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Cientistas criaram um gêmeo digital colossal para prever tsunamis em tempo real, uma simulação de 55,5 trilhões de incógnitas rodada em 43.520 GPUs que reduziu 50 anos de cálculo para 0,2 segundo e pode mudar a defesa de cidades costeiras

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 09/07/2026 às 20:31 Atualizado em 09/07/2026 às 21:00
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Tecnologia da Universidade do Texas em Austin combina sensores oceânicos, modelos físicos e supercomputação extrema para acelerar alertas de tsunami, aproximando cálculos gigantescos de respostas quase instantâneas em regiões costeiras vulneráveis.

Cientistas liderados pela Universidade do Texas em Austin criaram um gêmeo digital de escala extrema capaz de prever a propagação de tsunamis em tempo real, combinando sensores no fundo do mar, modelos físicos avançados e supercomputação de alto desempenho para antecipar ondas geradas por terremotos submarinos.

Para enfrentar um dos maiores desafios dos alertas costeiros, o sistema transforma sinais captados no oceano em previsões úteis antes que a onda chegue à terra, reduzindo drasticamente o intervalo entre a detecção de um evento submarino e a resposta operacional.

Segundo a Universidade do Texas em Austin, uma tarefa que poderia exigir 50 anos de tempo de supercomputação foi reduzida a uma resposta em fração de segundo, com tempo de solução de 0,2 segundo em uma das etapas centrais do processo.

Gêmeo digital usa sensores no fundo do mar para prever tsunamis

Na prática, a tecnologia funciona como uma cópia virtual de um fenômeno físico real, capaz de representar o comportamento do oceano após um terremoto submarino e estimar como a energia liberada no fundo do mar pode se transformar em tsunami.

Em vez de depender apenas de leituras sísmicas tradicionais, o gêmeo digital usa dados de pressão obtidos no fundo do mar e equações físicas tridimensionais para inferir como o leito oceânico se moveu após a ruptura.

A partir dessa reconstrução, a plataforma simula a formação e o avanço do tsunami em direção às áreas costeiras, permitindo que o comportamento da onda seja analisado antes de sua chegada a pontos vulneráveis da costa.

Reconhecida com o ACM Gordon Bell Prize, uma das principais premiações internacionais da supercomputação, a pesquisa demonstrou avanços relevantes em computação de alto desempenho aplicada à ciência, engenharia e análise de dados em grande escala.

À frente do projeto está Omar Ghattas, professor de engenharia mecânica e pesquisador do Oden Institute for Computational Engineering and Sciences, da Universidade do Texas em Austin, que liderou a equipe responsável pela estrutura computacional.

Simulação colossal atingiu 55,5 trilhões de incógnitas

O tamanho do experimento ajuda a dimensionar a complexidade do trabalho, mesmo para quem não acompanha o campo da supercomputação, já que a equipe executou uma simulação de elementos finitos com 55,5 trilhões de incógnitas.

De acordo com a universidade, esse cálculo foi rodado em 43.520 GPUs no supercomputador El Capitan, do Lawrence Livermore National Laboratory, com apoio de outros sistemas de alto desempenho, incluindo Perlmutter, Alps e Frontera.

Como aplicação principal, os pesquisadores escolheram a zona de subducção de Cascadia, uma região sísmica que se estende do norte da Califórnia até a Colúmbia Britânica, no Canadá, monitorada por seu potencial de gerar grandes terremotos e tsunamis.

Nessa faixa do noroeste do Pacífico, o tempo de resposta é um fator crítico para comunidades costeiras, pois eventos próximos à costa podem deixar poucos minutos entre o tremor submarino e a chegada das primeiras ondas.

A Universidade do Texas em Austin afirma que tsunamis desse tipo podem atingir a costa em até 15 minutos após um terremoto, tornando insuficiente qualquer sistema que demore demais para transformar dados brutos em orientação operacional.

Supercomputador El Capitan acelera alerta costeiro em tempo real

O diferencial do gêmeo digital está na combinação entre cálculo antecipado e resposta em tempo real, uma arquitetura que separa a preparação matemática mais pesada da etapa emergencial que precisa funcionar enquanto a ameaça ainda está no oceano.

Antes de qualquer emergência, a parte offline prepara representações matemáticas capazes de acelerar a análise, enquanto a fase online usa dados captados por sensores para produzir previsões probabilísticas em menos de um segundo quando um terremoto ocorre.

Essa divisão permite unir duas exigências difíceis de conciliar: alta fidelidade física e velocidade, já que modelos detalhados costumam exigir grande poder computacional, enquanto alertas emergenciais precisam ser emitidos quase imediatamente.

Ao aproximar esses dois mundos, o projeto coloca a supercomputação extrema a serviço de uma decisão operacional que depende de segundos, especialmente em áreas onde a evacuação precisa começar antes que a onda se aproxime da costa.

Também foi incorporada à estrutura a chamada inferência bayesiana, método estatístico usado para atualizar estimativas conforme novas informações são recebidas e para lidar com incertezas naturais em eventos complexos como tsunamis.

No caso do tsunami, esse método interpreta sinais de pressão no fundo do mar para estimar o deslocamento do assoalho oceânico e calcular, com incertezas quantificadas, a altura esperada das ondas em pontos específicos da costa.

Tecnologia promete previsões probabilísticas em menos de um segundo

A Universidade do Texas em Austin afirma que o avanço representa uma aceleração de 10 bilhões de vezes em relação a métodos considerados estado da arte, marca associada ao uso de novos algoritmos projetados para GPUs.

Entre os resultados técnicos destacados pela instituição está a solução de um problema inverso bayesiano com 1 bilhão de parâmetros em 0,2 segundo, desempenho que permitiu aproximar cálculos científicos extremamente complexos de uma aplicação de alerta rápido.

Participaram do projeto pesquisadores da Universidade do Texas em Austin, da Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia em San Diego e do Lawrence Livermore National Laboratory, reunindo especialistas em oceanografia, modelagem física e supercomputação.

Entre os nomes citados pela universidade estão Stefan Henneking, Sreeram Venkat, Milinda Fernando, Alice-Agnes Gabriel, Veselin Dobrev, John Camier, Tzanio Kolev e Omar Ghattas, que assinam a pesquisa premiada.

A proposta vai além de reproduzir a água avançando sobre o oceano, pois o sistema começa no mecanismo que dá origem ao tsunami, relacionando ruptura sísmica, movimento do fundo do mar e propagação da onda.

Essa cadeia física é importante porque pequenas diferenças no deslocamento inicial podem alterar a altura, a direção e o tempo de chegada das ondas, afetando diretamente a forma como áreas costeiras se preparam para o impacto.

Cidades costeiras podem ganhar mais tempo antes da chegada das ondas

Para autoridades de emergência, previsões mais rápidas e detalhadas podem ajudar na orientação de evacuações, no posicionamento de equipes de resposta e na redução de incertezas em regiões vulneráveis, especialmente quando a margem de reação é curta.

A universidade afirma que a estrutura foi criada para fornecer alertas acionáveis antes da chegada do tsunami, com previsões de altura de onda e margens de incerteza em locais definidos da costa.

O uso do El Capitan mostra como supercomputadores, normalmente associados a pesquisas de física, segurança nacional ou modelagem climática, também podem ser aplicados a problemas diretamente ligados à proteção de populações em áreas costeiras.

Nesse caso, milhares de GPUs foram usadas para resolver um problema oceânico em escala inédita, transformando cálculos quase impraticáveis em uma ferramenta de resposta rápida para eventos que se desenvolvem em poucos minutos.

Segundo a Universidade do Texas em Austin, extensões da estrutura de gêmeo digital podem servir a sistemas preditivos de alerta em outros riscos, incluindo incêndios florestais, tempo severo, dispersão de contaminantes e detecção de ameaças.

A base comum dessas aplicações está na capacidade de cruzar sensores, física e computação para representar um evento em andamento antes que seus efeitos se espalhem, oferecendo uma leitura mais rápida de fenômenos complexos.

No caso dos tsunamis, o impacto potencial é especialmente sensível porque a janela de reação pode ser curta e a ameaça atravessa fronteiras, atingindo portos, cidades litorâneas, áreas industriais e rotas de evacuação.

Ao unir sensores oceânicos, modelos físicos completos e processamento extremo, o gêmeo digital desenvolvido pela equipe liderada pela Universidade do Texas em Austin coloca a previsão de tsunamis em uma nova escala computacional.

Se um sistema consegue transformar o movimento invisível do fundo do mar em alerta quase instantâneo, quanto tempo as cidades costeiras ainda terão para se preparar antes da próxima grande onda?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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