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Brasil vira ‘país da desigualdade’ com ganhos dos ricos crescendo quase 3 vezes mais que os dos pobres e diferença salarial chegando a 13,8

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/05/2026 às 18:25
Atualizado em 09/05/2026 às 18:28
Renda média dos brasileiros bate recorde em 2025, mas desigualdade cresce com avanço maior dos ganhos entre os mais ricos.
Renda média dos brasileiros bate recorde em 2025, mas desigualdade cresce com avanço maior dos ganhos entre os mais ricos.
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Renda média dos brasileiros alcança maior nível da série histórica, enquanto avanço mais forte entre os grupos de maior rendimento amplia novamente a desigualdade no país, segundo dados mais recentes da Pnad Contínua divulgados pelo IBGE.

O rendimento médio mensal da população brasileira alcançou em 2025 o maior nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua, levantamento produzido pelo IBGE.

Mesmo com a expansão da renda, do emprego e da massa de ganhos das famílias, os indicadores mostram que a desigualdade voltou a crescer no país.

Renda média no Brasil atinge recorde histórico

Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que o rendimento médio real de todas as fontes chegou a R$ 3.367 no ano passado.

O valor representa alta de 5,4% em relação a 2024 e supera o recorde anterior registrado pela pesquisa iniciada em 2012.

Ao mesmo tempo, o Índice de Gini, indicador usado para medir a concentração de renda, subiu de 0,487 para 0,491.

Embora permaneça abaixo dos níveis observados antes da pandemia, o avanço indica que a renda cresceu em ritmo mais acelerado entre as faixas mais altas da população.

A pesquisa mostra que cerca de 143 milhões de brasileiros tinham algum tipo de rendimento em 2025.

O grupo corresponde a 67,2% da população residente no país e reúne pessoas com renda do trabalho, aposentadorias, pensões, programas sociais, aluguel e outras fontes.

Mercado de trabalho impulsiona renda recorde

A renda do trabalho seguiu como principal motor dos ganhos dos brasileiros. Segundo o levantamento, 47,8% da população tinham rendimento proveniente de ocupação no ano passado.

O percentual representa crescimento de 0,7 ponto percentual em comparação com 2024. Entre os trabalhadores, o rendimento médio mensal chegou a R$ 3.560.

O valor ficou 5,7% acima da média registrada no ano anterior e também estabeleceu um novo recorde histórico para a série da Pnad Contínua.

A expansão da renda ocorreu em um cenário de mercado de trabalho aquecido, com aumento da ocupação e manutenção do desemprego em níveis historicamente baixos. Além disso, os reajustes reais do salário mínimo e a continuidade dos programas de transferência de renda contribuíram para elevar os ganhos médios da população.

O analista da Pnad Contínua Gustavo Geaquinto Fontes afirmou que a melhora recente dos rendimentos está diretamente relacionada ao avanço da ocupação e à recuperação do mercado de trabalho após os impactos econômicos dos últimos anos.

Segundo ele, o crescimento da renda também foi influenciado pela política de valorização do salário mínimo e pela ampliação de programas sociais.

Ainda assim, o especialista observou uma desaceleração no ritmo de crescimento da renda entre os grupos mais pobres.

Aposentadorias e programas sociais na composição da renda

Além dos rendimentos do trabalho, outras fontes de renda continuaram com participação relevante no orçamento das famílias brasileiras. O percentual da população que recebe aposentadoria ou pensão subiu de 13,5% para 13,8% em 2025.

Com o avanço, o contingente de aposentados e pensionistas chegou a 29,3 milhões de pessoas. O rendimento médio mensal desse grupo foi estimado em R$ 2.697, valor 2,1% superior ao registrado em 2024.

Desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012, a participação da renda associada à aposentadoria e pensão aumentou de 11,7% para os atuais 13,8%. O movimento acompanha o envelhecimento gradual da população brasileira e o crescimento do número de beneficiários da Previdência.

Outras modalidades de rendimento também tiveram avanço moderado. Houve aumento na participação das pessoas com renda proveniente de aluguel e arrendamento, que passou de 1,8% para 1,9%, além de crescimento entre aqueles que recebem pensão alimentícia, doações e mesadas.

Em contrapartida, os programas sociais foram a única modalidade com retração no rendimento médio. O valor recebido pelos beneficiários caiu de R$ 875 para R$ 870 em 2025.

Apesar da redução anual, os benefícios sociais permanecem muito acima dos níveis registrados antes da pandemia. Em 2019, o rendimento médio desse grupo era de R$ 508, o que significa crescimento acumulado superior a 70% no período.

Renda domiciliar per capita cresce no país

A renda domiciliar per capita, indicador que considera os ganhos divididos pelo número de moradores do domicílio, também bateu recorde em 2025. Segundo o IBGE, o valor médio mensal chegou a R$ 2.264.

O resultado representa crescimento real de 6,9% em relação ao ano anterior. Em 2024, a renda domiciliar per capita estava em R$ 2.118.

Na comparação com 2019, o avanço acumulado chega a 18,9%. Já em relação ao início da série histórica, o crescimento foi de aproximadamente 27%.

Os dados mostram ainda que o rendimento do trabalho respondeu por 75,1% da renda domiciliar das famílias brasileiras. As aposentadorias e pensões aparecem em seguida, com participação de 16,4%.

Os programas sociais corresponderam a 3,5% da composição da renda domiciliar, enquanto os ganhos provenientes de aluguel e arrendamento representaram 2,1%.

Desigualdade cresce entre ricos e pobres

Embora a renda média tenha crescido em praticamente todos os grupos, a velocidade desse avanço foi maior entre os brasileiros com rendimentos mais elevados.

A parcela dos 10% mais ricos da população registrou aumento de 8,7% nos ganhos médios. O rendimento desse grupo passou de R$ 8.385 para R$ 9.117 em apenas um ano.

Já entre os 40% da população com menores rendimentos, o crescimento foi mais limitado. O rendimento domiciliar per capita desse grupo subiu 3,1%, passando de R$ 260 para R$ 268.

O IBGE também apontou que os 40% mais pobres encerraram 2025 com renda familiar per capita de até R$ 1.027. Mesmo com crescimento anual de 4,7%, o desempenho ficou abaixo do observado entre as classes de renda mais altas.

Na comparação com 2019, entretanto, a renda média dos grupos mais pobres acumulou avanço de 37,6%, resultado associado principalmente à expansão dos programas sociais e à recuperação gradual do mercado de trabalho.

Ainda assim, a diferença entre ricos e pobres voltou a aumentar. Em 2025, os 10% mais ricos recebiam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres.

No levantamento anterior, essa distância era de 13,2 vezes. Apesar da alta recente, o indicador ainda permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia.

Regiões do Brasil mostram diferenças na desigualdade

A análise regional revela diferenças importantes na distribuição da renda pelo país. O Sul permaneceu como a região menos desigual do Brasil, com Índice de Gini de 0,445.

O Nordeste continuou apresentando a maior concentração de renda entre todas as regiões brasileiras. Ainda assim, houve leve melhora no indicador regional, que caiu de 0,509 para 0,507.

Já no Norte, a desigualdade voltou a crescer de forma mais intensa. O Índice de Gini regional avançou de 0,477 para 0,491 no período analisado.

No Centro-Oeste, o indicador subiu de 0,464 para 0,485, enquanto o Sudeste registrou aumento de 0,476 para 0,482.

Os números reforçam que o crescimento da renda não ocorreu de maneira homogênea entre regiões e faixas sociais. Embora o país tenha alcançado o maior rendimento médio da série histórica, os ganhos mais fortes entre as camadas de maior renda ampliaram novamente a concentração.

Especialistas do IBGE avaliam que o cenário atual combina fatores positivos do mercado de trabalho com limitações estruturais históricas da distribuição de renda no Brasil. A recuperação econômica elevou os rendimentos médios, mas não foi suficiente para impedir o avanço recente da desigualdade.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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