Pesquisas mostram que 63% dos americanos acreditam que uma guerra mundial eclodirá nos próximos quatro anos. Silos nucleares da Guerra Fria estão sendo reformados por milhões de dólares para abrigar data centers de IA e abrigos de sobrevivência. No Texas, ranchos fortificados com armas, gado e bunkers vendem vagas por US$ 11 mil para quem quer se preparar para o colapso.
Dois terços dos americanos acreditam que uma guerra mundial está próxima, e essa crença está movimentando milhões de dólares em um mercado que cresce na velocidade do medo. Silos de mísseis nucleares da Guerra Fria, desativados há décadas, estão sendo comprados e reformados por investidores que os transformam em abrigos de sobrevivência e data centers subterrâneos. Nick Hik, cosmonauta treinado na Rússia e capitalista de risco, adquiriu um silo de mísseis Titan I perto de Denver por mais de US$ 10 milhões e planeja investir US$ 30 milhões na reforma, criando um espaço que combina museu, centro de dados para inteligência artificial e infraestrutura capaz de resistir a uma guerra nuclear. O silo, construído em 1959 por US$ 47 milhões (US$ 350 milhões em valores atuais), tem 165 pés de profundidade, 200 mil pés quadrados e paredes de concreto que suportam 15 mil libras de pressão por polegada quadrada.
O fenômeno não se limita a investidores excêntricos. No Texas, um coronel aposentado da Força Aérea chamado Drew Miller administra ranchos fortificados onde membros pagam US$ 11 mil para reservar um quarto por dez anos, com acesso a bunkers, armas, plantações, gado e treinamento militar para sobreviver a cenários de colapso, incluindo guerra nuclear, guerra civil e colapso da rede elétrica. Desde 2015, milhares de pessoas se inscreveram nos oito acampamentos de Miller nos Estados Unidos, e a demanda continua subindo à medida que as tensões com Irã, Rússia, China e Coreia do Norte alimentam o medo de uma guerra que 63% dos americanos consideram provável.
O silo nuclear de US$ 350 milhões que vira abrigo contra a guerra

O silo de mísseis Titan I que Nick Hik comprou perto de Denver é um dos 18 construídos pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria. O complexo subterrâneo tem 17 cômodos conectados por 4.500 pés de túneis e foi originalmente projetado para ocultar, alimentar e lançar três armas nucleares. As portas pesam tanto quanto um SUV pequeno e podem proteger contra radiação nuclear. O governo desativou os mísseis em 1965 e usou o complexo para pesquisa de segurança nacional antes de encerrá-lo definitivamente.
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A reforma do silo para enfrentar as ameaças de uma guerra moderna custará cerca de US$ 30 milhões. Nick planeja instalar geradores a diesel já existentes no complexo e, no futuro, pequenos reatores nucleares para fornecer energia independente da rede elétrica, um detalhe crítico considerando que relatórios do governo americano alertam que apagões podem se tornar 100 vezes mais comuns até 2030. A temperatura subterrânea permanece constante em 52°F (11°C), ideal para servidores de IA que gastam um terço de sua energia em refrigeração, e o interesse de grandes empresas de tecnologia no espaço já existe, embora Nick não possa revelar quais.
Por que data centers de IA estão se mudando para bunkers de guerra
A corrida para mover servidores para o subsolo não é motivada apenas pelo medo de uma guerra. Data centers precisam de ambientes seguros, temperatura controlada e energia confiável, e bunkers de guerra oferecem as três coisas a um custo que pode ser menor do que construir estruturas de segurança equivalentes acima do solo. Na Suécia, um centro de dados chamado Pionen opera em um antigo bunker da Guerra Fria perto de Estocolmo e abriga os servidores do WikiLeaks. Na Noruega, uma antiga mina de pedras preciosas dentro de uma montanha abriga um data center de seis andares que funciona fora da rede elétrica.
Segundo o canal Business Insider e Insider, nos Estados Unidos, a maior instalação subterrânea conhecida pertence à Iron Mountain, dentro de uma mina de calcário abandonada na Pensilvânia. Com 220 pés de profundidade e 40 acres de extensão, o espaço é nove vezes maior que o silo de Nick, mas ainda é minúsculo comparado aos campus de dados que Amazon e Google constroem acima do solo, que se estendem por 500 acres. Mover operações desse porte para o subsolo enfrenta desafios como ventilação de grande escala, pressão de águas subterrâneas, vazamentos e custos que escalam rapidamente com a profundidade.
O rancho fortificado do Texas onde americanos se preparam para a guerra
Drew Miller, coronel aposentado de inteligência da Força Aérea que ajudou a OTAN em missões de manutenção da paz, administra o Rancho Fortitude, uma propriedade de 20 acres em um local secreto no Texas. O rancho funciona como uma comunidade fortificada onde membros se preparam para cenários de guerra nuclear, guerra civil e colapso da infraestrutura, com bunkers subterrâneos, armas armazenadas em cofres por toda a propriedade, plantações, gado, galinhas e suprimentos médicos incluindo mesa de operação e macas militares.
A filosofia de Miller é que se esconder no subsolo não é suficiente. “Se você acha que pode simplesmente se esconder no subterrâneo, você é louco. Em um colapso, haverá famintos indo para todos os lugares”, afirma, explicando por que o rancho é construído no alto de uma colina com posições defensivas e linhas de tiro abertas. Todos os membros devem chegar armados e passam por treinamento de guarda com ex-militares. A equipe inclui Maddie, ex-oficial de inteligência do Exército americano, e a capacidade de defesa é tratada com a mesma seriedade que a produção de alimentos.
Quem são os americanos que pagam para se preparar para a guerra
O perfil dos membros do Rancho Fortitude e de comunidades semelhantes é mais diverso do que o estereótipo sugere. Drew diz que a maioria tende a ser conservadora e libertária, mas há membros democratas liberais, e a motivação comum é a crença de que o governo não será capaz de proteger os cidadãos em um cenário de guerra ou colapso. A demanda disparou durante a pandemia de Covid-19, quando as fragilidades da cadeia de suprimentos ficaram expostas, e continuou subindo com as tensões geopolíticas.
Os membros pagam uma taxa trimestral de algumas centenas de dólares e US$ 11 mil para reservar um quarto por dez anos. Casais de médicos, famílias grandes que alugam andares inteiros e profissionais de diversas áreas compõem a base de membros, que em tempos normais podem usar os quartos como local de férias. O que os une é uma preocupação compartilhada que vai da guerra civil interna, alimentada pela polarização entre apoiadores e opositores de Trump, até uma guerra nuclear que ameaçaria a sobrevivência da civilização.
O que os números dizem sobre o medo de guerra nos Estados Unidos
As pesquisas que sustentam o crescimento desse mercado são consistentes. 63% dos americanos acreditam que uma guerra mundial eclodirá nos próximos quatro anos, segundo levantamentos recentes. Preocupações com uma possível guerra civil também persistem, alimentadas pela polarização política que divide o país entre campos cada vez mais hostis. A rede elétrica americana é frequentemente citada como o “calcanhar de Aquiles” do país, e um colapso prolongado de energia poderia causar mortes, saques e desordem em escala sem precedentes.
Para Nick Hik, no silo perto de Denver, a situação é clara. “Isto não é uma simulação. Isto é vida real agora. Estamos em um ponto muito precário na história”, afirma, explicando por que espaços subterrâneos como o dele tendem a ficar cada vez mais populares. A combinação de tensões com Irã, Rússia, China e Coreia do Norte, somada à fragilidade da infraestrutura doméstica, cria um cenário em que investir milhões em preparação para uma guerra deixou de ser coisa de paranoicos e entrou no radar de investidores, médicos, engenheiros e famílias comuns.
63% dos americanos acreditam que uma guerra mundial está próxima e estão investindo em bunkers e ranchos fortificados. Você se prepararia para o pior cenário? Acha exagero ou precaução inteligente? Deixe sua opinião nos comentários.


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