Levantamento internacional coloca o país entre os cenários mais violentos do planeta em 2025, ao lado de territórios em guerra, com base em dados de letalidade, risco para civis, alcance territorial e atuação de grupos armados, segundo organização especializada.
O Brasil apareceu entre os cenários de violência mais severa do mundo em 2025.
Ficou na 7ª posição do Índice de Conflitos da organização Acled (Armed Conflict Location & Event Data Project), que compara a intensidade da violência em países e territórios usando dados de eventos registrados ao longo do ano.
A classificação coloca o país no grupo de nível “extremo”, ao lado de locais afetados por guerras civis, insurgências armadas e confrontos envolvendo grupos armados e forças estatais.
-
Folha perdida do Palimpsesto de Arquimedes reaparece em museu da França após décadas desaparecida e pode revelar, com raios X e imagens multiespectrais, cálculos matemáticos escondidos há séculos sob uma pintura adicionada ao manuscrito no século XX
-
Benefícios para professores: medida anunciada pelo MEC libera benefícios para aquisição de smartphones, notebooks e tablets destinados a professores, fortalecendo a inclusão tecnológica, incentivando a qualificação profissional e ampliando o acesso a ferramentas digitais de aprendizagem
-
Mulher vive há seis meses em aeroporto do Brasil após perder passaporte e passagem; aos 56 anos, imigrante enfrenta uma espera angustiante para tentar rever o filho de 15 anos.
-
Homem da Bahia queria receber indenização e, para isso, amputou seu próprio pé; plano envolvia R$ 1,5 milhão em 4 seguros, mas uma mochila encontrada a 350 metros revelou detalhe decisivo que derrubou sua versão.
O índice considera quatro critérios para medir a severidade dos conflitos: letalidade, perigo para civis, dispersão geográfica da violência e fragmentação de grupos armados.
A partir dessas métricas, a Acled ranqueia os 50 cenários mais graves e os classifica em faixas como extremos, altos ou turbulentos.
A atualização divulgada pela organização também aponta o volume global de violência no período analisado.
Foram 204.605 eventos de conflito registrados entre 1º de dezembro de 2024 e 28 de novembro de 2025, com estimativa conservadora de mais de 240 mil mortes no mundo.
Metodologia do Índice de Conflitos da Acled
A metodologia do Índice de Conflitos se baseia em dados eventuais coletados e padronizados pela própria Acled.
O objetivo é comparar países que enfrentam formas diferentes de violência, desde guerras abertas até disputas criminais com impacto territorial e ataques contra civis.
Em “letalidade”, o foco é o número de mortes associadas a eventos violentos.
Já o indicador de perigo observa a violência direcionada a civis.
“Dispersão geográfica” mede quanto do território apresenta níveis elevados de violência.
Por fim, fragmentação avalia quantos grupos armados não estatais atuam em episódios violentos, um sinal de complexidade e dificuldade de resolução do conflito.
Segundo a organização, países que se mantêm altos em três ou quatro indicadores tendem a representar os cenários mais severos e mais difíceis de conter.
Foi nesse recorte que o Brasil entrou no grupo mais crítico do levantamento.
Por que o Brasil aparece no nível extremo de violência
Na leitura da Acled, o Brasil se destaca principalmente pelos indicadores ligados ao perigo para civis e à fragmentação.
A organização aponta que a violência associada a facções e grupos criminosos organizados contribui para manter o país entre os cenários mais críticos do mundo.
Esse enquadramento considera o conjunto de 50 países e territórios avaliados.
No texto de apoio ao ranking, a Acled afirma que “Mianmar, México, Brasil e Nigéria permaneceram consistentemente altos nos quatro indicadores do índice”.
A declaração sinaliza que esses países apresentaram, ao longo do período, uma combinação persistente de mortes, ataques contra civis, alcance territorial e multiplicidade de atores armados.
Esse enquadramento não compara apenas o número absoluto de mortes.
Também leva em conta o padrão, a recorrência e a distribuição dos episódios violentos.
O risco específico para populações civis é tratado como um fator central.
A própria Acled ressalta que a dinâmica de gangues e organizações criminosas tem peso relevante na posição do Brasil.
Especialmente em contextos urbanos marcados por disputa territorial e confrontos armados frequentes.
Ranking global de violência e países em nível extremo
O ranking foi liderado pela Palestina, descrita pela Acled como o local mais perigoso do mundo em 2025.
O território combina alta letalidade e ampla distribuição geográfica do conflito.
A organização registra que há “altos níveis de violência em quase 70% de Gaza e da Cisjordânia”.
O dado destaca a extensão do impacto sobre a população e o território.
Na sequência, aparecem Mianmar e Síria, ambos enquadrados no nível extremo.
No caso de Mianmar, a Acled aponta um grau de fragmentação considerado excepcional.
O cenário é descrito como especialmente complexo.
A organização cita a presença de “mais de 1.200 grupos armados distintos” envolvidos em episódios violentos.
O México ficou em 4º lugar.
A posição é associada à atuação de cartéis e a confrontos frequentes entre forças de segurança e grupos criminosos.
Em 5º, a Nigéria segue marcada por conflitos regionais sobrepostos e violência armada persistente.
O Equador, em 6º, entrou no grupo de maior severidade após uma escalada recente.
Segundo a Acled, o país se tornou mais letal.
O relatório aponta “mais de mil mortes adicionais por violência política em relação a 2024”.
Logo depois do Brasil, a lista inclui Haiti, Sudão e Paquistão.
Todos aparecem classificados no patamar extremo do índice.
A avaliação da Acled é que, apesar de conflitos de naturezas distintas, esses países compartilham padrões de violência intensa.
O risco elevado para civis e a dificuldade de estabilização também aparecem como elementos comuns.
América Latina e Caribe sob pressão da violência armada
O recorte regional feito pela Acled indica uma deterioração do cenário de segurança na América Latina e no Caribe.
A organização destaca a presença de México, Equador, Brasil e Haiti entre os dez países mais violentos do mundo.
O avanço de gangues e grupos criminosos é apontado como fator central para a intensificação dos confrontos armados.
Ataques contra civis e disputas territoriais aparecem como consequências diretas desse processo.
No Brasil, a Acled cita o impacto de uma grande operação policial no Rio de Janeiro, realizada em outubro.
A ação é descrita como um marco que agravou o cenário de violência ao longo do ano.
Segundo diferentes registros públicos, o total de mortos na operação variou conforme a fonte.
A Acled reportou ao menos 121 mortos.
Outras contabilizações citadas por entidades e veículos internacionais mencionaram 119 e 122 vítimas.
A organização afirma que o episódio contribuiu para um aumento de 12% nas mortes decorrentes de confrontos entre forças de segurança e grupos armados em 2025.
No Equador, a escalada da violência aparece associada também ao sistema prisional.
O texto da Acled menciona um massacre em um presídio de Machala.
O episódio deixou 32 mortos durante confrontos entre facções criminosas.
O caso expôs limites das estratégias de segurança adotadas no país.
Já no Haiti, a organização registra que operações policiais contra gangues elevaram em 80% os confrontos armados.
O aumento foi mais intenso nas áreas periféricas de Porto Príncipe.
O levantamento também descreve crescimento de ataques direcionados contra civis.
O contexto inclui fragilidade institucional e expansão territorial de grupos armados.
Enquanto isso, no México, a Acled relaciona a intensificação local da violência ao assassinato do prefeito de Uruapan, no estado de Michoacán.
Segundo a organização, os confrontos entre forças de segurança e grupos armados dobraram na região em 2025.
O aumento ocorreu apesar do anúncio de novas estratégias por parte do governo federal.
Com o Brasil consolidado entre os dez cenários mais severos do índice e a região concentrando vários países no nível extremo, que tipo de resposta pública consegue reduzir a violência sem ampliar o risco para civis?

