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BRICS preparam sistema de pagamentos inspirado no PIX brasileiro que permitirá transações diretas entre países usando moedas digitais nacionais sem depender do dólar nem de bancos ocidentais como intermediários

Publicado em 18/04/2026 às 02:46
Atualizado em 18/04/2026 às 02:49
Os BRICS avançam em sistema de pagamentos inspirado no PIX para transações em moedas digitais sem dólar. A Índia lidera a pauta em 2026.
Os BRICS avançam em sistema de pagamentos inspirado no PIX para transações em moedas digitais sem dólar. A Índia lidera a pauta em 2026.
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Os BRICS avançam na criação de um sistema de pagamentos transfronteiriços inspirado no PIX brasileiro, usando moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) para transações diretas entre países sem necessidade do dólar. A Índia, que sedia a 18ª Cúpula do bloco em 2026, colocou o tema como prioridade. China e Índia já realizam 80% de seu comércio mútuo em moedas locais.

Os BRICS estão desenvolvendo um sistema de pagamentos que pode mudar a forma como o dinheiro circula entre as maiores economias emergentes do mundo. O banco central indiano, Reserve Bank of India, propôs durante a última cúpula a criação de um mecanismo de pagamento conjunto entre os membros do bloco que opere com moedas digitais nacionais, permitindo transações diretas de país a país sem precisar de sistemas financeiros ocidentais como intermediários. A inspiração declarada do sistema é o PIX brasileiro, e a pauta será discutida com força durante a 18ª Cúpula dos BRICS, que será sediada pela Índia ainda em 2026. O que está em jogo não é apenas uma plataforma de pagamentos, é um passo concreto para reduzir a dependência global do dólar americano.

O comércio entre os membros dos BRICS já caminha nessa direção. Até 65% das transações comerciais entre os países do bloco são realizadas em moedas locais, e China e Índia, a segunda e a quarta maiores economias do mundo, já conduzem 80% de seu comércio mútuo sem usar o dólar. No entanto, a maioria das moedas dos BRICS, com exceção do yuan chinês, ainda sofre com liquidez limitada, e os sistemas de liquidação existentes continuam integrados à infraestrutura financeira ocidental. O sistema de pagamentos dos BRICS pretende resolver exatamente essa contradição: os países já comercializam em moedas locais, mas ainda dependem de plataformas controladas pelo Ocidente para processar essas transações.

Como o sistema de pagamentos dos BRICS vai funcionar na prática

Segundo informações da Revista Fórum, o modelo proposto pelos BRICS não é uma moeda comum como o euro, mas algo diferente e possivelmente mais viável. O sistema conectaria moedas digitais soberanas de cada país membro, permitindo que bancos centrais liquidem transações diretamente entre si, sem precisar converter tudo em dólar e sem usar plataformas como o SWIFT, que é controlado por instituições ocidentais e pode ser usado como instrumento de sanções. Na prática, se o Brasil quiser pagar a Índia por uma importação, a transação será feita em real digital e rupia digital, com conversão automática entre as duas moedas.

A Força-Tarefa de Pagamentos dos BRICS já avançou nas definições de “interoperabilidade” do sistema futuro. A Declaração de líderes assinada durante a Cúpula do Rio em 2025 classificou o desenvolvimento do sistema como “prioridade estratégica”, encarregando ministros de finanças e governadores de bancos centrais de dar continuidade às discussões. O documento reconheceu o progresso alcançado na identificação de “possíveis caminhos para apoiar a continuidade das discussões sobre o potencial para maior interoperabilidade dos sistemas de pagamento dos BRICS”, uma linguagem diplomática que traduz avanços técnicos reais.

Por que o PIX brasileiro é a inspiração do sistema de pagamentos dos BRICS

A escolha do PIX como modelo não é acidental. O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro é considerado um dos mais bem-sucedidos do mundo, com mais de 150 milhões de usuários e capacidade de processar transações em segundos, sem intermediários bancários tradicionais e com custo praticamente zero para o usuário. O PIX demonstrou que é possível criar uma infraestrutura de pagamentos eficiente, barata e acessível em um país de dimensões continentais.

Para os BRICS, a lógica do PIX se traduz em escala internacional. Se um sistema pode conectar milhões de pessoas dentro de um país em tempo real, a mesma arquitetura pode ser adaptada para conectar bancos centrais de diferentes países, permitindo que transações transfronteiriças sejam tão rápidas e baratas quanto uma transferência por PIX entre dois brasileiros. A diferença é que, em vez de reais, o sistema operaria com moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) de cada membro dos BRICS, convertendo automaticamente entre as moedas e eliminando a necessidade do dólar como moeda intermediária.

O papel da China e do yuan digital no sistema de pagamentos dos BRICS

A China é o membro dos BRICS mais avançado em moedas digitais de banco central. O yuan digital (e-CNY) já ultrapassou a marca de trilhões de dólares em transações, segundo dados do Atlantic Council, e o país também investe em plataformas como o mBridge, originalmente desenvolvido com apoio do Banco de Compensações Internacionais, que permite liquidações diretas entre bancos centrais sem moedas intermediárias.

Para o sistema de pagamentos dos BRICS, a experiência da China é ao mesmo tempo uma vantagem e uma tensão. A liderança tecnológica chinesa em CBDCs pode acelerar o desenvolvimento da plataforma, mas outros membros dos BRICS temem que o yuan digital acabe dominando o sistema e transformando a desdolarização em “yuanização”, trocando a dependência de uma moeda dominante por outra. O modelo de interoperabilidade entre moedas soberanas, em vez de uma moeda comum dos BRICS, é justamente a solução para essa preocupação: cada país mantém sua moeda, sua política monetária e sua soberania econômica.

O que a desdolarização significa para os países dos BRICS

A redução da dependência do dólar é um objetivo declarado dos BRICS há anos, e o sistema de pagamentos é o instrumento mais concreto para alcançá-lo. Os países do bloco somam juntos cerca de 30% de todo o comércio mundial, e cada transação que deixa de ser intermediada pelo dólar reduz a influência dos Estados Unidos sobre o fluxo financeiro global. Para nações que enfrentaram ou temem enfrentar sanções americanas, como Rússia e Irã, essa independência financeira é uma questão de sobrevivência econômica.

Para o Brasil, a desdolarização tem implicações práticas. Transações em moeda local reduzem custos de câmbio para exportadores e importadores brasileiros que hoje precisam converter reais em dólares e depois em yuan, rublo ou rupia para comercializar com parceiros dos BRICS. Um sistema de pagamentos direto eliminaria essa dupla conversão, economizando bilhões em taxas de câmbio e reduzindo a exposição da economia brasileira à volatilidade do dólar.

Os desafios que os BRICS ainda enfrentam para lançar o sistema

Apesar dos avanços, o sistema de pagamentos dos BRICS não é inevitável. A maioria das moedas do bloco sofre com liquidez limitada no mercado internacional, o que significa que converter grandes volumes de rúpia indiana em rand sul-africano, por exemplo, ainda é difícil sem usar o dólar como referência de preço. Resolver esse problema de liquidez é o principal desafio técnico que a Força-Tarefa de Pagamentos precisa superar.

Há também desafios políticos. Harmonizar regulações financeiras entre 11 países com sistemas jurídicos, políticas monetárias e níveis de desenvolvimento tecnológico muito diferentes exige negociações que podem levar anos. A interoperabilidade técnica entre CBDCs depende de padrões comuns que ainda estão sendo definidos, e cada país tem incentivos diferentes para acelerar ou retardar o processo. Ainda assim, o fato de que os BRICS já comercializam 65% entre si em moedas locais mostra que a demanda por um sistema de pagamentos próprio é real, e a 18ª Cúpula na Índia deve trazer avanços concretos.

Os BRICS preparam um sistema de pagamentos inspirado no PIX para transações sem dólar. Você acha que o mundo deveria depender menos do dólar? Essa mudança beneficia ou prejudica o Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.

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Marco Antonio Nogueira Rodrigues
Marco Antonio Nogueira Rodrigues
30/04/2026 13:34

Livrar-se da preponderância do dólar e do euro, é de grande importância pra humanidade… Eles enriquecem fácil; e empobrece povos, inclusive, impedem-os de se desenvolverem.
E tapeiam a humanidade com ajudas, que na verdade são esmolas que nunca resolve a miséria, quando poderiam transformá-los em consumidores.
Hoje, década de 2020 a 2030, tentam alternativas, as quais os “inescrupulosos”, as vêem como declaração de guerra, com o eterno medo da inexistência de pessoas ou povos pobres, e isso comprometerem as suas riquezas, o que não passa de ignorância maléfica.
Atualmente os BRICS, tem plano de lançar moeda digital, em parceria com países assinantes, mas é uma iniciativa, válida, por um lado, porém, muito arriscada por outros entraves que terão de enfrentarem.
Os donos das moedas dominantes ( dólar e euro), que detém o domínio dos câmbios internacionais, como o “Sistema Swift”, tomarão medidas de combate comercialmente, praticando impedimentos e entraves comerciais contra o “sistema de moedas digitais” a ser implantados pelos BRICS, com certeza!? Seja ele próspero ou não!?
Os USA tem por costume, quando ele não ataca de frente, o faz pelas tangentes. Basta eles (USA E EUROPA – ZE – Zona do Euro) firmarem norma proibindo quem utilizar o novo sistema dos BRICS (moeda digital e pix), ficarão proibidos de utilizarem o Sistema Swift, e aí quem sempre fez, ou faz, transações só em dólar e euro (principalmente), ficarão desesperados, simplesmente acatando as decisões do sistema financeiro vigente, que regula as cotações das moedas intercionalmente…?
A situação não é tão simples como os insurgentes imaginam!?
Seria mais próspero utilizarem a moeda (como referência) do país que mais prospera entre os assinantes de um novo Sistema de Câmbio Internacional, paralelo, para atuar junto com o os demais sistemas financeiros vigentes, ainda que esse novo sistema seja a margem dos que serão contra. Um sistema paralelo completo! Ainda que seja um sistema aberto/paralelo, terá de ter suas metas com base em banco central, bolsas, sistemas financeiros que regem o mercado em geral…
No caso, a moeda yuan seria a mais indicada (como referência), pois a China, atualmente, é o país que mais prospera, em quase todos os setores sociais e comerciais, indiscutivelmente.
Os demais países, que tem significavas desvalorizações das suas moedas, deverão renová-las “cortando zeros”, para manterem as moedas em valores iguais ou próximos do yuan (sempre abaixo da casa decimal da moeda referencial), pois isso, facilitarão as transações entre os países, do novo bloco, utilizando-se do sistema de conversão paralelo criado pelo novo grupo, estes compostos pelos países corajosamente insurgentes contra o sistema opressor, e capaz de dividir, ou criar, uma nova Ordem Econômica Internacional. Em resumo: Devemos sim, criar uma nova Ordem Financeira Internacional competitiva!? Se os opositores vão gostar, ou não, é problema deles…? Nenhum povo é obrigado a ser escravo dos mais espertos, pra não dizer, mais inescrupulosos.
Quanto aos lastros de uma nova moeda, ela pode ser criada aos poucos, com ouro, dólar, euro, etc. Para constituir o lastro. Pode-se instituir, por determinados anos, um imposto por cada transação efetuada pelos usuários da nova moeda, como 0,2, 0,3, ou 0,5%. Claro, todo esses valores e ativos em geral, estarão de posse do Banco Central Internacional do grupo (no caso, supondo-se ser os BRICS), deverão constar dos estatutos que pertencem aos integrantes. Em caso de falência, liquidação, ou dissolução da nova empreitada (conceito hipotético), os valores em caixa serão rateados entre os integrantes.
A hipótese de moeda digital, ainda é vista com muita descredibilidade da maioria das população mundial. Tal integrante será legado um bilhão (valor inicial). Onde está esse ativo: simplesmente é um código (ou algoritmos) de informática. Na verdade, um valor quase imaginário? Ao repassá-lo, o conceito desse pseudo valor ativo será o mesmo pra quem adquirir…!? Eis apenas um dos muitos problemas que poderão comprometer o projeto todo? Por isso, particularmente eu acho menos arriscado partir através de uma moeda já existente. O mais ideal seria criar uma moeda nova, mas parece que o embate financeiro/monetário será maior…
Marco Antonio Nogueira Rodrigues
Sorocaba, São Paulo, Brasil.

José Luiz da Silva Santos
José Luiz da Silva Santos
21/04/2026 21:56

Acho que seria muito bom, esse negócio de depender do dólar já ultrapassou os limites. Já chega de depender dos EUA. A nossa moeda é forte

Douglas
Douglas
Em resposta a  José Luiz da Silva Santos
24/04/2026 06:58

O real é forte? Me diz aonde e quando o real ou a moeda brasileira valeu alguma coisa, acorda seu ameba, nessa situação quem vai ser a cabeça desse negócio é a china, famoso negócio da china

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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