No campo de testes da Nabors em Houston, a startup Quaise aciona um gyrotron de 100 kW que dispara ondas milimétricas para vaporizar granito e mira em poços de 20 km de profundidade, três vezes mais fundo que o recorde Soviete de Kola, alcançado em 22 anos.
Em Houston, no Texas, a startup Quaise Energy levou ao campo da Nabors um equipamento inédito no setor de óleo e gás. A broca quaise ondas milimetricas dispara micro-ondas concentradas para vaporizar a rocha.
Segundo o portal New Atlas em reportagem ao headquarter, a demonstração marcou a passagem do laboratório para sonda em escala real. Antes disso, operava apenas em bancada.
O método é simples na ideia, complexo na engenharia. Um gyrotron de 100 kW emite ondas milimétricas guiadas por um tubo metálico chamado waveguide, que conduz a energia até o fundo do poço.
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Lá, o feixe esquenta a rocha até derretê-la e vaporizá-la, em vez de triturá-la com brocas convencionais. A profundidade pretendida atinge 20 quilômetros, mais do que qualquer broca humana já alcançou.
Para o setor de petróleo e gás, o método pode reescrever a economia da perfuração profunda. Para o setor elétrico, abre caminho para usinas geotérmicas onde antes elas eram inviáveis.
Como funciona a broca quaise ondas milimetricas

O gyrotron é um tipo de tubo de vácuo. Ele gera ondas eletromagnéticas em frequências muito altas, na faixa de dezenas a centenas de gigahertz.
Originalmente, ele foi desenvolvido para aquecer plasmas em reatores experimentais de fusão nuclear. De acordo com o Plasma Science and Fusion Center do MIT, o departamento liderou a adaptação para uso em perfuração.
A Quaise foi criada justamente como spin-off do MIT em 2018. O cofundador Paul Woskov, engenheiro pesquisador do PSFC, descobriu que ondas milimétricas podem cortar granito com eficiência alta.
Na prática, o waveguide é um cano metálico de paredes finas. Ele conduz a onda como uma fibra óptica conduz luz, mas em frequência muito mais baixa.
Por isso, não há contato físico entre fonte e rocha. O resultado é um furo de paredes lisas e vitrificadas, sem fragmentos a serem retirados.
O marco da broca quaise ondas milimetricas em 2025

Em maio de 2025, a Quaise levou o equipamento ao campo de testes em Houston. Segundo o portal Energy Global, a demonstração aprofundou furo em bloco de granito diante de executivos.
Em seguida, no segundo semestre de 2025, a empresa migrou os testes para Marble Falls, também no Texas. Lá, atingiu 118 metros de profundidade em granito.
De acordo com a Quaise, esse foi o recorde mundial de perfuração exclusivamente com ondas milimétricas. Conforme detalhou a página oficial da empresa, o marco abriu caminho para o próximo passo comercial.
Em paralelo, a empresa fechou em fevereiro de 2026 uma rodada de captação focada em escalonar a infraestrutura. Posteriormente, anunciou contrato com fornecedor de gyrotrons de maior potência.
Por sua vez, o investidor SOSV destacou que o teste em campo era pré-requisito para destravar capital de fase seguinte. Da mesma forma, a Nabors enxergou potencial de reaproveitar plataformas de petróleo.
O Project Obsidian no Oregon

Em 22 de abril de 2026, a Quaise vinculou publicamente sua tecnologia a um projeto comercial. O batismo é Project Obsidian, em área próxima ao vulcão Newberry, no centro do Oregon.
Segundo a empresa em sua página oficial, a fase 1 deve atingir 50 MW de capacidade firme. Trata-se de geração renovável de base, capaz de operar 24 horas por dia.
De acordo com Daniel W. Dichter, engenheiro sênior da Quaise, em apresentação no Stanford Geothermal Workshop, a fase 1 combina dois sistemas de poços a 315 °C e 365 °C, a 5 km.
Em comparação, a maior parte das usinas geotérmicas comerciais atuais opera com rochas abaixo de 250 °C. A diferença em temperatura significa muito mais energia útil por poço perfurado.
Por isso, segundo a Agência Internacional de Energia em relatório de março, a chamada superhot rock geothermal pode gerar cinco a dez vezes mais energia por poço.
O fantasma do recorde Kola

O recorde absoluto de profundidade humana pertence ao poço Kola Superdeep. Foi escavado pelos soviéticos no noroeste da União Soviética, ao longo de 22 anos.
Em 1989, a operação atingiu 12.262 metros, antes de parar por causa de temperaturas acima de 180 °C. As brocas de aço amoleciam no fundo do poço.
Conforme já documentou o Click Petróleo e Gás em cobertura sobre depósitos minerais em supervulcões extintos, ambientes geológicos profundos guardam recursos energéticos significativos. Mas chegar lá é o desafio.
A Quaise mira 20 quilômetros de profundidade. Isso representa quase o dobro do feito Soviete em pouco mais de uma década de testes.
Na prática, a vantagem da broca quaise ondas milimetricas vem da física. Como não há contato mecânico, calor extremo não corrói a ponta de perfuração.
Em comparação, brocas convencionais com diamantes industriais paralisam acima de 200 °C. As de tungstênio cedem antes ainda.
A oportunidade para o Brasil
O Brasil aprovou em fevereiro de 2026 a criação do Programa Nacional de Energia Geotérmica. A iniciativa abre caminho para projetos pioneiros em regiões com gradiente térmico elevado.
Em comparação com o Oregon, áreas de Rondônia e do Espírito Santo apresentam potencial inicial. Apesar disso, a maior parte do território brasileiro tem rocha menos quente que o Pacific Northwest.
Por outro lado, a Quaise menciona o aproveitamento de plataformas de petróleo desativadas. Conforme documentou o CPG em cobertura sobre o Delta do Nilo, o setor de O&G acumula infraestrutura ociosa.
Da mesma forma, postos de poços maduros no pré-sal poderiam servir como base de testes. Naquele momento, decisões de cadeia de suprimentos definiriam onde a Quaise instalaria filiais.
Ressalvas técnicas e regulatórias
Apesar do otimismo, há ressalvas concretas. Conforme alertou o portal Geomechanics em maio de 2026, riscos subsuperficiais de superhot geothermal incluem sismicidade induzida.
Da mesma forma, a integridade do waveguide a profundidades extremas ainda precisa ser provada. Em comparação com cabos sísmicos, a duração dos materiais é menos testada.
Por isso, especialistas ouvidos pela Euronews em 11 de maio destacaram que o cronograma de 2030 é ambicioso. Mesmo assim, baseia-se em marcos publicados pela empresa.
Ainda assim, o Congresso americano discute o Next Generation Geothermal Research and Development Act. A norma deve incluir financiamento federal específico para superhot rock geothermal.
Próximos marcos
Em seguida, a Quaise deve subir a potência do gyrotron empregado em campo. A meta é passar de 100 kW para 1 MW na próxima geração de equipamentos.
Posteriormente, ela pretende abrir frente de perfuração no Oregon em 2027. Naquele momento, o cronograma de geração elétrica em 2030 deixa de ser hipotético.
Por enquanto, a empresa segue testando waveguides em granito brasileiro e norueguês como parte da campanha técnica. Conforme reportou o portal Euronews, isso é importante para validar diferentes tipos de rocha.
- Potência atual do gyrotron Quaise: 100 kW
- Recorde alcançado em Marble Falls: 118 metros em granito
- Profundidade pretendida: até 20 km
- Recorde humano atual (Kola, Rússia): 12.262 metros em 22 anos
- Project Obsidian, Oregon: 50 MW firmes até 2030
- Origem: spin-off do MIT em 2018
- Parceiro de testes em Houston: Nabors Industries
Ressalvas finais sobre a tecnologia
De acordo com pesquisadores ouvidos pelo MIT News em março, ainda há incertezas sobre o regime térmico em profundidade extrema. Apesar disso, modelos numéricos sugerem viabilidade industrial.
Conforme o relatório da McKinsey de 2026, geotermia ainda é nicho na matriz americana, com menos de 0,5% do mix. Contudo, o setor pode escalar rápido se o custo por MW se aproximar do solar.
Por fim, fica a pergunta: se a broca quaise ondas milimetricas entregar de fato 20 km de profundidade nesta década, o Brasil terá condição de adaptar o pré-sal para virar polo de geotermia profunda?

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