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Brasil participa com satélite próprio de uma rede espacial do BRICS que já mapeou milhões de quilômetros quadrados e agora o bloco quer ir além com novas missões, radar para a Amazônia e até voos para a Lua

Publicado em 16/04/2026 às 14:30
Atualizado em 16/04/2026 às 14:33
A rede de satélites do BRICS mapeou 27 milhões de km² e o Brasil participa com radar para a Amazônia e planos espaciais com missões lunares.
A rede de satélites do BRICS mapeou 27 milhões de km² e o Brasil participa com radar para a Amazônia e planos espaciais com missões lunares.
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A constelação de satélites do BRICS cobriu mais de 27 milhões de km² e trocou 1,5 terabyte de dados climáticos em um ano de operação, usando seis satélites de Brasil, China, Rússia e Índia. O bloco agora cria um Conselho Espacial, planeja radar para a Amazônia com o CBERS-6 e discute missões lunares previstas para os próximos anos.

O BRICS está construindo uma rede espacial que funciona sem depender de agências ou empresas ocidentais, e o Brasil é parte ativa dessa estrutura. A constelação cooperativa de satélites de sensoriamento remoto do bloco operou de forma contínua ao longo do último ano e já cobriu mais de 27 milhões de quilômetros quadrados, trocando 1,5 terabyte de dados climáticos entre os países-membros. O sistema inclui seis satélites em operação: dois chineses (Gaofen-6 e Ziyuan-III-02), o CBERS-4 (parceria entre Brasil e China), o russo Kanopus-V e os indianos Resourcesat-2 e 2A, formando uma constelação que oferece ao BRICS capacidade autônoma de monitoramento ambiental, prevenção de desastres e planejamento territorial em escala continental.

Os compromissos vão além do monitoramento. Entre 27 e 29 de abril de 2025, em Brasília, o BRICS Plus formalizou novos acordos para o uso pacífico do espaço com foco socioambiental e soberania digital, expandindo as atribuições das agências espaciais nacionais para cooperação regular. O bloco planeja criar um Conselho Espacial na Cúpula do Rio, prevista para julho de 2025, além de desenvolver o CBERS-6 com radar para monitorar a Amazônia, lançar o satélite SABIA-Mar para gestão de recursos hídricos e coordenar missões lunares compartilhadas. O BRICS está levando a sério a ideia de que soberania tecnológica começa no espaço.

O que a constelação de satélites do BRICS já entregou em um ano

Segundo informações do portal elciudadano, os números da operação são concretos. No ano em que a constelação passou a produzir e compartilhar dados de forma contínua, a China enviou 1,5 terabyte de imagens, mapeou 560 mil km² para a Rússia, e a agência espacial russa Roscosmos repassou dados de 34.500 km² para a Índia após um terremoto, demonstrando que a rede funciona tanto para monitoramento de rotina quanto para resposta a emergências. A capacidade de trocar informações em tempo quase real entre cinco estações terrestres espalhadas por três continentes é o que diferencia essa constelação de iniciativas menores.

As estações terrestres que sustentam a rede do BRICS estão em Cuiabá (Brasil), Shadnagar-Hyderabad (Índia), Sanya (China), Hartebeesthoek (África do Sul) e Moscou (Rússia). Essas instalações trabalham integradas para recepção, processamento e distribuição das imagens captadas pelos seis satélites, criando um sistema de cobertura global que não depende da infraestrutura de empresas americanas ou europeias. Para o BRICS, essa autonomia não é um luxo: é uma questão de segurança estratégica que garante acesso a dados sensíveis sem intermediários que possam restringir o fornecimento por razões políticas.

O Conselho Espacial que o BRICS quer criar na Cúpula do Rio

O próximo passo institucional do BRICS no espaço é a criação de um Conselho Espacial formalizado. A proposta, contida na chamada Declaração do Rio, deve ser instituída durante a Cúpula prevista para 6 e 7 de julho de 2025 e representaria a primeira estrutura permanente dedicada a coordenar programas espaciais conjuntos dentro do bloco. O Conselho teria autoridade para estabelecer normas comuns, criar instituições compartilhadas e coordenar desde monitoramento climático até missões lunares.

A formalização de um conselho espacial do BRICS eleva a cooperação de um nível técnico para um nível político-estratégico. Em vez de acordos bilaterais pontuais entre agências, o bloco passaria a ter um órgão central capaz de definir prioridades, alocar recursos e negociar com outras potências espaciais como bloco unificado. Para o Brasil, cuja agência espacial INPE tem orçamento limitado em comparação com as da China ou da Índia, participar de uma estrutura multilateral amplia o acesso a tecnologias e dados que seriam inalcançáveis de forma isolada.

O que o BRICS planeja para a Amazônia com radar e novos satélites

Satélite CBERS-6.

Duas iniciativas do BRICS têm a Amazônia como alvo estratégico direto. O CBERS-6, satélite com radar desenvolvido em parceria entre Brasil e China, está projetado para operar em 2028 e terá aplicações no monitoramento de secas e desmatamento, superando uma limitação dos satélites ópticos atuais que não conseguem captar imagens através da cobertura de nuvens que recobre a região amazônica durante boa parte do ano. O radar penetra as nuvens e entrega imagens independentemente das condições meteorológicas.

O SABIA-Mar, voltado para gestão de recursos hídricos, deverá ser lançado em 2026 e complementa o CBERS-6 ao focar em dados oceanográficos e costeiros. Juntos, os dois satélites darão ao Brasil e ao BRICS uma capacidade de monitoramento ambiental que cobre desde a floresta tropical até os oceanos, integrando informações que são essenciais para políticas de combate ao desmatamento, gestão de bacias hidrográficas e resposta a desastres naturais. O fato de ambos serem projetos desenvolvidos dentro da estrutura do BRICS reforça a ideia de que o bloco está priorizando aplicações práticas que geram retorno direto para seus membros.

As missões lunares e o programa educacional que o BRICS está preparando

A ambição espacial do BRICS não se limita à órbita terrestre. A Declaração do Rio deve incluir coordenação de missões lunares compartilhadas e pesquisas em espaço profundo, colocando o bloco em rota de colisão com o programa Artemis dos Estados Unidos e consolidando a International Lunar Research Station promovida pela China como alternativa ao modelo ocidental de exploração lunar.

Em paralelo às missões tecnológicas, o BRICS investe em formação humana. O programa Mission ShakthiSAT reunirá 12 mil estudantes do sexo feminino de 108 países em um curso global de ciência e tecnologia (STEM), com uma aluna de cada nação convidada para estágio prático na agência espacial indiana ISRO. Está previsto o lançamento de carga útil orbital ou lunar em 2026 como parte do programa. A iniciativa demonstra que o BRICS trata o espaço não apenas como domínio tecnológico, mas como instrumento de inclusão educacional e projeção de soft power.

O que o BRICS espacial significa para o Brasil e para a soberania tecnológica

Para o Brasil, a participação ativa na rede espacial do BRICS representa um salto estratégico que o país não conseguiria dar sozinho. Dados climáticos independentes fortalecem políticas ambientais locais, o radar do CBERS-6 oferecerá visão contínua da Amazônia sem depender de satélites estrangeiros, e o acesso a tecnologias de parceiros como China e Índia acelera o desenvolvimento da indústria espacial nacional. A estação terrestre de Cuiabá posiciona o Brasil como nó operacional essencial da constelação, não como mero beneficiário.

Os desafios persistem: disparidades em capacidade tecnológica entre as agências, financiamento público insuficiente e barreiras à transferência de tecnologia. No entanto, a constelação satelital compartilhada do BRICS já funciona como instrumento concreto de soberania tecnológica e cooperação sul-sul, abrindo caminho para redução de dependência externa. Quando o Conselho Espacial for formalizado e os novos satélites entrarem em operação, o bloco terá construído uma infraestrutura espacial que rivaliza em funcionalidade com as das potências tradicionais, e o Brasil estará dentro dessa estrutura como membro fundador.

O BRICS já mapeou 27 milhões de km² com satélites próprios e agora planeja radar para a Amazônia e missões lunares. Você sabia que o Brasil participa com satélite nessa rede? Acha que o país deveria investir mais no espaço? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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