A descoberta feita na Ilha Deception mostra um microrganismo que sobrevive em uma fumarola cercada por gelo e neve e amplia o que se sabe sobre os limites da vida.
Pesquisadoras brasileiras identificaram uma nova espécie de arqueia em um vulcão ativo da Antártida, em uma região onde a temperatura chega perto de 100°C mesmo cercada por gelo e neve. A descoberta foi feita na Ilha Deception e adiciona uma peça rara ao quebra-cabeça de como a vida consegue existir em condições extremas.
O microrganismo, descrito como uma arqueia hipertermófila, foi encontrado apenas na parte mais quente da fumarola analisada. Em poucos centímetros, a temperatura cai drasticamente, e essa transição tão brusca virou parte importante do estudo. A pesquisa foi liderada pela microbiologista Amanda Bendia, professora do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), com apoio do Instituto Serrapilheira.
O trabalho também chama atenção porque esse tipo de arqueia já havia sido registrado, até agora, apenas em ambientes de grande profundidade no oceano. Este passa a ser o primeiro registro em um ambiente polar de superfície, o que amplia o alcance conhecido desses organismos primitivos.
-
Anvisa manda recolher suplemento popular de magnésio em todo o Brasil e determina suspensão imediata após identificar composto não autorizado pela legislação sanitária
-
Tecnologia dos drones que iluminam os shows de Alok será usada para lançar 67 espécies de sementes do alto e reflorestar duas áreas degradadas da Mata Atlântica em Barra Bonita
-
China confirma a existência de um mineral nunca antes visto, encontrado em depósito com concentração 80 vezes acima do padrão mundial, e que promete redesenhar a indústria de baterias e a disputa global por minerais estratégicos
-
Cientistas acreditam ter descoberto origem de rio do ‘Jardim do Éden’: estudo revela que o Eufrates surgiu da união de dois rios gigantes há mais de 5 milhões de anos, incluindo um maior que o Nilo
Uma vida que resiste onde quase nada mais consegue

As arqueias estão entre os seres vivos mais antigos do planeta. Nesse caso, a nova espécie foi localizada em fumarolas, aberturas no solo por onde escapam gases quentes de origem vulcânica. Em vez de depender da luz solar, ela obtém energia a partir de substâncias químicas presentes no ambiente.
Segundo o Instituto Oceanográfico da USP, a amostra foi coletada em uma área onde a combinação de calor extremo, pressão e gases tóxicos cria um cenário hostil para a maior parte das formas de vida conhecidas.
O ponto de 100°C ficou a poucos centímetros do gelo
A própria dinâmica do local surpreendeu a equipe. As coletas foram feitas em pontos com cerca de 100°C, 50°C e 0°C, o que permitiu comparar os microrganismos presentes em cada faixa de temperatura. A nova espécie apareceu apenas na área mais quente.
“Essa arqueia hipertermófila que descrevemos só é encontrada pontualmente na fumarola de 100 graus. Poucos centímetros ao lado ela já não está mais”, afirmou a pesquisadora no material divulgado. Ela também explicou que esperava encontrar um gradiente mais contínuo de temperatura, mas o ar extremamente frio faz o calor se perder muito rápido.

DNA revelou pistas sobre a sobrevivência no ambiente extremo
Depois da coleta em campo, a equipe extraiu o DNA da amostra e usou ferramentas de análise genética para reconstruir o genoma do microrganismo. O objetivo foi entender quais características podem estar ligadas à sobrevivência em um ambiente com temperatura alta e presença de gases tóxicos.
As expedições científicas aconteceram ao longo de diferentes viagens à Ilha Deception, onde Amanda Bendia já esteve quatro vezes. A pesquisadora contou que já imaginava, desde o doutorado, que as fumarolas poderiam selecionar microrganismos hipertermófilos, mesmo em pleno ambiente polar.
O nome da nova espécie homenageia uma pioneira brasileira
A arqueia recebeu o nome de Pyroantarcticum pellizari, em homenagem à microbiologista Vivian Pellizari, referência no Brasil em estudos de microrganismos que vivem em condições extremas. Ela foi orientadora de Amanda na USP e também participou da pesquisa, ao lado de Ana Carolina de Araújo Butarelli e Francielli Vilela Peres.
Além de registrar uma espécie inédita, o estudo ajuda a ampliar a compreensão sobre os limites da vida e sobre como organismos conseguem se adaptar a ambientes improváveis. Esse tipo de conhecimento também é usado como referência em pesquisas astrobiológicas, que investigam a possibilidade de vida fora da Terra em cenários parecidos.
Em um ambiente em que gelo, neve e calor vulcânico convivem lado a lado, a descoberta brasileira mostra que ainda há muito a ser revelado na Antártida. Se você gosta de ciência que surpreende, vale acompanhar as próximas expedições e comentar o que mais chamou sua atenção nessa descoberta.

Seja o primeiro a reagir!