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Brasil ultrapassa zonas de guerra e entra no top 10 da violência global, sendo citado ao lado de Palestina, Mianmar e Síria

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 13/12/2025 às 13:22 Atualizado em 13/12/2025 às 13:47
Assista o vídeoBrasil entra no top 10 da violência global em 2025, segundo índice da Acled, ao lado de zonas de guerra, com dados sobre letalidade, risco a civis.
Brasil entra no top 10 da violência global em 2025, segundo índice da Acled, ao lado de zonas de guerra, com dados sobre letalidade, risco a civis.
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Levantamento internacional coloca o país entre os cenários mais violentos do planeta em 2025, ao lado de territórios em guerra, com base em dados de letalidade, risco para civis, alcance territorial e atuação de grupos armados, segundo organização especializada.

O Brasil apareceu entre os cenários de violência mais severa do mundo em 2025.

Ficou na 7ª posição do Índice de Conflitos da organização Acled (Armed Conflict Location & Event Data Project), que compara a intensidade da violência em países e territórios usando dados de eventos registrados ao longo do ano.

A classificação coloca o país no grupo de nível “extremo”, ao lado de locais afetados por guerras civis, insurgências armadas e confrontos envolvendo grupos armados e forças estatais.

O índice considera quatro critérios para medir a severidade dos conflitos: letalidade, perigo para civis, dispersão geográfica da violência e fragmentação de grupos armados.

A partir dessas métricas, a Acled ranqueia os 50 cenários mais graves e os classifica em faixas como extremos, altos ou turbulentos.

A atualização divulgada pela organização também aponta o volume global de violência no período analisado.

Foram 204.605 eventos de conflito registrados entre 1º de dezembro de 2024 e 28 de novembro de 2025, com estimativa conservadora de mais de 240 mil mortes no mundo.

Metodologia do Índice de Conflitos da Acled

A metodologia do Índice de Conflitos se baseia em dados eventuais coletados e padronizados pela própria Acled.

O objetivo é comparar países que enfrentam formas diferentes de violência, desde guerras abertas até disputas criminais com impacto territorial e ataques contra civis.

Em “letalidade”, o foco é o número de mortes associadas a eventos violentos.

Já o indicador de perigo observa a violência direcionada a civis.

“Dispersão geográfica” mede quanto do território apresenta níveis elevados de violência.

Por fim, fragmentação avalia quantos grupos armados não estatais atuam em episódios violentos, um sinal de complexidade e dificuldade de resolução do conflito.

Segundo a organização, países que se mantêm altos em três ou quatro indicadores tendem a representar os cenários mais severos e mais difíceis de conter.

Foi nesse recorte que o Brasil entrou no grupo mais crítico do levantamento.

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Por que o Brasil aparece no nível extremo de violência

Na leitura da Acled, o Brasil se destaca principalmente pelos indicadores ligados ao perigo para civis e à fragmentação.

A organização aponta que a violência associada a facções e grupos criminosos organizados contribui para manter o país entre os cenários mais críticos do mundo.

Esse enquadramento considera o conjunto de 50 países e territórios avaliados.

No texto de apoio ao ranking, a Acled afirma que “Mianmar, México, Brasil e Nigéria permaneceram consistentemente altos nos quatro indicadores do índice”.

A declaração sinaliza que esses países apresentaram, ao longo do período, uma combinação persistente de mortes, ataques contra civis, alcance territorial e multiplicidade de atores armados.

Esse enquadramento não compara apenas o número absoluto de mortes.

Também leva em conta o padrão, a recorrência e a distribuição dos episódios violentos.

O risco específico para populações civis é tratado como um fator central.

A própria Acled ressalta que a dinâmica de gangues e organizações criminosas tem peso relevante na posição do Brasil.

Especialmente em contextos urbanos marcados por disputa territorial e confrontos armados frequentes.

Ranking global de violência e países em nível extremo

O ranking foi liderado pela Palestina, descrita pela Acled como o local mais perigoso do mundo em 2025.

O território combina alta letalidade e ampla distribuição geográfica do conflito.

A organização registra que há “altos níveis de violência em quase 70% de Gaza e da Cisjordânia”.

O dado destaca a extensão do impacto sobre a população e o território.

Na sequência, aparecem Mianmar e Síria, ambos enquadrados no nível extremo.

No caso de Mianmar, a Acled aponta um grau de fragmentação considerado excepcional.

O cenário é descrito como especialmente complexo.

A organização cita a presença de “mais de 1.200 grupos armados distintos” envolvidos em episódios violentos.

O México ficou em 4º lugar.

A posição é associada à atuação de cartéis e a confrontos frequentes entre forças de segurança e grupos criminosos.

Em 5º, a Nigéria segue marcada por conflitos regionais sobrepostos e violência armada persistente.

O Equador, em 6º, entrou no grupo de maior severidade após uma escalada recente.

Segundo a Acled, o país se tornou mais letal.

O relatório aponta “mais de mil mortes adicionais por violência política em relação a 2024”.

Logo depois do Brasil, a lista inclui Haiti, Sudão e Paquistão.

Todos aparecem classificados no patamar extremo do índice.

A avaliação da Acled é que, apesar de conflitos de naturezas distintas, esses países compartilham padrões de violência intensa.

O risco elevado para civis e a dificuldade de estabilização também aparecem como elementos comuns.

América Latina e Caribe sob pressão da violência armada

O recorte regional feito pela Acled indica uma deterioração do cenário de segurança na América Latina e no Caribe.

A organização destaca a presença de México, Equador, Brasil e Haiti entre os dez países mais violentos do mundo.

O avanço de gangues e grupos criminosos é apontado como fator central para a intensificação dos confrontos armados.

Ataques contra civis e disputas territoriais aparecem como consequências diretas desse processo.

No Brasil, a Acled cita o impacto de uma grande operação policial no Rio de Janeiro, realizada em outubro.

A ação é descrita como um marco que agravou o cenário de violência ao longo do ano.

Segundo diferentes registros públicos, o total de mortos na operação variou conforme a fonte.

A Acled reportou ao menos 121 mortos.

Outras contabilizações citadas por entidades e veículos internacionais mencionaram 119 e 122 vítimas.

A organização afirma que o episódio contribuiu para um aumento de 12% nas mortes decorrentes de confrontos entre forças de segurança e grupos armados em 2025.

No Equador, a escalada da violência aparece associada também ao sistema prisional.

O texto da Acled menciona um massacre em um presídio de Machala.

O episódio deixou 32 mortos durante confrontos entre facções criminosas.

O caso expôs limites das estratégias de segurança adotadas no país.

Já no Haiti, a organização registra que operações policiais contra gangues elevaram em 80% os confrontos armados.

O aumento foi mais intenso nas áreas periféricas de Porto Príncipe.

O levantamento também descreve crescimento de ataques direcionados contra civis.

O contexto inclui fragilidade institucional e expansão territorial de grupos armados.

Enquanto isso, no México, a Acled relaciona a intensificação local da violência ao assassinato do prefeito de Uruapan, no estado de Michoacán.

Segundo a organização, os confrontos entre forças de segurança e grupos armados dobraram na região em 2025.

O aumento ocorreu apesar do anúncio de novas estratégias por parte do governo federal.

Com o Brasil consolidado entre os dez cenários mais severos do índice e a região concentrando vários países no nível extremo, que tipo de resposta pública consegue reduzir a violência sem ampliar o risco para civis?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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