O Brasil pode criar a Terrabras, estatal de terras raras proposta pelo PL 1.733/2026 do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB), apresentado em 9 de abril, com sede em Brasília e missão de explorar, industrializar e comercializar minerais estratégicos para reduzir importações e posicionar o país como referência global no setor.
O Brasil está a um projeto de lei de distância de criar sua própria estatal de minerais estratégicos. O deputado federal Rodrigo Rollemberg, do PSB, apresentou em 9 de abril de 2026 o Projeto de Lei 1.733/2026, que propõe a criação da Terra Raras Brasileiras S.A., apelidada de Terrabras. O objetivo é estabelecer o Brasil como referência na exploração e comercialização de terras raras, um grupo de minerais essenciais para a fabricação de baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, equipamentos médicos e tecnologia militar. A proposta já gerou comparações com a Petrobras, a estatal que transformou o país em potência petrolífera.
A Terrabras teria sede em Brasília e funcionaria como elo entre o governo federal e o setor privado. Diferente da Petrobras, a proposta não exige participação acionária obrigatória da União nas empresas privadas do setor, o que marca uma diferença importante no modelo. O Brasil possui reservas significativas de terras raras no subsolo, mas hoje importa boa parte dos minerais processados que sua indústria consome, enviando riqueza para fora e comprando de volta o produto acabado. A Terrabras pretende inverter essa lógica.
O que são terras raras e por que o Brasil precisa de uma estatal para explorá-las
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para as tecnologias que definem a economia do século XXI. O Brasil possui reservas desses minerais no subsolo, mas não tem cadeia industrial para processá-los internamente, o que obriga o país a exportar matéria-prima bruta e importar produtos acabados que contêm os mesmos minerais em forma processada.
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É o mesmo padrão que o Brasil enfrentava com o petróleo antes da Petrobras: ter o recurso natural mas não ter a capacidade de transformá-lo em valor agregado.
A China domina mais de 60% da produção mundial de terras raras e controla a maior parte do processamento global, o que dá ao país asiático poder de barganha sobre todas as nações que dependem desses minerais para suas indústrias de tecnologia e defesa.
Para o Brasil, criar uma estatal que desenvolva a cadeia produtiva internamente não é apenas uma questão econômica. É uma questão de soberania tecnológica em um mundo onde quem controla as terras raras controla o futuro da indústria.
Como a Terrabras funcionaria se o projeto de lei for aprovado no Brasil
O PL 1.733/2026 prevê que a Terrabras atuaria em toda a cadeia de terras raras, desde a exploração mineral até a industrialização e a comercialização dos produtos processados.
A estatal teria sede em Brasília e funcionaria como ponte entre o governo federal e empresas privadas do setor, coordenando investimentos, pesquisa e desenvolvimento de polos industriais dedicados ao processamento de minerais estratégicos em território nacional.
O projeto propõe que a Terrabras desenvolva polos industriais e de pesquisa para impulsionar a produção nacional e promover inovações tecnológicas. Ao agregar valor localmente, o Brasil expandiria sua oferta tecnológica e industrial em vez de continuar exportando minério bruto e importando componentes eletrônicos que contêm os mesmos minerais.
O modelo se inspira no papel que a Petrobras desempenhou no setor de petróleo: uma estatal que organize e acelere o desenvolvimento de um setor estratégico que o mercado privado não conseguiu desenvolver de forma completa por conta própria.
O que diferencia a Terrabras da Petrobras no modelo proposto para o Brasil
A comparação com a Petrobras é inevitável, mas o projeto da Terrabras tem diferenças estruturais importantes. O PL 1.733/2026 não prevê participação acionária obrigatória da União em empresas privadas do setor de terras raras, algo que a legislação do petróleo exige em determinadas condições.
A Terrabras funcionaria mais como articuladora e investidora estratégica do que como monopolista, buscando parcerias com o setor privado em vez de competir diretamente com ele.
Para o Brasil, essa diferença de modelo pode facilitar a aprovação política do projeto porque reduz a resistência de quem se opõe a estatais com poder de mercado excessivo.
Ao mesmo tempo, a ausência de participação obrigatória levanta questões sobre quanto controle o governo teria sobre decisões estratégicas do setor. O debate entre os defensores de uma estatal forte e os que preferem um modelo mais flexível deve dominar as discussões nas comissões da Câmara dos Deputados.
O impacto econômico que a Terrabras poderia ter se o Brasil aprovar o projeto
O potencial é significativo porque as terras raras estão no centro de todas as cadeias tecnológicas que definem a economia global.
O Brasil que processa e industrializa suas próprias terras raras deixa de ser fornecedor de matéria-prima e passa a competir na cadeia de valor que vai do minério ao produto final, seja uma bateria de carro elétrico, um gerador eólico ou um componente de equipamento médico. A diferença de valor entre o minério bruto e o produto processado pode ser de dezenas de vezes.
A criação de polos industriais e de pesquisa previstos no projeto geraria empregos qualificados em regiões que hoje dependem da mineração convencional. O Brasil já vive esse ciclo no setor de petróleo, onde a Petrobras não apenas extrai óleo mas sustenta uma cadeia de fornecedores, pesquisadores e técnicos que movimenta bilhões de reais por ano.
A Terrabras poderia replicar esse modelo no setor de minerais estratégicos, criando uma nova frente de desenvolvimento econômico.
O que falta para o projeto da Terrabras avançar no Brasil
O PL 1.733/2026 segue agora para discussão nas comissões da Câmara dos Deputados, onde será analisado por parlamentares de diferentes orientações políticas.
O Brasil precisará debater questões como o capital inicial da estatal, a governança corporativa, as metas de produção e os incentivos fiscais que seriam necessários para atrair investimento privado complementar ao capital público. A experiência com a Petrobras oferece tanto exemplos de sucesso quanto alertas sobre os riscos de estatais mal geridas.
O contexto geopolítico favorece a aprovação porque a disputa global por terras raras se intensificou nos últimos anos. Estados Unidos, União Europeia e Japão investem bilhões para reduzir a dependência da China no setor, e o Brasil, com reservas naturais significativas, está em posição privilegiada para se beneficiar dessa corrida.
A criação da Terrabras pode ser a decisão que define se o país será protagonista ou coadjuvante na economia dos minerais estratégicos nas próximas décadas.
O que você acha da criação de uma nova estatal no Brasil focada em terras raras? Acredita que a Terrabras pode repetir o sucesso da Petrobras ou teme os mesmos problemas de gestão? Conta nos comentários. Projetos que podem mudar o futuro econômico do país merecem debate público, especialmente quando envolvem recursos que o mundo inteiro disputa.

Tem que fazer isso mesmo, principalmente porquê outros países e principalmente os EUA estão de olho nisso