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Brasil vira alvo dos investidores em mineração, mas só 27% do território está mapeado com precisão, enquanto 10 vezes mais mineradoras brasileiras buscam capital na Bolsa de Toronto; estudo aponta entraves e projeta até US$ 77 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030

Escrito por Carla Teles
Publicado em 24/04/2026 às 19:31
Atualizado em 24/04/2026 às 19:42
Assista o vídeoBrasil vira alvo dos investidores em mineração, mas só 27% do território está mapeado com precisão, enquanto 10 vezes mais mineradoras brasileiras buscam capital na Bolsa de Toronto
Mineração em alta: mapeamento geológico limitado, mercado de capitais fraco e licenciamento ambiental lento travam minerais críticos no Brasil.
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Estudo aponta que a mineração no Brasil tem reservas e base produtiva madura, mas perde velocidade por incertezas geológicas, insegurança tributária, licenciamento ambiental lento e falta de capital, justamente quando investidores apertam exigências e o país vira alvo do dinheiro global

O Brasil virou alvo dos investidores no setor de mineração, impulsionado pela corrida por novas tecnologias e pela demanda crescente por minerais críticos e commodities como minério de ferro. Um estudo apresentado em entrevista na CNBC Brasil afirma que o mercado está mais exigente do que nunca e que, para fechar negócio, não basta produzir bem: é preciso mostrar capacidade de entrega e respeito ao meio ambiente.

Ao mesmo tempo, o país carrega entraves que travam decisões e atrasam projetos, mesmo com reservas consideradas um diferencial competitivo. Entre os principais pontos levantados estão incertezas geológicas, insegurança tributária, morosidade no licenciamento ambiental e um mercado de capitais ainda incipiente, cenário que ajuda a explicar por que tantas empresas buscam financiamento fora do Brasil.

Mineração no Brasil acima da média, mas em uma disputa global que não perdoa

Segundo a análise apresentada, o Brasil não está “atrasado”, mas está dentro de um mercado competitivo globalmente, no qual a régua é alta e a cobrança por desempenho é constante. O país teria uma cadeia produtiva madura, regulações relativamente estáveis e reconhecidas, embora ainda abaixo de referências como Canadá e Austrália, mas acima de competidores como Peru e Congo no mesmo mercado.

O diferencial central, porém, está no subsolo: as reservas de minerais críticos e de minerais em grande escala, como minério de ferro, estão no Brasil e precisam ser desenvolvidas. A mensagem do estudo é direta: não é só extrair minério, é avançar na cadeia, processar mais no país e transformar produção em riqueza com maior valor agregado.

O gargalo que muda tudo: só 27% do território mapeado com precisão para investimento

O ponto mais sensível do estudo é a chamada “incerteza geológica”. Em termos práticos, a entrevista resume assim: aproximadamente 27% do território brasileiro estaria mapeado em um nível de precisão que permite tomada de decisão de investimentos.

A consequência é grande. A leitura apresentada é que o país teria “três quartos” do território com potencial mineral ainda pouco conhecido com o nível necessário para atrair capital e acelerar exploração. Em países concorrentes, esse estágio seria mais avançado. Por isso, o estudo defende um acordo entre instituições do governo e iniciativa privada para intensificar mapeamento e etapas de exploração no Brasil.

O gargalo do dinheiro: por que a Bolsa de Toronto atrai 10 vezes mais mineradoras brasileiras

Além da geologia, o estudo aponta um problema de financiamento. A crítica é que falta iniciativa de investimento e falta entendimento do sistema financeiro, do governo e dos próprios investidores sobre as etapas de financiamento de projetos de mineração, principalmente na fase inicial e mais arriscada, a exploração.

O dado mais chamativo citado é direto: haveria 10 vezes mais mineradoras brasileiras listadas na Bolsa de Toronto do que na Bovespa. A entrevista ressalta que, para grandes empresas, o custo de captação estaria equiparado ao mercado internacional, mas para empresas menores, que dependem de um projeto e de uma fase inicial de exploração, faltariam instrumentos de financiamento no país.

O que muda para quem está na ponta: exploração precisa de instrumento e o mercado precisa entender o risco

A fala central é que o setor financeiro precisa conhecer mais o mercado de mineração no Brasil, especialmente a lógica de risco da exploração. Sem uma prateleira de instrumentos adequada, empresas menores ficam mais dependentes de mercados externos ou de ciclos de capital mais difíceis, o que pode atrasar descobertas, diminuir o ritmo de novos projetos e concentrar a atividade onde já existe infraestrutura.

Na prática, isso empurra parte do ecossistema para fora, reduz o número de projetos financiáveis em estágio inicial e limita a capacidade de transformar potencial geológico em investimento real.

BNDES entrou no jogo com fundo de R$ 1 bilhão, mas o estudo diz que ainda é modesto

A entrevista cita uma iniciativa concreta: no ano passado, o BNDES lançou um fundo de R$ 1 bilhão, com participação do BNDES e da iniciativa privada, voltado para empresas pequenas e médias e para a etapa de exploração.

O próprio comentário destaca que o valor ainda seria modesto frente ao que é necessário, o que reforça a tese do estudo de que o gargalo não é apenas ter reserva, mas criar condições de financiamento e previsibilidade para que a cadeia avance.

Os números que explicam por que a mineração pesa na economia do Brasil

O estudo reforça o tamanho do setor com indicadores que colocam a mineração como peça estrutural do país. Segundo o que foi dito na entrevista, 55% do saldo da balança comercial do Brasil no ano passado veio da mineração.

Além disso, a fala aponta quase R$ 300 bilhões em receitas para o país e uma carteira de investimento de mais de US$ 70 bilhões. Esses números ajudam a explicar por que investidores internacionais estão de olho no Brasil e por que o debate sobre destravar projetos tem impacto direto em emprego, arrecadação e competitividade.

Por que isso chama atenção agora: minerais críticos, terras raras e um Brasil fora de zonas de conflito

Entre as vantagens, a entrevista cita abundância e qualidade de minerais críticos, com destaque para terras raras, além do fato de o Brasil estar fora de zonas de conflito e não estar envolvido em guerra, o que reduz bloqueios e ruídos geopolíticos tanto com Estados Unidos quanto com China.

O estudo também menciona “minerais que preenchem lacunas globais” e um potencial de industrialização para agregar valor, sinalizando que o apetite do capital não é apenas por volume, mas por cadeias mais completas, com processamento e refino.

Industrialização e valor agregado: o ponto em que o Brasil perde para gigantes do G20

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Apesar da força da mineração, a entrevista aponta que o Brasil aparece mal posicionado quando comparado a países do G20 em produtos de alto valor agregado. A leitura é que o país é campeão de exportação de commodities, o que não é “ruim”, mas vira limite quando o objetivo é capturar margens maiores.

O estudo argumenta que, a cada etapa que se avança na cadeia de valor, aumentam receitas e margens. E traz exemplos de outras jurisdições que beneficiam mais o minério, como Austrália, Canadá, Estados Unidos e China. Também é citado que há países, como o Chile, pensando em modelos para incentivar beneficiamento e refino no próprio território.

US$ 77 bilhões entre 2026 e 2030: o que o estudo projeta e por que a execução vira o verdadeiro teste

O trecho final apresentado na entrevista traz a projeção mais chamativa: investimentos entre 2026 e 2030 na casa de US$ 77 bilhões, descritos como o maior valor da série histórica contabilizada desde 2014. O recorte também aponta concentração, com quase US$ 20 bilhões em uma região só, no estado de Minas Gerais.

A entrevista reforça que a mineração tende a se concentrar em alguns estados, o que não seria incomum. Foram citados Minas Gerais, Pará, Bahia e Goiás como estados que “capitaneiam” esse processo. Ao mesmo tempo, foi defendida a necessidade de diversificar além de minério de ferro, ouro, cobre, com potencial para lítio, terras raras e ampliação da produção de cobre, o que pode espalhar participação de mais estados ao longo do tempo.

Na fala do entrevistado, esse volume de investimento aparece também como um plano de US$ 76 bilhões que precisa ser executado. E a execução, segundo ele, depende de licenciamento feito de forma correta e mais ágil, estabilidade regulatória para atrair capitais e competência técnica para tocar projetos, incluindo engenharia, condicionantes de sustentabilidade, força de trabalho e cadeia de fornecedores.

As próximas etapas para destravar o ciclo: mapeamento, licenciamento mais ágil e estabilidade para o capital

O estudo coloca um caminho objetivo: intensificar o mapeamento do território com precisão para investimento, ampliar as etapas de exploração e criar meios de cooperação entre governo e iniciativa privada. Em paralelo, reduzir insegurança tributária e destravar licenciamento ambiental com mais agilidade, mantendo correção e critérios, aparece como chave para tirar projetos do papel.

A lógica final é simples e prática: quanto mais competente for a execução e quanto mais previsível for o ambiente, mais capital o Brasil tende a atrair para a mineração, especialmente em um momento em que o mundo corre por minerais e metais essenciais para novas tecnologias.

Você acha que o Brasil vai conseguir destravar mapeamento, licenciamento e financiamento a tempo de transformar esse interesse em investimento real entre 2026 e 2030?

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Carla Teles

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