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Brasil conseguiu desenvolver substância com potencial para “curar” paralisia por lesão medular, mas perde patentes internacionais da polilaminina após cortes na UFRJ e 18 anos de morosidade no INPI

Publicado em 19/02/2026 às 13:37
Atualizado em 19/02/2026 às 18:46
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Imagem: Reprodução / X
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Após 18 anos para registrar a polilaminina no Brasil, cortes orçamentários impediram manutenção internacional, levaram à perda das patentes e expuseram fragilidades no financiamento científico público

A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio afirmou que o Brasil perdeu as patentes internacionais relacionadas à polilaminina após cortes orçamentários que afetaram a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo ela, a falta de recursos impediu o pagamento das taxas necessárias para manter o registro da tecnologia fora do país, comprometendo a proteção internacional da inovação.

Polilaminina e a demora de 18 anos no registro nacional

O pedido de patente da polilaminina foi protocolado em 2007, quando o potencial terapêutico da substância ainda estava em estágio inicial de desenvolvimento.

Apesar disso, a concessão nacional levou quase duas décadas para ser concluída. “Levamos 18 anos para conseguir a concessão da patente nacional”, declarou Tatiana, ao mencionar a morosidade nos trâmites junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

Durante esse período, o projeto enfrentou desafios administrativos e financeiros. A pesquisadora destacou que a espera prolongada impactou diretamente a estratégia de proteção da tecnologia, sobretudo no cenário internacional, onde as taxas precisam ser mantidas regularmente para garantir a vigência dos registros.

Tatiana Coelho de Sampaio
Imagem: Reprodução / TV Globo

Cortes orçamentários e perda das patentes internacionais

De acordo com Tatiana, a situação se agravou especialmente em 2015 e 2016, quando contingenciamentos atingiram as universidades federais. “Por causa dos cortes orçamentários, especialmente em 2015 e 2016, a universidade não conseguiu continuar pagando as taxas internacionais. Perdemos todas as patentes fora do Brasil”, relatou.

Para evitar que o mesmo ocorresse no território nacional, a própria cientista decidiu assumir parte dos custos. “Cheguei a pagar do meu bolso para não perder a patente no Brasil”, afirmou.

O gesto, segundo ela, foi uma tentativa de preservar o trabalho desenvolvido ao longo de anos de pesquisa.

Tatiana avalia que decisões desse tipo ultrapassam os limites de um único laboratório. Para ela, a redução de investimentos em ciência acaba fragilizando a competitividade do país e pode resultar na entrega indireta do conhecimento produzido nas universidades públicas para uso externo.

Financiamento público, parceria e exclusividade

A pesquisadora também contestou a ideia de que países desenvolvidos dependem menos de recursos públicos para pesquisa.

Nos Estados Unidos, a maior parte do financiamento da pesquisa também vem do dinheiro público”, disse.

Ela lembrou que houve forte reação da comunidade científica quando o presidente Donald Trump cortou verbas destinadas à ciência.

A partir de 2021, o projeto da polilaminina passou a contar com financiamento integral do laboratório Cristália.

Segundo Tatiana, a cooperação foi estruturada para preservar os direitos institucionais. “Foi uma cooperação cuidadosamente negociada para garantir que a UFRJ não fosse prejudicada”, explicou.

Ela ressaltou que a patente está em regime de copropriedade entre a universidade e a empresa. A exclusividade comercial no Brasil, contudo, será temporária. “A empresa terá exclusividade por apenas dois anos; depois disso, qualquer laboratório poderá produzir.

Ao comentar o caso, Tatiana afirmou que a ciência exige continuidade e planejamento de longo prazo.

Para ela, a trajetória da polilaminina demonstra como decisões orçamentárias podem comprometer a proteção estratégica de inovações e reduzir o alcance global de tecnologias desenvolvidas no país.

polilaminina, Patentes
Imagem: Reprodução / X

Inovação, esperança e até chance de Nobel

A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio é uma das cientistas brasileiras mais citadas atualmente no campo da regeneração neural por conta da substância polilaminina, que ela desenvolveu ao longo de quase três décadas de pesquisa.

Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tatiana coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, onde investiga como proteínas da matriz celular podem estimular a reconstrução de conexões nervosas danificadas pela lesão medular.

A polilaminina é uma forma polimerizada da laminina, uma proteína presente naturalmente no organismo, que no laboratório é extraída e adaptada a partir de material biológico como a placenta humana.

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Em testes iniciais, a molécula funciona como um ambiente favorável à regeneração neuronal, estimulando axônios — estruturas cruciais na transmissão dos impulsos nervosos — a se reconectarem em regiões lesionadas da medula espinhal.

Em ensaios experimentais, pacientes com condições graves — incluindo tetraplegia e paraplegia — que receberam a aplicação da polilaminina demonstraram recuperação parcial ou total de movimentos antes considerados irreversíveis, um resultado que surpreendeu a comunidade científica e reacendeu debates globais sobre o potencial terapêutico em medicina regenerativa.

Esse avanço coloca não apenas a tecnologia em destaque, como também a própria trajetória de Tatiana.

A cientista, que é formada em biologia com mestrado e doutorado focados em biologia celular e molecular, dedicou grande parte de sua carreira ao estudo das lamininas e à busca de soluções que possam transformar tratamentos que hoje não existem.

O trabalho foi reconhecido internacionalmente e tem sido apontado por especialistas como um dos avanços mais significativos da medicina brasileira nas últimas décadas, a ponto de discussões sobre potencial indicação ao Prêmio Nobel de Medicina ganharem espaço em análises especializadas.

Mesmo assim, a tecnologia ainda se encontra em fases iniciais de pesquisa clínica, e seu impacto em larga escala dependerá de etapas futuras de avaliação e aprovação regulatória.

Com informações de Portal Tela e Aventuras na História.

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Alex
Alex
25/02/2026 22:48

A pesquisadora também contestou a ideia de que países desenvolvidos dependem menos de recursos públicos para pesquisa.

“Nos Estados Unidos, a maior parte do financiamento da pesquisa também vem do dinheiro público”, disse.

Ela lembrou que houve forte reação da comunidade científica quando o presidente Donald Trump cortou verbas destinadas à ciência.

Antonio Migliano
Antonio Migliano
25/02/2026 21:09

Mas no atual “sistema” também teve cortes e Educação, Ciência e tecnologia, Saúde etc…

Antonio Migliano
Antonio Migliano
Em resposta a  Antonio Migliano
25/02/2026 21:11

Sem esquecer o período citado por ela mesma 2015 2016

Antonio Migliano
Antonio Migliano
Em resposta a  Antonio Migliano
25/02/2026 21:12

período citado por ela mesma 2015 2016

Alex
Alex
25/02/2026 14:13

A pesquisadora também contestou a ideia de que países desenvolvidos dependem menos de recursos públicos para pesquisa.

“Nos Estados Unidos, a maior parte do financiamento da pesquisa também vem do dinheiro público”, disse.

Ela lembrou que houve forte reação da comunidade científica quando o presidente Donald Trump cortou verbas destinadas à ciência.

Romário Pereira de Carvalho

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