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Brasileiras descobrem microrganismo inédito em vulcão ativo da Antártida, onde fumarola chega perto de 100°C cercada por gelo e revela novos limites da vida extrema em uma ilha marcada por neve remota

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 15/05/2026 às 18:42
Atualizado em 15/05/2026 às 18:44
Cientistas brasileiras descobrem nova arqueia vivendo perto de 100°C em vulcão ativo da Antártida
Cientistas brasileiras descobrem nova arqueia vivendo perto de 100°C em vulcão ativo da Antártida
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A descoberta feita na Ilha Deception mostra um microrganismo que sobrevive em uma fumarola cercada por gelo e neve e amplia o que se sabe sobre os limites da vida.

Pesquisadoras brasileiras identificaram uma nova espécie de arqueia em um vulcão ativo da Antártida, em uma região onde a temperatura chega perto de 100°C mesmo cercada por gelo e neve. A descoberta foi feita na Ilha Deception e adiciona uma peça rara ao quebra-cabeça de como a vida consegue existir em condições extremas.

O microrganismo, descrito como uma arqueia hipertermófila, foi encontrado apenas na parte mais quente da fumarola analisada. Em poucos centímetros, a temperatura cai drasticamente, e essa transição tão brusca virou parte importante do estudo. A pesquisa foi liderada pela microbiologista Amanda Bendia, professora do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), com apoio do Instituto Serrapilheira.

O trabalho também chama atenção porque esse tipo de arqueia já havia sido registrado, até agora, apenas em ambientes de grande profundidade no oceano. Este passa a ser o primeiro registro em um ambiente polar de superfície, o que amplia o alcance conhecido desses organismos primitivos.

Uma vida que resiste onde quase nada mais consegue

Cada grama de sedimento polar pode guardar pistas sobre organismos microscópicos capazes de sobreviver em um dos ambientes mais extremos da Terra.

As arqueias estão entre os seres vivos mais antigos do planeta. Nesse caso, a nova espécie foi localizada em fumarolas, aberturas no solo por onde escapam gases quentes de origem vulcânica. Em vez de depender da luz solar, ela obtém energia a partir de substâncias químicas presentes no ambiente.

Segundo o Instituto Oceanográfico da USP, a amostra foi coletada em uma área onde a combinação de calor extremo, pressão e gases tóxicos cria um cenário hostil para a maior parte das formas de vida conhecidas.

O ponto de 100°C ficou a poucos centímetros do gelo

A própria dinâmica do local surpreendeu a equipe. As coletas foram feitas em pontos com cerca de 100°C, 50°C e 0°C, o que permitiu comparar os microrganismos presentes em cada faixa de temperatura. A nova espécie apareceu apenas na área mais quente.

“Essa arqueia hipertermófila que descrevemos só é encontrada pontualmente na fumarola de 100 graus. Poucos centímetros ao lado ela já não está mais”, afirmou a pesquisadora no material divulgado. Ela também explicou que esperava encontrar um gradiente mais contínuo de temperatura, mas o ar extremamente frio faz o calor se perder muito rápido.

Na Ilha Deception, o contraste entre rochas vulcânicas, mar gelado e neve revela um dos cenários mais extremos da Antártida — onde o calor subterrâneo ainda cria condições raras para a vida microscópica.

DNA revelou pistas sobre a sobrevivência no ambiente extremo

Depois da coleta em campo, a equipe extraiu o DNA da amostra e usou ferramentas de análise genética para reconstruir o genoma do microrganismo. O objetivo foi entender quais características podem estar ligadas à sobrevivência em um ambiente com temperatura alta e presença de gases tóxicos.

As expedições científicas aconteceram ao longo de diferentes viagens à Ilha Deception, onde Amanda Bendia já esteve quatro vezes. A pesquisadora contou que já imaginava, desde o doutorado, que as fumarolas poderiam selecionar microrganismos hipertermófilos, mesmo em pleno ambiente polar.

O nome da nova espécie homenageia uma pioneira brasileira

A arqueia recebeu o nome de Pyroantarcticum pellizari, em homenagem à microbiologista Vivian Pellizari, referência no Brasil em estudos de microrganismos que vivem em condições extremas. Ela foi orientadora de Amanda na USP e também participou da pesquisa, ao lado de Ana Carolina de Araújo Butarelli e Francielli Vilela Peres.

Além de registrar uma espécie inédita, o estudo ajuda a ampliar a compreensão sobre os limites da vida e sobre como organismos conseguem se adaptar a ambientes improváveis. Esse tipo de conhecimento também é usado como referência em pesquisas astrobiológicas, que investigam a possibilidade de vida fora da Terra em cenários parecidos.

Em um ambiente em que gelo, neve e calor vulcânico convivem lado a lado, a descoberta brasileira mostra que ainda há muito a ser revelado na Antártida. Se você gosta de ciência que surpreende, vale acompanhar as próximas expedições e comentar o que mais chamou sua atenção nessa descoberta.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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