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Brasil e aliados do Mercosul devem ativar reciprocidade para frear barreiras da UE que travam exportações de carne e frango

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 18/12/2025 às 18:50 Atualizado em 18/12/2025 às 18:54
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Mercosul avalia reciprocidade diante de salvaguardas da UE que podem limitar exportações de carne e frango no acordo entre os blocos.
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Salvaguardas discutidas na União Europeia elevam preocupação no setor de proteína animal, que acompanha regras sobre limites de importação, prazos mais curtos de investigação e possibilidade de reciprocidade comercial caso preferências tarifárias sejam suspensas no acordo com o Mercosul.

A possibilidade de a União Europeia adotar mecanismos de proteção no âmbito do acordo Mercosul-UE levou representantes do setor de proteína animal a discutir eventuais respostas por parte dos países sul-americanos.

Em entrevista à CNN Money, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que, caso a salvaguarda europeia resulte em restrições ao fluxo comercial, o Mercosul pode avaliar a adoção de medidas de reciprocidade.

Segundo Santin, a viabilidade prática do acordo dependerá da forma como o bloco europeu aplicará as regras previstas e do respeito ao princípio do livre comércio.

Ele declarou que, se houver práticas consideradas protecionistas, a expectativa do setor é que o governo brasileiro atue de maneira coordenada com os demais países do Mercosul, adotando salvaguardas equivalentes.

Aplicação do acordo Mercosul-UE sob análise do setor

O dirigente ressaltou, no entanto, que ainda não é possível antecipar os efeitos concretos da salvaguarda sobre o acordo.

De acordo com Santin, a ABPA aguarda a versão final do texto para avaliar o impacto real das medidas.

Mesmo assim, ele reconheceu que a proteção desenhada pela União Europeia para seus agricultores tende a tornar o ambiente comercial mais complexo.

Na avaliação do presidente da entidade, a dinâmica do comércio entre os blocos não será definida apenas pelas salvaguardas.

Ele apontou que fatores internos do mercado europeu também influenciam o fluxo de exportações, como inflação, questões sanitárias que afetam rebanhos, custos de energia e despesas de produção.

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Como funciona a salvaguarda prevista pela União Europeia

A salvaguarda prevista no acordo estabelece condições para que a União Europeia suspenda temporariamente preferências tarifárias concedidas a produtos agrícolas classificados como sensíveis.

Entre eles estão carne de aves e carne bovina originárias do Mercosul.

A suspensão pode ocorrer caso as importações sejam consideradas prejudiciais aos produtores europeus.

O mecanismo foi incorporado às discussões como uma forma de responder a preocupações de setores agrícolas da UE.

Parlamentares europeus defendem que a ferramenta permita reações mais rápidas diante de aumentos nas importações ou de questionamentos relacionados a padrões produtivos.

Limite de 5% para abertura de investigações

Um dos pontos que mais chamou atenção de representantes do setor agropecuário é o gatilho previsto para a abertura de investigações.

Pelo texto em debate, a Comissão Europeia poderá iniciar uma apuração quando as importações de produtos agrícolas sensíveis crescerem, em média, 5% ao longo de um período de três anos.

O percentual é inferior ao patamar inicialmente proposto, que considerava um aumento de 10%.

Para analistas do setor, um limite mais baixo amplia a probabilidade de abertura de investigações, sobretudo em segmentos nos quais o Brasil tem participação relevante no mercado europeu.

Redução de prazos para adoção de salvaguardas

Além do novo gatilho, o Parlamento Europeu defendeu a redução dos prazos de investigação.

Em itens gerais, o período cairia de seis para três meses.

No caso de produtos sensíveis, como carnes, o prazo passaria de quatro para dois meses.

A justificativa apresentada pelos eurodeputados é permitir que medidas de salvaguarda sejam adotadas de forma mais rápida.

Entidades do agro brasileiro avaliam que a combinação entre prazos menores e critérios mais rígidos aumenta o grau de incerteza para exportadores.

Exigências regulatórias e critérios de equivalência

Outro aspecto relevante do texto é a previsão de abertura de investigações sempre que houver indícios de que produtos importados com preferências tarifárias não atendem a requisitos equivalentes aos exigidos dos produtores da União Europeia.

Entre os temas citados estão normas ambientais, bem-estar animal, saúde e proteção trabalhista.

Especialistas em comércio exterior apontam que a definição do que constitui equivalência regulatória é um dos principais pontos sensíveis nas negociações.

A interpretação desses critérios pode influenciar diretamente a aplicação das salvaguardas, especialmente em cadeias produtivas classificadas como sensíveis pela UE.

Setor evita projeções e acompanha negociações

Apesar de defender a possibilidade de reciprocidade, a ABPA evita projeções sobre o impacto final do mecanismo.

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A entidade tem destacado que o desempenho do acordo dependerá de um conjunto amplo de variáveis.

Esses fatores incluem tanto o texto final quanto as condições econômicas e produtivas dentro do próprio mercado europeu.

Nesse contexto, a posição do setor é de acompanhamento cauteloso das negociações.

Representantes da cadeia de proteína animal afirmam que a preocupação central é garantir que preferências tarifárias acordadas não sejam neutralizadas por instrumentos acionados de forma recorrente.

Pressão política e possíveis efeitos sobre exportações

A discussão sobre salvaguardas ocorre em meio à retomada do debate político sobre o acordo Mercosul-UE dentro da União Europeia.

Segmentos agrícolas pressionam por mecanismos de proteção.

Ao mesmo tempo, autoridades buscam alternativas para reduzir resistências internas à ratificação do tratado.

Do lado sul-americano, governos e entidades empresariais acompanham o desenho final das regras para avaliar seus efeitos sobre o acesso ao mercado europeu.

Caso as salvaguardas sejam aplicadas com frequência, a possibilidade de adoção de medidas equivalentes pelo Mercosul tende a ganhar espaço no debate oficial.

Como os países do bloco irão equilibrar a defesa de seus exportadores com a manutenção do acordo comercial?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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