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Bebê nasce do mesmo útero que gerou a própria mãe após avó doar órgão em transplante inédito na Austrália

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 11/05/2026 às 16:01 Atualizado em 11/05/2026 às 16:03
Mulher que recebeu transplante de útero da própria mãe aparece em hospital australiano antes do nascimento do primeiro bebê gerado após o procedimento no país
Kirsty Bryant e Michelle Hayton no Royal Hospital for Women, em Sydney, durante o processo que resultou no primeiro nascimento após transplante de útero realizado na Austrália.
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O primeiro nascimento australiano após transplante de útero mostrou como uma decisão entre mãe e filha abriu caminho para uma gestação rara, planejada e altamente complexa

Uma história médica de grande impacto familiar ganhou repercussão na Austrália, chamando atenção pela combinação entre transplante de útero, fertilização in vitro e maternidade. Kirsty Bryant se tornou a primeira mulher da Austrália a receber um útero transplantado, no Royal Hospital for Women, em Sydney. O órgão foi doado por sua própria mãe, Michelle Hayton, e o caso ganhou um significado ainda mais simbólico. O mesmo útero no qual Kirsty foi gerada permitiu, décadas depois, o nascimento de seu filho Henry, no primeiro caso australiano desse tipo, segundo a UNSW Sydney e o Royal Hospital for Women.

Transplante familiar muda história de maternidade

Kirsty Bryant já era mãe de Violet quando sua trajetória mudou de forma inesperada. Em 2021, durante o parto da primeira filha, ela sofreu uma hemorragia grave e precisou passar por uma histerectomia de emergência. A cirurgia salvou sua vida, mas retirou sua possibilidade de engravidar novamente. Meses depois, ainda em recuperação, Kirsty começou a buscar alternativas para ampliar a família. Adoção e barriga de aluguel foram avaliadas, mas ela desejava gerar o próprio bebê. Foi nesse processo que encontrou um ensaio clínico australiano sobre transplante de útero.

Mãe aceita doar útero para a filha

A descoberta levou Kirsty a conversar com Michelle Hayton sobre uma possível doação. Aos 53 anos e sem planos de ter mais filhos, Michelle aceitou doar o útero para a filha. A decisão não foi tratada por ela como sacrifício, mas como uma continuação do cuidado materno. Esse gesto permitiu que Kirsty tentasse uma gravidez usando o mesmo órgão em que havia sido gerada, o que tornou a história ainda mais rara e emocional.

Cirurgia envolveu mais de 20 profissionais

A cirurgia dupla aconteceu em janeiro de 2023, no Royal Hospital for Women, em Sydney. Doadora e receptora foram operadas em salas diferentes, durante um procedimento que durou cerca de 16 horas e envolveu mais de 20 profissionais de saúde. Depois do transplante, Kirsty passou por acompanhamento médico e fertilização in vitro. Com a adaptação do corpo ao órgão transplantado, ela conseguiu engravidar. Henry nasceu em dezembro de 2023 e se tornou o primeiro bebê da Austrália gerado após transplante de útero.

Como funciona o transplante de útero

O transplante uterino está longe de ser um procedimento simples ou rotineiro. Diferentemente de outros transplantes, ele não busca salvar uma vida, mas permitir uma gestação em mulheres sem útero funcional. Por isso, o órgão transplantado permanece no corpo por tempo limitado. Durante esse período, a paciente usa medicamentos imunossupressores para reduzir o risco de rejeição. Antes da cirurgia, a receptora também passa por etapas da fertilização in vitro e os embriões são congelados, já que a gravidez só ocorre depois da adaptação ao novo órgão.

Procedimento exige precisão extrema

A retirada do útero da doadora exige alto nível de cuidado, pois envolve vasos sanguíneos delicados e estruturas próximas, como bexiga e ureteres. O procedimento depende de equipe especializada, planejamento rigoroso e acompanhamento constante. O transplante também é considerado temporário, já que o útero pode permanecer no corpo por até cinco anos ou até dois partos, conforme o protocolo clínico. Assim, o caso de Kirsty Bryant, Michelle Hayton e Henry uniu ciência, maternidade e inovação médica.

O futuro da medicina reprodutiva

O nascimento de Henry ampliou a discussão sobre os limites da reprodução assistida na Austrália. Especialistas, pesquisadores e equipes médicas avaliam que o caso representa um avanço importante para mulheres sem útero funcional. A história também mostrou como um procedimento experimental pode transformar o projeto de vida de uma família. Enquanto isso, a medicina reprodutiva segue abrindo novas possibilidades para gestações antes consideradas inviáveis.

Até onde a medicina reprodutiva ainda poderá avançar para realizar sonhos que antes pareciam impossíveis?

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Caio Aviz

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