1. Início
  2. Energia Renovável
  3. Startup do MIT testa em Houston broca a maser de ondas milimétricas que promete furar 20 km de rocha, três vezes mais fundo que Kola
Faça um comentário 6 min de leitura

Startup do MIT testa em Houston broca a maser de ondas milimétricas que promete furar 20 km de rocha, três vezes mais fundo que Kola

Imagem de perfil do autor Douglas Avila
Escrito por Douglas Avila Publicado em 17/05/2026 às 11:45 Atualizado em 17/05/2026 às 11:49
Sonda da Quaise Energy com broca de ondas milimétricas em campo de testes em Houston Texas
Sonda de testes da Quaise em Houston: a empresa quer ultrapassar o recorde Soviete de profundidade. Imagem: representação editorial.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

No campo de testes da Nabors em Houston, a startup Quaise aciona um gyrotron de 100 kW que dispara ondas milimétricas para vaporizar granito e mira em poços de 20 km de profundidade, três vezes mais fundo que o recorde Soviete de Kola, alcançado em 22 anos.

Em Houston, no Texas, a startup Quaise Energy levou ao campo da Nabors um equipamento inédito no setor de óleo e gás. A broca quaise ondas milimetricas dispara micro-ondas concentradas para vaporizar a rocha.

Segundo o portal New Atlas em reportagem ao headquarter, a demonstração marcou a passagem do laboratório para sonda em escala real. Antes disso, operava apenas em bancada.

O método é simples na ideia, complexo na engenharia. Um gyrotron de 100 kW emite ondas milimétricas guiadas por um tubo metálico chamado waveguide, que conduz a energia até o fundo do poço.

Lá, o feixe esquenta a rocha até derretê-la e vaporizá-la, em vez de triturá-la com brocas convencionais. A profundidade pretendida atinge 20 quilômetros, mais do que qualquer broca humana já alcançou.

Para o setor de petróleo e gás, o método pode reescrever a economia da perfuração profunda. Para o setor elétrico, abre caminho para usinas geotérmicas onde antes elas eram inviáveis.

Como funciona a broca quaise ondas milimetricas

Gyrotron de cobre em laboratório do MIT usado pela broca quaise ondas milimetricas na perfuração geotérmica
Gyrotron de 100 kW: dispositivo originalmente desenvolvido para fusão nuclear vira broca eletromagnética. Imagem: representação editorial.

O gyrotron é um tipo de tubo de vácuo. Ele gera ondas eletromagnéticas em frequências muito altas, na faixa de dezenas a centenas de gigahertz.

Originalmente, ele foi desenvolvido para aquecer plasmas em reatores experimentais de fusão nuclear. De acordo com o Plasma Science and Fusion Center do MIT, o departamento liderou a adaptação para uso em perfuração.

A Quaise foi criada justamente como spin-off do MIT em 2018. O cofundador Paul Woskov, engenheiro pesquisador do PSFC, descobriu que ondas milimétricas podem cortar granito com eficiência alta.

Na prática, o waveguide é um cano metálico de paredes finas. Ele conduz a onda como uma fibra óptica conduz luz, mas em frequência muito mais baixa.

Por isso, não há contato físico entre fonte e rocha. O resultado é um furo de paredes lisas e vitrificadas, sem fragmentos a serem retirados.

O marco da broca quaise ondas milimetricas em 2025

Cilindro de granito cortado mostrando furo vitrificado deixado pela broca quaise ondas milimetricas
Granito vitrificado: o furo de paredes lisas é a assinatura do método milimétrico. Imagem: representação editorial.

Em maio de 2025, a Quaise levou o equipamento ao campo de testes em Houston. Segundo o portal Energy Global, a demonstração aprofundou furo em bloco de granito diante de executivos.

Em seguida, no segundo semestre de 2025, a empresa migrou os testes para Marble Falls, também no Texas. Lá, atingiu 118 metros de profundidade em granito.

De acordo com a Quaise, esse foi o recorde mundial de perfuração exclusivamente com ondas milimétricas. Conforme detalhou a página oficial da empresa, o marco abriu caminho para o próximo passo comercial.

Em paralelo, a empresa fechou em fevereiro de 2026 uma rodada de captação focada em escalonar a infraestrutura. Posteriormente, anunciou contrato com fornecedor de gyrotrons de maior potência.

Por sua vez, o investidor SOSV destacou que o teste em campo era pré-requisito para destravar capital de fase seguinte. Da mesma forma, a Nabors enxergou potencial de reaproveitar plataformas de petróleo.

O Project Obsidian no Oregon

Paisagem vulcânica de Newberry no Oregon escolhida para o Project Obsidian da Quaise e sua broca de ondas milimetricas
Paisagem vulcânica de Newberry, Oregon: a Quaise planeja a primeira usina superhot geothermal do mundo na região. Imagem: representação editorial.

Em 22 de abril de 2026, a Quaise vinculou publicamente sua tecnologia a um projeto comercial. O batismo é Project Obsidian, em área próxima ao vulcão Newberry, no centro do Oregon.

Segundo a empresa em sua página oficial, a fase 1 deve atingir 50 MW de capacidade firme. Trata-se de geração renovável de base, capaz de operar 24 horas por dia.

De acordo com Daniel W. Dichter, engenheiro sênior da Quaise, em apresentação no Stanford Geothermal Workshop, a fase 1 combina dois sistemas de poços a 315 °C e 365 °C, a 5 km.

Em comparação, a maior parte das usinas geotérmicas comerciais atuais opera com rochas abaixo de 250 °C. A diferença em temperatura significa muito mais energia útil por poço perfurado.

Por isso, segundo a Agência Internacional de Energia em relatório de março, a chamada superhot rock geothermal pode gerar cinco a dez vezes mais energia por poço.

O fantasma do recorde Kola

Tampa enferrujada do poço Kola Superdeep na Rússia, recorde de profundidade humana que a broca quaise ondas milimetricas mira superar
Tampa do poço Kola Superdeep: 12.262 metros perfurados em 22 anos, recorde humano que a Quaise quer destronar. Imagem: representação editorial.

O recorde absoluto de profundidade humana pertence ao poço Kola Superdeep. Foi escavado pelos soviéticos no noroeste da União Soviética, ao longo de 22 anos.

Em 1989, a operação atingiu 12.262 metros, antes de parar por causa de temperaturas acima de 180 °C. As brocas de aço amoleciam no fundo do poço.

Conforme já documentou o Click Petróleo e Gás em cobertura sobre depósitos minerais em supervulcões extintos, ambientes geológicos profundos guardam recursos energéticos significativos. Mas chegar lá é o desafio.

A Quaise mira 20 quilômetros de profundidade. Isso representa quase o dobro do feito Soviete em pouco mais de uma década de testes.

Na prática, a vantagem da broca quaise ondas milimetricas vem da física. Como não há contato mecânico, calor extremo não corrói a ponta de perfuração.

Em comparação, brocas convencionais com diamantes industriais paralisam acima de 200 °C. As de tungstênio cedem antes ainda.

A oportunidade para o Brasil

O Brasil aprovou em fevereiro de 2026 a criação do Programa Nacional de Energia Geotérmica. A iniciativa abre caminho para projetos pioneiros em regiões com gradiente térmico elevado.

Em comparação com o Oregon, áreas de Rondônia e do Espírito Santo apresentam potencial inicial. Apesar disso, a maior parte do território brasileiro tem rocha menos quente que o Pacific Northwest.

Por outro lado, a Quaise menciona o aproveitamento de plataformas de petróleo desativadas. Conforme documentou o CPG em cobertura sobre o Delta do Nilo, o setor de O&G acumula infraestrutura ociosa.

Da mesma forma, postos de poços maduros no pré-sal poderiam servir como base de testes. Naquele momento, decisões de cadeia de suprimentos definiriam onde a Quaise instalaria filiais.

Ressalvas técnicas e regulatórias

Apesar do otimismo, há ressalvas concretas. Conforme alertou o portal Geomechanics em maio de 2026, riscos subsuperficiais de superhot geothermal incluem sismicidade induzida.

Da mesma forma, a integridade do waveguide a profundidades extremas ainda precisa ser provada. Em comparação com cabos sísmicos, a duração dos materiais é menos testada.

Por isso, especialistas ouvidos pela Euronews em 11 de maio destacaram que o cronograma de 2030 é ambicioso. Mesmo assim, baseia-se em marcos publicados pela empresa.

Ainda assim, o Congresso americano discute o Next Generation Geothermal Research and Development Act. A norma deve incluir financiamento federal específico para superhot rock geothermal.

Próximos marcos

Em seguida, a Quaise deve subir a potência do gyrotron empregado em campo. A meta é passar de 100 kW para 1 MW na próxima geração de equipamentos.

Posteriormente, ela pretende abrir frente de perfuração no Oregon em 2027. Naquele momento, o cronograma de geração elétrica em 2030 deixa de ser hipotético.

Por enquanto, a empresa segue testando waveguides em granito brasileiro e norueguês como parte da campanha técnica. Conforme reportou o portal Euronews, isso é importante para validar diferentes tipos de rocha.

  • Potência atual do gyrotron Quaise: 100 kW
  • Recorde alcançado em Marble Falls: 118 metros em granito
  • Profundidade pretendida: até 20 km
  • Recorde humano atual (Kola, Rússia): 12.262 metros em 22 anos
  • Project Obsidian, Oregon: 50 MW firmes até 2030
  • Origem: spin-off do MIT em 2018
  • Parceiro de testes em Houston: Nabors Industries

Ressalvas finais sobre a tecnologia

De acordo com pesquisadores ouvidos pelo MIT News em março, ainda há incertezas sobre o regime térmico em profundidade extrema. Apesar disso, modelos numéricos sugerem viabilidade industrial.

Conforme o relatório da McKinsey de 2026, geotermia ainda é nicho na matriz americana, com menos de 0,5% do mix. Contudo, o setor pode escalar rápido se o custo por MW se aproximar do solar.

Por fim, fica a pergunta: se a broca quaise ondas milimetricas entregar de fato 20 km de profundidade nesta década, o Brasil terá condição de adaptar o pré-sal para virar polo de geotermia profunda?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x