Renda média dos brasileiros alcança maior nível da série histórica, enquanto avanço mais forte entre os grupos de maior rendimento amplia novamente a desigualdade no país, segundo dados mais recentes da Pnad Contínua divulgados pelo IBGE.
O rendimento médio mensal da população brasileira alcançou em 2025 o maior nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua, levantamento produzido pelo IBGE.
Mesmo com a expansão da renda, do emprego e da massa de ganhos das famílias, os indicadores mostram que a desigualdade voltou a crescer no país.
Renda média no Brasil atinge recorde histórico
Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que o rendimento médio real de todas as fontes chegou a R$ 3.367 no ano passado.
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O valor representa alta de 5,4% em relação a 2024 e supera o recorde anterior registrado pela pesquisa iniciada em 2012.
Ao mesmo tempo, o Índice de Gini, indicador usado para medir a concentração de renda, subiu de 0,487 para 0,491.
Embora permaneça abaixo dos níveis observados antes da pandemia, o avanço indica que a renda cresceu em ritmo mais acelerado entre as faixas mais altas da população.
A pesquisa mostra que cerca de 143 milhões de brasileiros tinham algum tipo de rendimento em 2025.
O grupo corresponde a 67,2% da população residente no país e reúne pessoas com renda do trabalho, aposentadorias, pensões, programas sociais, aluguel e outras fontes.
Mercado de trabalho impulsiona renda recorde
A renda do trabalho seguiu como principal motor dos ganhos dos brasileiros. Segundo o levantamento, 47,8% da população tinham rendimento proveniente de ocupação no ano passado.
O percentual representa crescimento de 0,7 ponto percentual em comparação com 2024. Entre os trabalhadores, o rendimento médio mensal chegou a R$ 3.560.
O valor ficou 5,7% acima da média registrada no ano anterior e também estabeleceu um novo recorde histórico para a série da Pnad Contínua.
A expansão da renda ocorreu em um cenário de mercado de trabalho aquecido, com aumento da ocupação e manutenção do desemprego em níveis historicamente baixos. Além disso, os reajustes reais do salário mínimo e a continuidade dos programas de transferência de renda contribuíram para elevar os ganhos médios da população.
O analista da Pnad Contínua Gustavo Geaquinto Fontes afirmou que a melhora recente dos rendimentos está diretamente relacionada ao avanço da ocupação e à recuperação do mercado de trabalho após os impactos econômicos dos últimos anos.
Segundo ele, o crescimento da renda também foi influenciado pela política de valorização do salário mínimo e pela ampliação de programas sociais.
Ainda assim, o especialista observou uma desaceleração no ritmo de crescimento da renda entre os grupos mais pobres.
Aposentadorias e programas sociais na composição da renda
Além dos rendimentos do trabalho, outras fontes de renda continuaram com participação relevante no orçamento das famílias brasileiras. O percentual da população que recebe aposentadoria ou pensão subiu de 13,5% para 13,8% em 2025.
Com o avanço, o contingente de aposentados e pensionistas chegou a 29,3 milhões de pessoas. O rendimento médio mensal desse grupo foi estimado em R$ 2.697, valor 2,1% superior ao registrado em 2024.
Desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012, a participação da renda associada à aposentadoria e pensão aumentou de 11,7% para os atuais 13,8%. O movimento acompanha o envelhecimento gradual da população brasileira e o crescimento do número de beneficiários da Previdência.
Outras modalidades de rendimento também tiveram avanço moderado. Houve aumento na participação das pessoas com renda proveniente de aluguel e arrendamento, que passou de 1,8% para 1,9%, além de crescimento entre aqueles que recebem pensão alimentícia, doações e mesadas.
Em contrapartida, os programas sociais foram a única modalidade com retração no rendimento médio. O valor recebido pelos beneficiários caiu de R$ 875 para R$ 870 em 2025.
Apesar da redução anual, os benefícios sociais permanecem muito acima dos níveis registrados antes da pandemia. Em 2019, o rendimento médio desse grupo era de R$ 508, o que significa crescimento acumulado superior a 70% no período.
Renda domiciliar per capita cresce no país
A renda domiciliar per capita, indicador que considera os ganhos divididos pelo número de moradores do domicílio, também bateu recorde em 2025. Segundo o IBGE, o valor médio mensal chegou a R$ 2.264.
O resultado representa crescimento real de 6,9% em relação ao ano anterior. Em 2024, a renda domiciliar per capita estava em R$ 2.118.
Na comparação com 2019, o avanço acumulado chega a 18,9%. Já em relação ao início da série histórica, o crescimento foi de aproximadamente 27%.
Os dados mostram ainda que o rendimento do trabalho respondeu por 75,1% da renda domiciliar das famílias brasileiras. As aposentadorias e pensões aparecem em seguida, com participação de 16,4%.
Os programas sociais corresponderam a 3,5% da composição da renda domiciliar, enquanto os ganhos provenientes de aluguel e arrendamento representaram 2,1%.
Desigualdade cresce entre ricos e pobres
Embora a renda média tenha crescido em praticamente todos os grupos, a velocidade desse avanço foi maior entre os brasileiros com rendimentos mais elevados.
A parcela dos 10% mais ricos da população registrou aumento de 8,7% nos ganhos médios. O rendimento desse grupo passou de R$ 8.385 para R$ 9.117 em apenas um ano.
Já entre os 40% da população com menores rendimentos, o crescimento foi mais limitado. O rendimento domiciliar per capita desse grupo subiu 3,1%, passando de R$ 260 para R$ 268.
O IBGE também apontou que os 40% mais pobres encerraram 2025 com renda familiar per capita de até R$ 1.027. Mesmo com crescimento anual de 4,7%, o desempenho ficou abaixo do observado entre as classes de renda mais altas.
Na comparação com 2019, entretanto, a renda média dos grupos mais pobres acumulou avanço de 37,6%, resultado associado principalmente à expansão dos programas sociais e à recuperação gradual do mercado de trabalho.
Ainda assim, a diferença entre ricos e pobres voltou a aumentar. Em 2025, os 10% mais ricos recebiam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres.
No levantamento anterior, essa distância era de 13,2 vezes. Apesar da alta recente, o indicador ainda permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia.
Regiões do Brasil mostram diferenças na desigualdade
A análise regional revela diferenças importantes na distribuição da renda pelo país. O Sul permaneceu como a região menos desigual do Brasil, com Índice de Gini de 0,445.
O Nordeste continuou apresentando a maior concentração de renda entre todas as regiões brasileiras. Ainda assim, houve leve melhora no indicador regional, que caiu de 0,509 para 0,507.
Já no Norte, a desigualdade voltou a crescer de forma mais intensa. O Índice de Gini regional avançou de 0,477 para 0,491 no período analisado.
No Centro-Oeste, o indicador subiu de 0,464 para 0,485, enquanto o Sudeste registrou aumento de 0,476 para 0,482.
Os números reforçam que o crescimento da renda não ocorreu de maneira homogênea entre regiões e faixas sociais. Embora o país tenha alcançado o maior rendimento médio da série histórica, os ganhos mais fortes entre as camadas de maior renda ampliaram novamente a concentração.
Especialistas do IBGE avaliam que o cenário atual combina fatores positivos do mercado de trabalho com limitações estruturais históricas da distribuição de renda no Brasil. A recuperação econômica elevou os rendimentos médios, mas não foi suficiente para impedir o avanço recente da desigualdade.

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