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Brasil dá passo inédito para ter microrreatores nucleares, investe 50 milhões em unidade no Rio e mira levar energia limpa para cidades pequenas e comunidades isoladas a partir de 2033

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 20/12/2025 às 11:01
Microrreatores nucleares levam energia nuclear e energia limpa para pequenas cidades e comunidades isoladas no Brasil, com projeto piloto no Rio.
Microrreatores nucleares levam energia nuclear e energia limpa para pequenas cidades e comunidades isoladas no Brasil, com projeto piloto no Rio.
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Primeira unidade crítica de microrreatores nucleares será construída no Instituto de Engenharia Nuclear, no Rio, com investimento de 50 milhões e 13 parceiros, para testar tecnologia que poderá abastecer pequenas cidades, data centers e comunidades isoladas a partir de 2033, reforçando energia limpa, descarbonização e segurança elétrica para o interior

Em 15 de dezembro de 2025, o governo federal iniciou oficialmente o processo para instalar, no Rio de Janeiro, a primeira unidade crítica de microrreatores nucleares do Brasil. Dias depois, em 19 de dezembro de 2025, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação detalhou o projeto, que soma R$ 50 milhões em financiamento, reúne 13 parceiros institucionais e coloca o país no grupo de nações que desenvolvem pequenos reatores modulares para geração de energia elétrica de baixa emissão.

O plano prevê que o protótipo em solo brasileiro esteja pronto para operação até 2033, após licenciamento da Comissão Nacional de Energia Nuclear. A unidade crítica, instalada no Instituto de Engenharia Nuclear, no Rio, funcionará em potência muito baixa, da ordem de 100 watts, suficiente para sustentar a reação em cadeia de forma controlada e testar, em ambiente real, soluções que no futuro poderão alimentar redes elétricas de cidades pequenas e sistemas isolados em diferentes regiões do país.

Unidade crítica pioneira no Rio de Janeiro

Microrreatores nucleares levam energia nuclear e energia limpa para pequenas cidades e comunidades isoladas no Brasil, com projeto piloto no Rio.

A primeira etapa do programa será a construção da unidade crítica de microrreatores nucleares no Instituto de Engenharia Nuclear, vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Esse tipo de instalação é usado para pesquisa, desenvolvimento e qualificação de tecnologia, sem ainda operar em nível de potência comercial.

A estrutura foi concebida para trabalhar em potência considerada muito baixa, na escala de 100 W, apenas o necessário para manter a reação nuclear em cadeia sob controle e validar parâmetros de segurança, operação e engenharia.

A partir do licenciamento da construção, a expectativa oficial é que o primeiro microrreator esteja pronto para entrar em operação até 2033, abrindo caminho para modelos comerciais capazes de gerar eletricidade em escala adequada a cidades de pequeno porte e unidades industriais específicas.

Quanto o Brasil está investindo nos microrreatores nucleares

O projeto soma R$ 50 milhões em financiamento, dos quais R$ 30 milhões são aportados pelo MCTI por meio da Finep, a Financiadora de Estudos e Projetos.

O restante vem de parceiros privados, instituições científicas, universidades e organismos internacionais, como a Agência Internacional de Energia Atômica.

Segundo o Ministério, a iniciativa envolve 13 parceiros institucionais, num arranjo que combina órgãos reguladores, centros de pesquisa, empresas de tecnologia e atores da cadeia nuclear já existente no país.

A CNEN coordena o empreendimento, enquanto a Secretaria Nacional de Trânsito do MCTI, a Finep e empresas como a Terminus P&D em Energia atuam na estruturação financeira, técnica e industrial do programa.

Para que servirão os microrreatores nucleares brasileiros

Os documentos oficiais projetam que os microrreatores nucleares desenvolvidos no país sejam usados para fornecer energia elétrica a pequenas cidades, data centers, plataformas de petróleo offshore, bases militares e diversos segmentos industriais.

Entre eles estão metalurgia, indústria alimentícia, química, têxtil e de produtos minerais não metálicos.

A proposta é oferecer módulos compactos, transportáveis e de longa duração, capazes de garantir fornecimento estável em locais onde a expansão de grandes linhas de transmissão é cara ou inviável.

Nessas aplicações, a vantagem da energia nuclear é a alta densidade energética combinada com emissões praticamente nulas de gases de efeito estufa durante a operação, o que reforça a agenda de descarbonização e segurança energética.

Alcance em cidades pequenas e comunidades isoladas

De acordo com levantamento do MCTI, cerca de 68% dos municípios brasileiros têm potencial para receber energia a partir de microrreatores nucleares, em especial cidades com menos de 20 mil habitantes.

Isso representa impacto direto sobre aproximadamente 30 milhões de cidadãos que hoje dependem de redes frágeis, sistemas isolados a diesel ou fornecimento intermitente.

Por serem compactos, esses reatores poderão ser transportados para regiões de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas e localidades em áreas de floresta.

A lógica é substituir gradualmente geradores movidos a combustíveis fósseis por unidades de microrreatores nucleares com operação contínua e baixa necessidade de reabastecimento, reduzindo custos logísticos e emissões associadas ao transporte constante de óleo diesel ou derivados.

Ciência, transição energética e domínio tecnológico

Para o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, a instalação da unidade crítica demonstra que o país está disposto a tratar a ciência como vetor de política energética.

Ele destaca que a participação ativa do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia reafirma a aposta em soluções de alta complexidade tecnológica como parte da estratégia de desenvolvimento do setor elétrico brasileiro.

O diretor do Instituto de Engenharia Nuclear, Cristóvão Araripe, ressalta que os microrreatores nucleares podem contribuir para enfrentar desafios do século 21, como descarbonização, transição energética e desenvolvimento sustentável.

Na avaliação dele, uma das principais vantagens da energia nuclear é a geração de eletricidade sem emissão direta de gases que ampliam o efeito estufa, reforçando o papel da tecnologia em um cenário global de metas climáticas mais rígidas.

Indústria nacional e ciclo do combustível como diferencial

Na visão de Adolfo Braid, diretor executivo da Terminus P&D em Energia, o Brasil possui capacidade científica e tecnológica para projetar, fabricar e operar microrreatores nucleares com autonomia, aproveitando a experiência acumulada em usinas, no enriquecimento de urânio e no domínio do ciclo do combustível.

Segundo ele, ter um empreendimento dessa natureza instalado no próprio país significa internalizar conhecimento crítico, o que inclui desde a engenharia de projeto até rotinas de operação, manutenção e descarte de combustível.

Esses fatores são vistos como essenciais para que o programa não dependa exclusivamente de fornecedores estrangeiros, permitindo que a tecnologia se converta em benefício direto para a população brasileira por meio de energia confiável em áreas hoje pouco atendidas.

Próximos passos até 2033

O cronograma oficial prevê, para os próximos anos, a conclusão do licenciamento, o início da construção da unidade crítica e a fase de testes operacionais sob supervisão da CNEN.

A partir da validação em baixa potência, novas etapas deverão definir o desenho de microrreatores nucleares comerciais, suas potências típicas, padrões de segurança, modelos de negócios e formas de inserção na matriz energética.

Até 2033, o objetivo é ter ao menos um microrreator pronto para operação em ambiente real, abrindo caminho para contratos com municípios, empresas e bases estratégicas.

A velocidade dessa expansão dependerá de decisões regulatórias, da percepção social sobre a energia nuclear e da capacidade de financiamento de projetos em áreas remotas.

O Brasil entra, assim, em uma fase de testes decisiva para saber se os microrreatores nucleares serão peça central ou apenas complementar na transição energética nacional.

Diante desse investimento em pesquisa, da promessa de atender pequenas cidades e comunidades isoladas e dos debates sobre segurança e resíduos, você considera que os microrreatores nucleares devem ocupar um papel relevante na matriz elétrica brasileira a partir de 2033 ou acha que o país deveria priorizar outras fontes de energia limpa?

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isacromualdosp@gmail.com
isacromualdosp@gmail.com
21/12/2025 10:50

Acho que o país está no caminho,deve sim, investir na produção de microrreatores.Entendo que esta será a solução para as comunidades ribeirinhas e locais de difícil acesso e a partir daí esse tipo de energia se torna a principal fonte do país.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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