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Brasileira cursa medicina e terceiro ano do ensino médio ao mesmo tempo; ela largou vaga federal, estudou até 14 horas por dia e conquistou 7 aprovações, incluindo USP, Unicamp, Unifesp e 980 na redação do Enem

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 10/02/2026 às 09:47
Estudante de 18 anos conciliou Ensino Médio e Medicina, trancou vaga federal e conquistou sete aprovações, incluindo USP, Unicamp e 980 no Enem.
Estudante de 18 anos conciliou Ensino Médio e Medicina, trancou vaga federal e conquistou sete aprovações, incluindo USP, Unicamp e 980 no Enem.
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Estudante de 18 anos conciliou Ensino Médio e faculdade, interrompeu vaga em universidade federal e passou um ano dedicada a cursinho em São Paulo, acumulando aprovações em algumas das principais instituições públicas do país e uma das maiores notas na redação do Enem.

Aos 18 anos, a estudante Louise Caroline Morais de Araújo acumulou sete aprovações no curso de Medicina ao fim de 2025, com vagas em USP, Unicamp, Unesp, Unifesp, UFMG e na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, resultado obtido após um ano de dedicação exclusiva aos vestibulares em São Paulo.

No Exame Nacional do Ensino Médio, o desempenho incluiu 980 pontos na redação, marca alcançada no mesmo período em que a jovem decidiu trancar uma vaga já conquistada na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) para concentrar os estudos em um cursinho preparatório.

Natural do Rio Grande do Norte e criada em Manaus (AM), Louise passou por uma experiência incomum durante a formação escolar, ao iniciar o curso de Medicina enquanto ainda cursava o 3º ano do Ensino Médio, conciliando rotinas acadêmicas de níveis distintos ao longo de parte de 2024.

Meses depois, diante da possibilidade de disputar processos seletivos mais concorridos, a estudante optou por interromper temporariamente a graduação e direcionar a preparação para vestibulares das universidades paulistas, decisão que alterou de forma significativa sua trajetória acadêmica.

Enem e ingresso antecipado no curso de Medicina

Estudante de 18 anos conciliou Ensino Médio e Medicina, trancou vaga federal e conquistou sete aprovações, incluindo USP, Unicamp e 980 no Enem.
Estudante de 18 anos conciliou Ensino Médio e Medicina, trancou vaga federal e conquistou sete aprovações, incluindo USP, Unicamp e 980 no Enem.

A mudança de percurso teve início no fim do 2º ano do Ensino Médio, quando Louise decidiu realizar o Enem de forma regular, sem inscrição como treineira, com o objetivo principal de conhecer o formato da prova e avaliar o próprio desempenho.

Com a divulgação do resultado, ficou evidente que a pontuação obtida permitiria disputar uma vaga em Medicina, o que levou à aprovação na Universidade Federal do Amazonas, mesmo antes da conclusão formal do Ensino Médio.

Para efetivar o ingresso, porém, era necessário apresentar o certificado de conclusão, documento que a estudante ainda não possuía, já que não havia finalizado a etapa escolar nem tinha idade mínima para realizar o supletivo convencional.

Diante desse cenário, a família recorreu à Justiça e obteve autorização para a conclusão antecipada do Ensino Médio, permitindo que Louise realizasse o supletivo, recebesse o certificado e efetivasse a matrícula na universidade.

Com a vaga assegurada, o curso de Medicina teve início no segundo semestre de 2024, período em que a estudante optou por manter o 3º ano do Ensino Médio na escola onde havia estudado desde a infância.

Dupla rotina entre escola e universidade

Durante esse período, a rotina passou a ser dividida entre turnos na universidade e na escola, além das atividades acadêmicas exigidas pelas duas formações, o que demandou reorganização do tempo e adaptação ao ritmo do ensino superior.

Segundo relato da própria estudante, disciplinas iniciais do curso de Medicina apresentaram um nível de cobrança distinto do vivido até então, com avaliações e conteúdos que contrastavam com a experiência acumulada no Ensino Médio.

Enquanto lidava com essas exigências, Louise também acompanhava os colegas da escola em fase de preparação para vestibulares e para a formatura, convivendo simultaneamente com dois momentos distintos da vida acadêmica.

Até o fim de 2024, a expectativa predominante era permanecer na UFAM, já que a vida pessoal e os estudos estavam concentrados em Manaus e a vaga conquistada representava um avanço relevante naquele estágio da formação.

Ainda assim, ao longo do segundo semestre, surgiu o interesse em tentar processos seletivos fora do estado, movimento que ganhou força com o incentivo de professores e o contato mais frequente com informações sobre vestibulares paulistas.

No fim do ano, a estudante realizou provas como a Fuvest e o vestibular da Unicamp, conciliando as viagens a São Paulo com compromissos acadêmicos mantidos na universidade federal.

Vestibulares fora do estado e mudança de plano

As primeiras tentativas em vestibulares fora do Amazonas não resultaram em aprovação, mas serviram como referência para compreender o nível de cobrança das provas e os formatos adotados pelas instituições paulistas.

A partir dessa experiência, Louise avaliou que seria necessário um período de preparação mais direcionada, o que levou à decisão de trancar temporariamente o curso de Medicina na UFAM.

Com isso, a estudante abriu mão de uma vaga já garantida para investir em um ano de cursinho em São Paulo, escolha discutida previamente com a família e mantida com cautela, já que a vaga federal permaneceu como alternativa.

Além do aspecto acadêmico, a mudança representou também a saída de casa e a adaptação a uma nova cidade, fatores que passaram a integrar o projeto pessoal naquele momento da trajetória.

Rotina intensa de cursinho em São Paulo

Ao longo de 2025, já instalada em São Paulo, Louise estruturou o cotidiano em torno dos estudos, com jornadas que começavam por volta das 7h e se estendiam até as 21h, somando até 14 horas diárias entre aulas, exercícios e revisões.

A estratégia adotada consistia em acompanhar o ritmo das aulas e evitar o acúmulo de conteúdo, buscando concluir listas de exercícios e revisões antes da apresentação de novos temas em cada disciplina.

Os intervalos entre as aulas eram utilizados como pausas curtas, consideradas necessárias para manter a concentração ao longo do dia e sustentar o rendimento em uma rotina prolongada de estudos.

Segundo a estudante, a pressão não vinha de cobranças diretas da família, mas da responsabilidade associada ao investimento feito para viabilizar o ano de cursinho e à decisão de ter deixado uma vaga já conquistada.

Nesse contexto, o apoio dos pais, de amigos e do namorado, que também se preparava para vestibular de Medicina, foi apontado como um elemento relevante para a manutenção da rotina.

Aprovações e escolha da universidade

Com o encerramento do ano, teve início a divulgação dos resultados dos vestibulares, processo que ocorreu de forma gradual e sem que a estudante tivesse uma avaliação precisa do próprio desempenho nas provas.

A primeira aprovação confirmada foi a da Unicamp, informada por uma amiga, seguida pela divulgação das listas da USP, Unesp, Unifesp, Santa Casa e UFMG.

Na Unesp, Louise obteve o primeiro lugar, enquanto na Unifesp ficou em segundo, além de registrar 980 pontos na redação do Enem, resultado divulgado posteriormente.

Diante das opções disponíveis, a estudante decidiu ingressar na Faculdade de Medicina da USP, onde já realizou a matrícula e aguarda o início das atividades acadêmicas.

Formação escolar e orientações a estudantes

Filha de um engenheiro e de uma advogada, Louise relatou que a valorização dos estudos esteve presente desde a infância, período em que participou de cursos extracurriculares e de atividades esportivas e artísticas.

Aos 10 anos, ingressou em uma escola pública militar em Manaus, instituição na qual permaneceu até a conclusão do Ensino Médio, conciliando, nos dois primeiros anos, a rotina escolar com um cursinho pré-vestibular.

Ao refletir sobre o próprio percurso, a estudante afirmou que a decisão de trancar a vaga na universidade federal exigiu planejamento e avaliação cuidadosa dos limites pessoais e acadêmicos.

Para quem inicia a preparação para vestibulares, Louise destaca a importância da organização, da constância nos estudos e da inclusão de períodos de descanso ao longo do processo.

Com uma trajetória marcada por escolhas estratégicas e mudanças de rota ao longo da formação, como avaliar o momento adequado para manter uma conquista já assegurada ou apostar em novos caminhos acadêmicos?

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antonio carlos sulzbach da silva
antonio carlos sulzbach da silva
12/02/2026 13:13

Parabéns a menina. Mas sendo de origem familiar abonada é muito mais fácil conseguir essas pontuações.
Embora deve-se realçar o empenho denodado de estudar. É grande mérito.
Mas para quem não tem essa sorte devida e principalmente sendo de origem indígena, preta e de família de parcos recursos, essas conquistas se tornam quase impossível.
Parabéns ao Governo Federal pela “cotas” nas universidades e pelo programa maravilhoso do Pé de Meia.
É dever do estado cuidar de seus cidadãos, especialmente os mais fragilizados socialmente.

Alcides Vieira da Silva
Alcides Vieira da Silva
10/02/2026 15:10

Parabéns pela dedicação aos estudos. Pelo estudo ÉS TUDO

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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