferentes culturas agrícolas.
As temperaturas poderão voltar a subir em países como França e Alemanha, ampliando a pressão sobre as lavouras.
Produção de açúcar da União Europeia pode cair 15%
A Comissão Europeia divulgou, em 26 de junho de 2026, uma nova projeção para a produção de açúcar durante a safra 2026/27.
O bloco deverá produzir 14,13 milhões de toneladas métricas, volume 15% inferior ao registrado na temporada 2025/26.
A queda está ligada principalmente à redução de 9% na área plantada e à diminuição de 6,5% na produtividade.
A França deverá registrar a maior perda de rendimento entre os principais produtores europeus.
A Alemanha e a Polônia também aparecem nas projeções com expectativa de redução na produtividade.
O consultor independente do setor açucareiro Michael McDougall afirmou que a seca francesa ainda permanece bastante grave.
Os baixos volumes de chuva deverão afetar o extremo oeste europeu por dez dias ou, possivelmente, durante duas semanas.
Pulgões aumentam preocupação com a safra
Os agricultores franceses também acompanham a propagação da doença do amarelecimento nas plantações de beterraba.
O problema ganhou força após intensas infestações de pulgões registradas no início da safra.
Esses insetos geralmente infectam as plantas durante a primavera, enquanto os sintomas aparecem principalmente no verão.
O vírus provocou graves prejuízos em 2020, após a União Europeia proibir determinados pesticidas neonicotinoides usados na proteção das lavouras.
A restrição foi adotada porque esses produtos poderiam causar danos às abelhas.
A França concedeu autorizações temporárias para o uso desses pesticidas durante 2021 e 2022.
As isenções foram posteriormente revogadas pelo Conselho de Estado francês, após uma decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia.
Parlamento francês discute nova autorização
O Parlamento francês debate atualmente uma nova isenção dentro de um projeto de lei agrícola mais abrangente.
A ministra da Agricultura afirmou que não se opõe à proposta.
A representante do governo considera, porém, mais adequado analisar a medida separadamente, reduzindo o risco de rejeição do projeto completo.
Uma decisão final é esperada ainda em julho de 2026.
Uma eventual autorização chegaria tarde demais para modificar a atual safra francesa.
A combinação entre seca, calor, pulgões e redução da área cultivada mantém a produção europeia de açúcar sob forte pressão.
Você acredita que a falta de chuvas poderá provocar uma nova alta nos preços do açúcar nos próximos meses? Deixe sua opinião!
