Selecionadas para a fase final de negociação, BYD e Geely disputam a aquisição da fábrica COMPAS, no México, unidade criada em 2017 com investimento de US$ 1 bilhão e capacidade para 230 mil veículos por ano, em meio à revisão do USMCA e a tensões comerciais com os Estados Unidos
A BYD e a Geely estão entre as finalistas para adquirir a fábrica COMPAS, no México, investimento de US$ 1 bilhão com capacidade de 230 mil veículos por ano, em meio à revisão do USMCA e a tensões comerciais com os Estados Unidos.
BYD e Geely disputam ativo estratégico com capacidade de 230 mil unidades anuais
O objetivo das principais marcas chinesas é expandir seus horizontes, mesmo com o bloqueio de acesso aos Estados Unidos. Foi confirmado que BYD e Geely estão entre as finalistas para a aquisição da COMPAS, Fábrica Cooperativa de Aguascalientes.
A unidade foi criada a partir de uma aliança entre Nissan e Mercedes-Benz iniciada em 2017, com investimento de US$ 1 bilhão. Agora, representa o ponto de entrada definitivo da gigante asiática na região.
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Inicialmente, nove empresas manifestaram interesse na compra da fábrica, incluindo Chery e Great Wall Motor. No entanto, BYD, Geely e a vietnamita VinFast avançaram para a fase final de negociações.
As montadoras chinesas já vendem mais de 4 milhões de veículos por ano, números comparáveis aos da Ford. A aquisição de uma planta com capacidade anual de 230 mil unidades é vista como jogada estratégica para consolidar presença no continente.
Saída de Nissan e Mercedes abre espaço para reconfiguração industrial
A disponibilidade da COMPAS decorre de reconfiguração nas estratégias globais de seus proprietários. A Mercedes-Benz transferirá a produção do modelo GLB para a Hungria, buscando evitar a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a veículos fabricados no México a partir de março de 2025.
A Nissan enfrenta período de contração estratégica global devido a baixas vendas. A montadora japonesa encerrará as atividades dessa unidade e de outra fábrica na Cidade do México em maio de 2026.
Essa retirada libera uma das instalações mais modernas do México. O movimento ocorre no momento em que marcas chinesas experimentam crescimento explosivo no mercado local.
Revisão do USMCA e cautela do governo mexicano elevam tensão política
A aquisição ocorre em meio a tensões políticas. O governo mexicano solicitou cautela e ritmo mais lento no processo de venda, previsto para ser finalizado em maio deste ano.
O principal motivo é a próxima revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá, agendada para julho de 2026. A BYD já apresentou queixa contra o governo Trump devido às políticas tarifárias.
Autoridades americanas temem que fábricas chinesas no México funcionem como porta dos fundos para entrada de veículos chineses no mercado dos EUA, aproveitando vantagens tarifárias do acordo comercial.
Dependência das exportações e impacto no emprego ampliam sensibilidade do caso
Em 2024, o México produziu 4 milhões de veículos, dos quais 2,8 milhões foram exportados para os Estados Unidos. O dado evidencia dependência comercial agora ameaçada por novas políticas tarifárias.
No último ano, o setor registrou perda aproximada de 60 mil empregos. Esse cenário amplia a sensibilidade em torno da possível entrada de BYD e Geely na planta.
A fábrica da COMPAS é considerada ativo tecnológico de alto valor. A área já abrigou produção de veículos premium e oferece infraestrutura pronta para operação imediata.
Para a BYD, a aquisição surge após atrasos burocráticos enfrentados em projeto de construção de fábrica do zero no México. Para a Geely, representa oportunidade de dobrar imediatamente sua capacidade operacional na região.
O desfecho das negociações ocorre em meio a pressões comerciais e estratégicas, transformando a venda da COMPAS em ponto central da disputa industrial no continente, com impactos que podem redefinir o eqiulíbrio produtivo regional.

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