Estudante da rede pública do Distrito Federal relata rotina intensa, processo seletivo internacional com redações e entrevistas presenciais, além de conciliação com vestibulares brasileiros, até conquistar bolsa integral estimada em R$ 2 milhões para graduação em neurociência nos Estados Unidos.
A estudante brasiliense Ana Beatriz Araujo Santa Cruz Goyanna, de 17 anos, foi aprovada para cursar neurociência na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, com uma bolsa integral estimada em cerca de R$ 2 milhões.
A jovem é aluna da rede pública do Distrito Federal e teve a trajetória detalhada em reportagem publicada pelo portal Metrópoles, que acompanhou o processo de seleção e ouviu a estudante sobre os desafios enfrentados até a aprovação.
Conhecida como Bia, Ana Beatriz relatou, em entrevista concedida ao Metrópoles, que o processo seletivo da universidade norte-americana difere significativamente dos vestibulares tradicionais no Brasil.
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Segundo ela, a avaliação vai além das notas e considera um conjunto amplo de fatores acadêmicos e pessoais, incluindo atividades extracurriculares, premiações e entrevistas presenciais.
Processo seletivo em Harvard e critérios de avaliação

De acordo com apuração do jornal Metrópoles, a candidatura exigiu o envio de diversas redações, além da participação em entrevistas nos Estados Unidos.
Ana Beatriz explicou que essas etapas têm como objetivo permitir que a universidade conheça a trajetória do estudante e compreenda como ele pode contribuir para a comunidade acadêmica.
Um dos pontos centrais do processo, segundo a estudante, é o SAT, exame padronizado aplicado nos Estados Unidos que avalia conhecimentos em inglês e matemática.
A nota obtida deve ser enviada às universidades como parte do dossiê de candidatura, funcionando como um dos critérios de análise do desempenho acadêmico.
Além do exame, as redações têm peso relevante.
“Além disso, tem várias redações específicas sobre a universidade, para você contar sua história”, afirmou a jovem, ao explicar que cada instituição solicita textos próprios, com perguntas direcionadas ao perfil e às motivações do candidato.
Rotina de estudos intensa e conciliação com vestibulares no Brasil
Em entrevista ao Metrópoles, Ana Beatriz contou que, mesmo focada nas candidaturas internacionais, não deixou de se preparar para os vestibulares brasileiros.

A estudante disse que frequentava aulas regulares pela manhã e utilizava o período da tarde para produzir as redações exigidas pelas universidades estrangeiras, além de organizar documentos e informações acadêmicas.
No segundo semestre, a rotina ficou ainda mais intensa.
Segundo o jornal, ela também frequentou cursinho preparatório das 16h às 21h, ao mesmo tempo em que participava de projetos extracurriculares.
“Eu continuei estudando para o Brasil. Então, eu tinha aula de manhã, à tarde eu tinha que conciliar o tempo de fazer as redações… Também participava dos projetos e eu também fiz cursinho nesse segundo semestre de 16h às 21h”, relatou.
Ao falar sobre o impacto dessa agenda, a estudante reconheceu que o período foi marcado por cansaço extremo.
“Eu confesso que foi um pouco puxado, muitas vezes não tão saudável. Então, esse ano foram poucas horas de sono, algumas noites eu dormi 3 horas, 4 horas”, disse, em relato reproduzido pelo Metrópoles.
Ainda assim, ela afirmou que tentou manter o equilíbrio possível para cumprir as exigências escolares e não comprometer o desempenho acadêmico no Brasil, mesmo diante de prazos e formatos distintos entre os sistemas educacionais.
Avaliação além das notas e histórico escolar
Segundo reportagem do Metrópoles, a estudante destacou que o modelo de seleção adotado por universidades dos Estados Unidos busca compreender o candidato de forma ampla.
As notas escolares são analisadas, mas não isoladamente.
O processo considera também o envolvimento em atividades extracurriculares, projetos sociais, olimpíadas acadêmicas e outras premiações.
“A gente também tem as atividades extracurriculares. Tem também a parte de premiações, que você manda as premiações que você teve para que a universidade possa ver como você pode contribuir como um todo, tanto na maneira pessoal como de maneira acadêmica”, afirmou Ana Beatriz ao jornal.
Esse conjunto de informações, segundo ela, ajuda a instituição a avaliar não apenas o potencial acadêmico, mas também o perfil pessoal e o impacto que o estudante pode gerar dentro e fora da universidade.
Bolsa integral, início do curso e repercussão
O Metrópoles também apontou que Ana Beatriz registrou o momento em que recebeu a confirmação da aprovação.
A previsão é de que ela inicie o curso de neurociência em agosto de 2026.
A bolsa cobre integralmente os custos da graduação, o que viabiliza a permanência da estudante nos Estados Unidos ao longo do curso.
A história repercutiu nas redes sociais e reacendeu o debate sobre o acesso de estudantes da rede pública a universidades de prestígio internacional.

Também voltou à pauta a discussão sobre as condições necessárias para que esse tipo de trajetória se torne mais comum.
Mensagem para quem sonha em estudar no exterior
Questionada pelo Metrópoles sobre o que diria a outros jovens que desejam estudar fora do país, Ana Beatriz afirmou que o processo seletivo busca identificar interesses genuínos e áreas de impacto.
“Esse mundo de estudar fora quer saber sobre o que você gosta, qual sua área de impacto, qual a sua paixão”, disse.
Ela acrescentou que, apesar de a orientação parecer repetitiva, acredita que faz diferença para quem pretende iniciar esse caminho.
“Então, sigam seus sonhos. Essa frase pode soar clichê, mas é isso mesmo”, afirmou.
Com a aprovação e a bolsa integral confirmadas, o relato da estudante evidencia as exigências do processo seletivo internacional e amplia o debate sobre preparação acadêmica, apoio institucional e limites físicos e emocionais impostos a jovens candidatos.
Como escolas públicas e redes de ensino podem orientar estudantes interessados em universidades no exterior sem transformar o esforço em rotinas exaustivas?


Its so sad. No Americans first.
Qual foi a escola pública que ela estudou ?
Pelo visto é aquele seleto grupo que estuda na pública apenas pela cota escola pública, porque alguém que fez viagens para os EUA, como ela mesma disse na reportagem, não é uma pessoa pobre, muito menos carente. No começo da reportagem fiquei: “caraca, a menina é pobre e passou em Havard, aí depois que li que ela fez viagens para os EUA e participou de entrevistas caiu a ficha.
“…podem orientar estudantes interessados em universidades no exterior sem transformar o esforço em rotinas exaustivas?“
É justamente pela rotina exaustiva que ela conquistou a vaga. Vocês precisam entender que não existe vitória sem sacrifício.
Questiono o substrato desse “sacrifício” que ela não alegou fazer.
Para um CLT estudar é sacrifício, para um abastado, é só mais hobby desafiador e divertido, e para um estudante de média classe, é obrigação filial.