Trajetória de aposentado de Patos do Piauí expõe como EJA, Enem e Sisu podem abrir portas para universidade federal em qualquer idade, combinando rotina noturna, preparação em intervalos e seleção nacional para curso de Ciências Biológicas na UFPI, com repercussão local e familiar.
Aos 74 anos, o aposentado João José de Carvalho conquistou uma vaga no curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Piauí (UFPI) ao usar, pela primeira vez, a nota do Enem para disputar o Sisu.
Morador de Patos do Piauí, no interior do estado, ele chegou ao resultado enquanto retomava a trajetória escolar pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade voltada a quem não concluiu a educação básica no período considerado regular.
Seleção pelo Sisu e resultado com a nota do Enem
O ingresso saiu no processo seletivo nacional que distribui vagas em instituições públicas a partir do desempenho no exame.
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Em janeiro de 2025, com a divulgação do resultado do Sisu, a Secretaria de Estado da Educação do Piauí (Seduc) reuniu casos de estudantes da EJA que conseguiram vaga no ensino superior, incluindo o de João.
Ao mesmo tempo em que segue um caminho formal, igual ao de outros candidatos, a história chama atenção por reunir dois movimentos pouco associados no imaginário de muitos estudantes: voltar para a sala de aula décadas depois e enfrentar a prova que se tornou a principal porta de entrada para universidades públicas em todo o país.
Rotina na EJA noturna e tempo de estudo
João estudava na EJA do Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Reunida de Patos, em Patos do Piauí.

Segundo a Seduc, a oferta de aulas à noite pesou na decisão de recomeçar, já que a modalidade é desenhada para quem precisa conciliar estudo com outras obrigações ao longo do dia.
Em relato divulgado pela rede estadual, ele descreveu como a preparação entrou nos intervalos da rotina.
“Trabalho no setor de eletroeletrônicos e estudava sempre que tinha uma folga”. “Voltei à escola porque a EJA oferece aulas no período noturno”.
A participação no Enem ocorreu em 2024, ano em que, de acordo com as publicações sobre o caso, João concluiu o ensino médio pela EJA e decidiu se inscrever no exame.
A vaga, então, foi disputada com a nota obtida na prova e confirmada pelo Sisu.
Enem e universidade pública: etapas iguais para todos
O Sisu é o sistema do Ministério da Educação que seleciona candidatos para vagas em universidades e institutos federais com base nas notas do Enem, respeitando a oferta de cursos e as regras de cada instituição.
Foi por essa via que João apareceu entre os aprovados.
A divulgação do resultado do Sisu 2025 ocorreu em 27 de janeiro, conforme registraram os órgãos e veículos que acompanharam a seleção naquele período.
A partir daí, os aprovados seguem para as etapas de matrícula e apresentação de documentação exigidas pela instituição de ensino.
No caso de João, o ponto central é que a idade não altera as etapas do processo: ele se inscreveu, fez a prova, usou a nota no sistema e alcançou a classificação necessária para o curso escolhido, dentro das regras aplicadas a todos os concorrentes.
EJA no Piauí e impacto no entorno
Ao divulgar a lista de estudantes da EJA aprovados no ensino superior, a Seduc tratou o caso como parte de um conjunto de trajetórias retomadas por quem estava fora da escola.

Na mesma publicação, a secretaria também citou outras aprovações relacionadas à EJA e à EJA TEC, reforçando o papel dessas modalidades na conclusão da educação básica e na abertura de portas para seleções como o Enem.
Entre os elementos associados à história, as reportagens registraram que João é avô de cinco netos e é conhecido na comunidade pelo apelido “Jã Jão”.
A visibilidade do caso, nessas narrativas, está ligada à combinação entre um cotidiano de trabalho, a retomada do estudo noturno e a aprovação em uma universidade federal sem qualquer exceção no rito do ingresso.
A própria fala do estudante foi usada para resumir o significado da conquista em um contexto familiar.
“Estudar é sempre a melhor opção. Estou muito feliz. Todo tempo é tempo para aprender. Nunca é tarde”.
Ao lado disso, a Seduc também publicou a avaliação do secretário Washington Bandeira, para quem “a EJA e a EJA TEC garantem mais e melhores oportunidades às pessoas que estavam fora da escola”.
Ciências Biológicas, curso para o qual João foi aprovado, reúne formações voltadas ao estudo da vida, com campos como ecologia, genética, zoologia, botânica e microbiologia, além de caminhos profissionais no ensino e na pesquisa.
A entrada pela EJA, no caso dele, mostra que a retomada da escolarização pode levar ao ensino superior público mesmo quando o retorno aos estudos ocorre depois de décadas.
Se a vaga de João saiu da combinação entre EJA noturna, Enem e Sisu, quais barreiras ainda afastam jovens, adultos e idosos de tentarem o mesmo percurso até uma universidade pública?

Tem um comentário. Sou aluna do Eja quero fazer uma pergunta o porquer que os alunos do eja nao tem o beneficio pé de meia
Os alunos da EJA têm direito ao pé-de-meia.
O Programa Pé-de-Meia é destinado a estudantes matriculados no ensino médio da rede pública de ensino, e para participar, é necessário atender aos seguintes critérios:
Ser estudante matriculado no ensino médio regular das redes públicas e ter entre 14 a 24 anos ou estudante da educação de jovens e adultos (EJA) das redes públicas e ter entre 19 e 24 anos;
Ser integrante de família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e que tenha renda, por pessoa, de até meio salário-mínimo;
Ter inscrição regular no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF);
Ter o mínimo de 80% de frequência escolar no mês;
Procure a secretaria da sua escola e veja se você tem direito.
Muitos querem profissão de destaque, como medicina. O senhor escolheu biologia. Que orgulho do senhor, pois, a medicina surge da biologia. Seu liiiindo com muito carinho e respeito. Parabéns!!!! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Excelente! Parabéns ao João!