Estruturas gigantes de concreto foram levadas ao Atlântico para formar uma barreira marítima de quilômetros no litoral fluminense, em uma obra que envolveu aço, concreto, tecnologia flutuante e uma doca descrita como a maior do mundo em sua categoria.
O Brasil ergueu uma das estruturas marítimas mais imponentes da sua infraestrutura portuária ao instalar 42 caixões flutuantes de concreto no Atlântico, usados para formar parte do sistema de proteção do Porto do Açu, no litoral norte do Rio de Janeiro.
Para viabilizar essa barreira, o projeto utilizou a tecnologia da Kugira, descrita pela Acciona como a maior doca flutuante de caixões do mundo, e resultou em mais de 3,8 quilômetros de quebra-mar.
Desse total, 2,8 quilômetros foram construídos artificialmente com blocos de concreto, formando uma proteção marítima criada para reduzir a força das ondas e ampliar a segurança das operações portuárias em uma área exposta ao oceano.
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Estruturas pré-moldadas de grande porte foram colocadas no mar para compor diques capazes de proteger acessos portuários e criar condições operacionais para um complexo industrial voltado a cargas, energia e apoio logístico.
Segundo a Acciona, responsável pelas informações técnicas do projeto, o terminal foi o primeiro construído no Brasil com caixões pré-moldados de concreto aplicados a esse tipo de solução em infraestrutura portuária.
Porto do Açu recebeu caixões de concreto no Atlântico
A escala da construção aparece nos volumes informados pela empresa, que aponta o uso de 21 mil toneladas de aço, 350 mil metros cúbicos de concreto e 42 caixões flutuantes fabricados por meio da tecnologia da Kugira.
Mobilizada exclusivamente para o projeto, a doca permitiu produzir grandes peças de concreto que depois passaram a integrar a proteção marítima do porto, funcionando como módulos de uma barreira instalada no Atlântico.
Em São João da Barra, no norte fluminense, o Porto do Açu foi projetado para operar como um complexo industrial e portuário de grande porte, com atividades ligadas à logística marítima, energia e apoio a operações offshore.

A posição no litoral do Rio de Janeiro favorece a conexão com setores estratégicos, especialmente por estar próxima de áreas relevantes para exploração de petróleo e gás no país, além de rotas marítimas usadas por embarcações de grande porte.
Como os megacaixões formam uma barreira marítima
Entre os elementos mais visuais da engenharia estão os caixões de concreto, estruturas que funcionam como enormes módulos pré-moldados, produzidos em ambiente controlado e depois posicionados no mar para formar trechos dos diques.
Alinhados sobre a área prevista no projeto, esses blocos criam uma barreira física capaz de reduzir a ação das ondas e proteger a zona interna do porto, onde ocorrem atracação, circulação de embarcações e movimentação de cargas.
A tecnologia aplicada no Açu chama atenção por substituir parte de um modelo tradicional de construção de quebra-mares, normalmente baseado no uso intensivo de enrocamento, com grande volume de pedras para formar barreiras costeiras.
De acordo com a Acciona, a adoção dos caixões de concreto reduziu em 8,5 milhões de toneladas a necessidade de pedras no aterro rochoso, além de evitar a emissão de 100 toneladas de CO2 durante a construção.
Kugira foi usada como fábrica flutuante de caixões
Ponto central da operação, a Kugira funcionou como uma fábrica marítima preparada para produzir grandes caixões de concreto em sequência, permitindo que peças de grande volume fossem fabricadas próximas à área de instalação.
Em vez de depender apenas de estruturas feitas em terra e transportadas por longas distâncias, essa tecnologia permite montar os blocos em ambiente flutuante, o que ajuda a viabilizar obras portuárias de grande escala.
No Porto do Açu, a chegada da Kugira marcou a primeira utilização da tecnologia no Brasil, segundo a Acciona, que destaca a doca como peça essencial para a produção dos caixões usados nos diques.
Com essa estrutura, foi possível construir 2,8 quilômetros de diques artificiais feitos com caixões de concreto, combinando produção flutuante, concreto armado e instalação marítima em uma obra de engenharia portuária de grande complexidade.
Dique de mais de 3,8 km protege o terminal

A principal função dos diques é proteger o terminal contra a força do mar, especialmente em uma região exposta ao oceano aberto, onde ondas e condições marítimas podem afetar diretamente a operação portuária.
Em portos desse tipo, uma barreira marítima reduz a energia das ondas antes que elas atinjam as áreas internas, criando um ambiente mais controlado para manobras, atracação e movimentação de cargas.
No Açu, os caixões ajudam a formar uma linha de defesa que separa a área portuária das condições mais severas do Atlântico, permitindo que o complexo opere com maior estabilidade dentro da proteção criada.
Essa estrutura também mostra como portos modernos dependem de obras cada vez maiores para atender embarcações, terminais especializados e cadeias industriais conectadas ao comércio global, especialmente em áreas ligadas à energia e à logística.
Mais do que uma proteção física, um quebra-mar com mais de 3,8 quilômetros redefine o ambiente marítimo ao redor do porto e cria uma zona preparada para operações que exigem estabilidade, profundidade e acesso seguro.
Engenharia portuária avançou no litoral fluminense
A Acciona informa que sua área de engenharia desenvolveu o projeto básico, o projeto de construção e a assistência técnica durante a execução, reforçando o papel da empresa nas etapas centrais da obra.
A companhia classifica o uso dos caixões como uma iniciativa pioneira na América Latina para a construção de quebra-mares voltados aos acessos do estaleiro e do terminal no Porto do Açu.
Embora o complexo seja conhecido por sua escala industrial, parte da engenharia mais impressionante está escondida sob a linha d’água, onde os caixões exercem função semelhante à de uma muralha submersa.
Os 42 caixões não aparecem como prédios na paisagem urbana, mas foram instalados para conter a força do oceano e permitir que a operação portuária avance em uma área de mar aberto.
O uso de concreto em módulos flutuantes também evidencia a diferença entre obras terrestres e marítimas, já que, no mar, cada etapa depende de estabilidade, flutuação, posicionamento, profundidade e controle das condições oceânicas.
No litoral fluminense, essa solução permitiu criar uma proteção marítima formada por peças gigantescas e por um sistema de diques de quilômetros de extensão, combinando aço, concreto e tecnologia flutuante.
A área exposta ao Atlântico passou a contar com uma estrutura preparada para receber operações portuárias de grande porte, apoiada em caixões pré-moldados produzidos em doca especializada e integrados ao desenho final do porto.
O projeto do Açu reforça o uso de estruturas pré-moldadas cada vez maiores em obras costeiras e portuárias, substituindo parte da construção baseada apenas em rochas por caixões de concreto instalados no mar.
Quantas outras estruturas gigantes continuam escondidas no fundo do mar sustentando portos, terminais e rotas de comércio sem que a maioria das pessoas saiba?
