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Brasil perde mais de 20% da energia renovável em 2025, perde R$ 6 bilhões e acende alerta sobre falhas no sistema elétrico e futuro da transição energética

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 28/12/2025 às 18:34
Imagem realista de painéis solares e turbinas eólicas com uma seta 3D vermelha apontando para baixo, representando queda ou desperdício de energia renovável no Brasil em 2025
Brasil perde mais de 20% da energia renovável em 2025, perde R$ 6 bilhões e acende alerta sobre falhas no sistema elétrico e futuro da transição energética/ Imagem Ilustrativa
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Em 2025, o Brasil desperdiçou mais de 20% da energia renovável produzida, gerando prejuízos bilionários e expondo fragilidades do sistema elétrico na transição energética.

O Brasil desperdiçou 20,6% de toda a energia renovável solar e eólica gerada em 2025, segundo o relatório Curtailment 2025: retrospectiva e projeção, da consultoria Volt Robotics. A perda financeira ultrapassou R$ 6 bilhões, resultado direto de cortes operacionais e limitações do sistema elétrico nacional. Segundo matéria publicada pelo Correio Braziliense neste domingo (28), o fenômeno, conhecido como curtailment, acendeu um alerta vermelho sobre a capacidade do país de sustentar sua transição energética de forma segura, eficiente e economicamente viável.

Apesar de figurar entre as maiores potências globais em energia renovável, o Brasil viveu em 2025 um paradoxo histórico: produziu energia limpa em volume recorde, mas não conseguiu consumi-la ou escoá-la adequadamente. O desperdício ocorreu principalmente nas primeiras horas do dia, quando a geração solar atinge seu pico e a demanda é insuficiente para absorver a oferta.

Energia renovável em excesso evidencia limites do sistema elétrico brasileiro

De acordo com a Volt Robotics, os cortes de geração atingiram níveis inéditos em 2025, pressionando financeiramente projetos de energia renovável e colocando em xeque a confiabilidade do sistema elétrico. Metade do curtailment ocorreu por sobreoferta de energia — quando não há consumo suficiente — e a outra metade por limitações na infraestrutura de transmissão.

Segundo Donato da Silva Filho, diretor-geral da consultoria, trata-se de energia limpa que poderia abastecer casas, indústrias e hospitais, mas que acabou sendo desperdiçada. A situação se agravou com a expansão acelerada da geração solar descentralizada, especialmente a micro e minigeração conectadas às redes de distribuição, sem que os investimentos em infraestrutura acompanhassem o mesmo ritmo.

O Brasil ampliou rapidamente sua capacidade instalada, mas o planejamento do sistema elétrico não foi atualizado na mesma velocidade. Como resultado, a rede passou a operar sob estresse constante, especialmente em horários de baixa carga.

Transição energética no Brasil e desafios do sistema elétrico

A transição energética impulsionou a entrada massiva de fontes intermitentes no sistema elétrico. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam que o Brasil encerrou 2025 com cerca de 60 gigawatts de capacidade solar instalada e 33 gigawatts de energia eólica, volume que, ao meio-dia, supera a carga total do sistema.

Para o professor Ivan Camargo, da Universidade de Brasília (UnB), o aumento do curtailment é um problema estrutural, observado também em outros países que avançaram rapidamente na transição energética. Não há linha de transmissão que resolva sozinha esse problema, afirma. Segundo ele, transmitir energia exige que exista carga do outro lado, o que simplesmente não ocorre nos horários de pico da geração solar.

Assim, o desafio do Brasil não está apenas em expandir a rede, mas em criar novas formas de consumo e armazenamento que absorvam a energia renovável nos momentos de sobra, garantindo que a transição energética seja eficaz.

Meses críticos de desperdício de energia renovável no Brasil

O relatório da Volt Robotics aponta que o problema se intensificou no segundo semestre de 2025. Agosto, setembro e outubro registraram recordes consecutivos de cortes de energia renovável. Em outubro, o volume médio de curtailment chegou a cerca de 8.000 MW, equivalente à geração média da Usina de Itaipu.

Esse foi o ápice de um ciclo de desequilíbrio, resultado da combinação entre crescimento acelerado das renováveis, limitações da rede e ausência de instrumentos adequados de gestão da oferta. Em novembro, houve um alívio parcial, com os cortes recuando para 4.600 MW médios, mas a redução foi considerada conjuntural, associada ao fim da safra dos ventos.

Até meados de dezembro, os cortes ficaram em torno de 1.700 MW médios. Ainda assim, o problema estrutural permaneceu intacto, reforçando a necessidade de planejamento estratégico do sistema elétrico brasileiro.

Brasil e o consumo de energia renovável nos finais de semana

O estudo identificou um padrão claro: os momentos mais críticos ocorrem aos domingos pela manhã, quando o consumo cai drasticamente e a geração renovável permanece elevada. O domingo passou a funcionar como um verdadeiro teste de resistência do sistema elétrico, afirma Donato.

Com base em métricas de segurança operacional, a Volt Robotics identificou 16 dias críticos em 2025, nos quais mais de 80% da geração disponível foi cortada durante o fim da manhã. Existe, inclusive, o risco teórico de apagão por excesso de energia, caso toda a geração centralizada seja cortada e ainda haja sobra proveniente da geração distribuída.

No fim de ano, o risco aumenta. A queda no consumo pode chegar a 8.600 MW médios, ampliando a pressão sobre o sistema elétrico brasileiro e reforçando a necessidade de ajustes na operação e na transição energética.

Custos do curtailment e impacto econômico no Brasil

O custo do curtailment ganhou destaque na reforma do setor elétrico sancionada em novembro de 2025. O debate central gira em torno de quem deve arcar com o prejuízo da energia desperdiçada: consumidores ou geradores.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que vetos do governo evitaram um impacto adicional de R$ 6 bilhões na conta de luz. Segundo ele, foi mantida apenas a compensação quando a energia não pode ser transmitida por falhas na infraestrutura de rede, responsabilidade do Estado.

Seria um impacto direto para o consumidor, por isso foi vetada essa parte, declarou o ministro em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 25 de novembro de 2025. Ainda assim, o governo reconhece a legitimidade do ressarcimento aos investidores quando há omissão estatal na expansão da transmissão.

Falhas regulatórias e desafios da transição energética no Brasil

Para Diogo Lisbona, pesquisador do FGV-CERI, o enfrentamento do curtailment exige decisões regulatórias e políticas estratégicas. Um dos principais gargalos é a ausência de sinais econômicos claros para orientar onde e quando investir em geração.

Hoje, a geração distribuída no Brasil praticamente não enxerga sinal de preço ou de localização. Painéis solares podem ser instalados em qualquer ponto da rede, com remuneração garantida, enquanto o operador é obrigado a absorver essa energia, mesmo quando o sistema já está saturado.

Sem revisar regras de compensação e sem integrar instrumentos de armazenamento, os cortes de energia renovável tendem a aumentar, comprometendo a credibilidade do sistema elétrico e da transição energética no país.

Medidas emergenciais e soluções para equilibrar o sistema elétrico

Diante do agravamento do cenário, Aneel e ONS aprovaram um Plano Emergencial para lidar com o excesso de geração. Entre as medidas está a aplicação automática da tarifa branca para grandes consumidores, incentivando o consumo nos horários de maior oferta.

Historicamente, a adesão voluntária à tarifa branca foi inferior a 0,1%. Ainda assim, o reconhecimento institucional do problema é considerado um marco. Obras de transmissão que vão interligar o Nordeste ao Sul e Sudeste, previstas para 2029 e 2030, também devem reduzir parte dos cortes.

Além disso, o comportamento do consumidor é peça-chave. A reorganização do uso de cargas flexíveis, como eletrodomésticos e carregamento de veículos elétricos, pode ajudar a equilibrar oferta e demanda, aumentando a eficiência do sistema elétrico brasileiro.

Energia renovável no Brasil: consumir melhor é o caminho

O desperdício de energia renovável em 2025 expôs fragilidades profundas do sistema elétrico brasileiro. O Brasil avançou rapidamente na transição energética, mas não adaptou sua infraestrutura, regulação e padrões de consumo à nova realidade.

Não se trata de produzir mais energia, mas de consumi-la melhor. Tarifas inteligentes, armazenamento, sinais econômicos claros e planejamento integrado são essenciais para evitar que bilhões de reais em energia limpa continuem sendo jogados fora.

Sem essas mudanças, a transição energética no Brasil corre o risco de se tornar insustentável, tanto do ponto de vista econômico quanto operacional. A prioridade deve ser equilibrar oferta e demanda, fortalecer o sistema elétrico e garantir que a energia renovável seja plenamente aproveitada, assegurando benefícios para consumidores, investidores e para o avanço sustentável do país.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

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