Marco industrial reposiciona Brasil entre países com capacidade de produzir caças supersônicos e amplia protagonismo tecnológico e estratégico no setor de defesa aeroespacial global.
Apresentado em 25 de março de 2026, o primeiro caça supersônico montado no país, o F-39E Gripen, saiu da linha de Gavião Peixoto, interior de São Paulo, resultado direto da parceria entre Embraer, Saab e Força Aérea Brasileira.
Com a entrega simbólica, o Brasil passou a figurar como o primeiro da América Latina a montar aeronaves de combate dessa categoria, consolidando presença em um grupo restrito de países com domínio industrial e tecnológico aplicado à aviação militar de alto desempenho.
De acordo com a Revista Fapesp, nesse contexto, a exibição pública do jato marca a transição para uma etapa mais avançada do programa de modernização da aviação de caça, estruturado a partir do acordo firmado em 2014 entre o Comando da Aeronáutica e a fabricante sueca.
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Prevendo a produção de 36 caças Gripen NG, sendo 28 monopostos e oito bipostos, o contrato também incluiu sistemas associados e suporte logístico, com valor oficial de 39,3 bilhões de coroas suecas, equivalente a cerca de US$ 4 bilhões a US$ 5,4 bilhões conforme o câmbio adotado.
Produção nacional e transferência de tecnologia
Dentro desse arranjo, 15 aeronaves serão montadas em território brasileiro, na planta da Embraer, o que viabiliza absorção de conhecimento estratégico e consolida uma base industrial com capacidade de integração, fabricação e manutenção de sistemas complexos ao longo do ciclo de vida do caça.

De acordo com a Saab, o programa estabeleceu um dos maiores processos de cooperação tecnológica já realizados no setor de defesa nacional, envolvendo capacitação técnica, domínio de processos industriais e participação ativa no desenvolvimento de componentes críticos.
Mais do que a simples montagem, a iniciativa reposiciona a indústria brasileira na cadeia global de defesa aeroespacial, ampliando a participação de empresas locais e criando condições para inserção em projetos internacionais de maior complexidade tecnológica.
Segundo a FAB, o programa FX-2 reúne 63 projetos de offset, que resultaram no treinamento de aproximadamente 350 engenheiros brasileiros na Suécia e na geração de mais de 2 mil empregos diretos, além de impactos indiretos distribuídos pela cadeia produtiva.
Na prática, a transferência de tecnologia se materializou na atuação de empresas nacionais em etapas relevantes do projeto, incluindo desenvolvimento de sistemas embarcados, estruturas aeronáuticas e soluções de simulação operacional integradas ao Gripen.
Nesse cenário, a AEL Sistemas desenvolveu displays avançados de cabine e o visor de capacete do piloto, enquanto a Akaer participou da engenharia estrutural de partes da fuselagem e das asas, ampliando a complexidade industrial absorvida localmente.
Além disso, a Saab Aeronáutica Montagens passou a produzir aeroestruturas no país, enquanto a Atech assumiu a responsabilidade por simuladores de voo e sistemas de planejamento de missão, consolidando um ecossistema tecnológico distribuído.
Durante a apresentação, o presidente da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, destacou que o país passou a deter capacidade para produzir aeronaves supersônicas de alta tecnologia, aptas a cumprir missões críticas de defesa e proteção do território.
Por sua vez, o CEO da Saab, Micael Johansson, ressaltou que a produção local fortalece a base industrial brasileira e amplia o potencial de exportação, indicando que a unidade instalada no país poderá atender demandas internacionais no futuro.
Desempenho do Gripen e capacidade operacional

Do ponto de vista operacional, o F-39E se posiciona como um caça multimissão de nova geração, preparado para executar missões de combate ar-ar, ataque ao solo, interceptação e reconhecimento com alto nível de integração de sensores e sistemas.
Entre suas características, destacam-se a velocidade máxima de 2.470 km/h, o alcance de até 4.000 quilômetros sem armamentos e a capacidade de reabastecimento em voo, fatores que ampliam significativamente sua autonomia estratégica.
Além disso, a aeronave conta com dez pontos externos para armamentos e sensores, radar AESA e arquitetura aberta que permite integração de diferentes sistemas, o que favorece atualizações tecnológicas ao longo de sua vida operacional.
Até novembro de 2025, haviam sido entregues 11 unidades à FAB, todas produzidas na Suécia e destinadas à Base Aérea de Anápolis, o que estabeleceu a fase inicial de operação antes da transição para a montagem local.
Com a apresentação do primeiro exemplar produzido no Brasil, o programa avança para uma etapa de maior autonomia industrial, ainda que tenha enfrentado limitações orçamentárias e ajustes ao longo da última década.
Entre essas mudanças, destaca-se a decisão de transferir para a Suécia a fabricação da versão biposta F-39F, originalmente prevista para ser desenvolvida no Brasil, refletindo impactos diretos das restrições financeiras sobre o cronograma do projeto.
Impacto estratégico e projeção internacional
Ao mesmo tempo, o programa passou a ter relevância além do âmbito operacional da FAB, sendo considerado um vetor de fortalecimento da indústria nacional e de inserção do Brasil em cadeias globais de defesa.
Nesse sentido, a Saab passou a tratar a linha instalada no país como uma possível base de exportação, especialmente diante de oportunidades comerciais na América do Sul e em outros mercados emergentes.
Outro ponto destacado pela fabricante é que esta é a primeira vez, desde 1937, que um caça da Saab é produzido fora da Suécia, evidenciando o nível de confiança e integração alcançado com o parceiro brasileiro.
Dessa forma, o programa combina a renovação da capacidade operacional da Força Aérea com o desenvolvimento de competências industriais avançadas, criando uma base tecnológica que tende a influenciar futuros projetos estratégicos no setor aeronáutico militar brasileiro.

Kkk…rindo até 2076. Só pode ser gozação 🤣🤣🤣🤣
Dá aula…..kkkkkkk……
O nosso governo deveria investir na aceleração do programa, reequipar nossas bases aéreas, afinal os nossos F/5 e os AMX estão com suas vidas úteis já avançadas. Espero ainda ver nossa FAB crescer exponencialmente.