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‘BYD’ das máquinas agrícolas no Brasil: gigante chinesa com 6 anos no agro mira liderança enfrentando John Deere, AGCO e CNH

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 01/05/2026 às 14:15
Atualizado em 01/05/2026 às 14:47
Gigante chinesa CRCHI estreia no Brasil, envia colheitadeira ao Mato Grosso e mira disputar mercado com líderes do agro.
Gigante chinesa CRCHI estreia no Brasil, envia colheitadeira ao Mato Grosso e mira disputar mercado com líderes do agro.
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Gigante chinesa acelera entrada no agro brasileiro com estratégia gradual, foco em tecnologia e primeiros envios ao Mato Grosso, enquanto observa concorrentes consolidadas e prepara estrutura local de pós-venda para disputar espaço em um dos maiores mercados agrícolas do mundo.

A fabricante chinesa China Railway Construction Heavy Industry Corporation (CRCHI) iniciou uma ofensiva no mercado brasileiro de máquinas agrícolas ao estrear na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), e já enviar ao país uma colheitadeira de algodão acompanhada de uma unidade de beneficiamento para operação no Mato Grosso.

A movimentação sinaliza a prioridade estratégica da companhia, que busca estruturar presença local e disputar espaço com líderes consolidadas do setor.

Durante a feira, realizada no fim de abril, o diretor de marketing da empresa, Shuai Li, acompanhou de perto o funcionamento e o posicionamento de concorrentes globais, em especial os equipamentos expostos por grandes fabricantes já estabelecidas no Brasil.

A participação não teve caráter apenas institucional, mas refletiu uma etapa inicial de reconhecimento de mercado e construção de estratégia comercial no país.

Segundo o executivo, o plano da companhia envolve mais do que a simples exportação de equipamentos, incluindo a criação de uma rede estruturada de pós-venda e distribuição de peças em território nacional.

A intenção é reduzir barreiras de entrada, aumentar a confiabilidade da marca e atender às exigências do mercado brasileiro, conhecido pela alta demanda por suporte técnico e disponibilidade operacional.

A escolha do Brasil como foco imediato não ocorre por acaso, já que o país figura entre os maiores produtores agrícolas do mundo e possui uma frota relevante de máquinas em operação.

Na avaliação de Li, esse cenário cria oportunidades tanto para introdução de novas tecnologias quanto para a ampliação da concorrência entre fornecedores globais e regionais.

Mercado de máquinas agrícolas no Brasil e domínio das multinacionais

O setor brasileiro de máquinas agrícolas é historicamente dominado por multinacionais como John Deere, AGCO e CNH Industrial, empresas que consolidaram presença ao longo de décadas com redes robustas de distribuição e assistência técnica.

Além delas, fabricantes nacionais como Jacto e Stara também ocupam posições relevantes, especialmente em nichos específicos e soluções adaptadas às condições locais.

Mesmo com esse ambiente competitivo, a CRCHI avalia que ainda há lacunas tecnológicas e operacionais que podem ser exploradas por novos participantes.

Na visão da empresa, o nível de mecanização no Brasil é elevado, mas ainda existe espaço para evolução em eficiência, automação e integração de sistemas produtivos.

Ao comentar a estratégia de posicionamento, Shuai Li afirmou que a companhia pretende seguir um caminho semelhante ao de outras empresas chinesas que ganharam relevância global em setores industriais.

Ele citou como referência o modelo de crescimento da BYD, sugerindo que a CRCHI busca construir trajetória semelhante dentro do segmento de máquinas agrícolas.

Primeiros equipamentos enviados ao Mato Grosso

A entrada prática no mercado brasileiro começou com o envio de uma colheitadeira de algodão e uma unidade de beneficiamento para uma empresa localizada no Mato Grosso, estado que concentra uma das maiores produções da fibra no país.

A iniciativa marca o início das operações comerciais e serve como base para testes de adaptação tecnológica às condições locais.

Esse primeiro movimento também permite à companhia coletar dados operacionais em campo, avaliar desempenho dos equipamentos e ajustar estratégias antes de uma expansão mais ampla.

A experiência direta em fazendas brasileiras é considerada essencial para calibrar produtos diante das particularidades do clima, solo e escala produtiva do país.

Além disso, a empresa pretende ampliar o volume de exportações nos próximos ciclos, utilizando a operação inicial como vitrine para novos clientes e parceiros.

A construção gradual de presença busca reduzir riscos e aumentar a aceitação da marca em um mercado tradicionalmente conservador na adoção de novos fornecedores.

Produção local e transferência de tecnologia no radar

Outro ponto destacado pela companhia é a possibilidade de produção local no médio prazo, caso a operação comercial avance conforme o planejado.

A iniciativa estaria alinhada à estratégia de fortalecer a presença no Brasil e ampliar competitividade frente a rivais globais.

De acordo com Li, a empresa acredita que pode colaborar com a evolução tecnológica da agricultura brasileira, seja por meio da introdução de novos equipamentos, seja pela adaptação de soluções já utilizadas em outros mercados.

A proposta envolve não apenas venda de máquinas, mas também transferência de conhecimento técnico e desenvolvimento de serviços associados.

Essa abordagem segue uma tendência observada em outras indústrias, nas quais empresas estrangeiras combinam exportação inicial com posterior nacionalização parcial da produção.

Concorrência exige estrutura, tecnologia e confiança

A disputa por espaço no Brasil exige não apenas preço competitivo, mas também confiabilidade operacional, suporte técnico eficiente e integração com as necessidades do produtor rural.

Nesse cenário, a construção de reputação tende a ser um dos principais desafios para novos entrantes, especialmente diante da fidelidade de clientes às marcas já consolidadas.

A CRCHI aposta em uma combinação de tecnologia, estrutura de atendimento e estratégia gradual de expansão para conquistar participação de mercado.

A presença na Agrishow representa apenas o primeiro passo de um plano mais amplo, que inclui investimentos em relacionamento com clientes, adaptação de produtos e desenvolvimento de canais locais.

A movimentação da companhia ocorre em um momento de transformação no setor agrícola, marcado pela crescente digitalização, automação e busca por eficiência produtiva.

Esse contexto pode favorecer a entrada de novos players, desde que consigam atender às demandas específicas de um mercado altamente técnico e competitivo.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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