Sistema desenvolvido na Austrália transfere baterias de 200, 400 ou 600 kWh para o reboque, oferece até 295 kW de assistência elétrica, reduz em até 50% o consumo de diesel e pode economizar até 125.000 litros por caminhão ao ano sem alterar rotas ou substituir o cavalo mecânico
Uma empresa australiana desenvolveu um reboque motorizado com baterias de até 600 kWh capaz de reduzir em até 50% o consumo de diesel e economizar até 125.000 litros por caminhão ao ano, sem exigir a troca do caminhão trator.
Reboques elétricos para reduzir o consumo de diesel sem trocar o caminhão
A eletrificação do transporte pesado enfrenta há anos obstáculos relacionados ao alto custo e peso dos caminhões elétricos, além da dificuldade de integração em frotas que operam com margens apertadas.
Diante desse cenário, a VE Motion optou por uma estratégia diferente. A empresa desenvolveu um sistema de reboque motorizado com baterias integradas que transfere parte da carga de trabalho do motor a diesel para o próprio reboque.
-
A cada 30 minutos, um carro voador sai: fábrica gigante de 120 mil m² na China já começou a produzir veículo de seis rodas com aeronave elétrica na traseira
-
Ferrari vê mais de US$ 4 bilhões evaporarem após revelar seu primeiro carro 100% elétrico de US$ 640 mil com investidores questionando se o Luce ainda parece uma Ferrari
-
GAC lança “Kombi híbrida chinesa” com 7 lugares mais barata que Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid no Brasil; por cerca de R$ 177 mil na conversão sem impostos, Trumpchi E8 PHEV tem motor 2.0, câmbio DHT, autonomia elétrica de 150 km e cabine familiar premium para quem vive na China
-
Suzuki vende “jipinho 4×4 familiar” com 5 portas, motor 1.5, chassi de longarinas, tração 4×4 com reduzida e preço equivalente a cerca de R$ 77.000 sem impostos, abaixo do Jeep Renegade vendido no Brasil: conheça o Jimny 5-Door na Índia
O resultado é a redução do consumo de diesel, menos emissões e maior eficiência, sem a necessidade de substituir o caminhão trator ou redesenhar rotas e horários.
A proposta desloca o peso e o custo adicionais para o reboque, um componente mais flexível dentro do ecossistema logístico, mantendo as frotas existentes em operação.
Assistência elétrica, frenagem regenerativa e operação híbrida distribuída
O sistema fornece assistência de tração elétrica, frenagem regenerativa e energia para equipamentos auxiliares como sistemas de refrigeração, bombas e ventiladores.
Na prática, o reboque atua como um híbrido plug in distribuído, auxiliando o motor a diesel em períodos de pico de demanda e contribuindo para diminuir o consumo de diesel em operações interurbanas.
Não há dependência total da bateria. Caso a carga se esgote, o conjunto continua operando no modo convencional. Sem paralisações inesperadas ou caminhões imobilizados.
Essa lógica se encaixa no transporte entre grandes centros, onde há tempo de parada para recarga e onde muitas frotas já dispõem de instalações de energia solar ou contratos competitivos de eletricidade.
Desenvolvimento industrial e integração com fabricantes de reboques
O sistema foi projetado e testado na Austrália, com investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento desde 2018 e fabricação em Murray Bridge.
Não se trata de um protótipo de laboratório. O equipamento já opera em estradas reais, com testes em andamento junto a operadores logísticos na Austrália e na Nova Zelândia.
Em vez de comercializar diretamente para milhares de transportadoras, a empresa busca se posicionar como fornecedora de tecnologia para fabricantes de reboques.
Cerca de 10.000 reboques pesados são fabricados anualmente somente na Austrália, o que amplia o potencial de adoção da solução.
Componentes técnicos: eixo elétrico, baterias LFP e carregamento flexível
A arquitetura do sistema se baseia em três blocos principais integrados a componentes já conhecidos pelo setor.
O primeiro é o eixo elétrico motorizado, com unidade de acionamento integrada que combina motor, inversor e transmissão. Ele oferece aproximadamente 295 kW de potência elétrica, equivalente a cerca de 400 cv de assistência, e suporta até 10 toneladas por eixo.
O segundo bloco são as baterias modulares de alta capacidade. Os pacotes podem ter 200, 400 ou 600 kWh e são montados entre as longarinas do chassi do reboque.
As baterias utilizam tecnologia LFP, fosfato de ferro lítio, reconhecida por estabilidade térmica e longa vida útil. Cada configuração permite redução no consumo de diesel em aproximadamente 200, 400 ou 600 km, respectivamente.
O terceiro bloco é o sistema de carregamento flexível. Ele inclui carregamento rápido em corrente contínua via CCS2, com potência entre 120 e 180 kW, além de carregamento trifásico em corrente alternada de até 22 kW.
Essa combinação reduz custos de infraestrutura e facilita a adoção gradual. O sistema também está preparado para V2L e V2G, abrindo caminho para usos energéticos futuros do reboque.
Economia de combustível, emissões e efeitos operacionais
Segundo estimativas do fabricante, o sistema permite reduzir em até 50% o consumo de diesel.
Isso representa economia anual de combustível entre € 50.000 e € 200.000 por veículo, além de até 125.000 litros de diesel poupados por caminhão ao ano.
Em termos ambientais, a redução varia entre 80 e 300 toneladas de CO₂ por caminhão por ano, conforme a aplicação.
Há ainda benefícios indiretos. A menor carga sobre o motor resulta em menos desgaste de componentes como freios e retardadores, além de redução de ruído durante a condução.
Em veículos longos ou bitrens, há melhorias na aceleração, na capacidade de arranque e na subida de aclives, com impacto direto na segurança e no fluxo de tráfego.
A proposta se apresenta como uma transição energética gradual, priorizando onde é mais fácil, rápido e barato eletrificar.
Entre os pontos destacados estão a descarbonização progressiva do transporte pesado, integração com autoconsumo de energia solar em bases logísticas, redução imediata de emissões em rotas repetitivas e previsíveis e uso futuro do reboque como ativo energético móvel.
A solução não substitui integralmente o modelo atual, mas oferece uma alternativa prática para reduzir o consumo de diesel nas frotas existentes, mantendo operações e rotas já consolidadas.

Na Austrália podemos confiar. Parabéns Austrália.