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Feita de sal comum e 50% mais barata que o lítio, a nova bateria chinesa promete 500 km de autonomia e pode revolucionar os carros elétricos a partir de 2026

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 16/04/2026 às 17:30 Atualizado em 16/04/2026 às 17:32
Célula de bateria de íons de sódio em linha de produção
Baterias de sódio custam 50% menos que lítio e prometem 500 km de autonomia
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CATL e BYD iniciam produção em massa de baterias feitas com sódio extraído de sal comum, eliminando lítio, cobalto e níquel — com autonomia de 500 km e vida útil de 5,8 milhões de quilômetros

A China acaba de dar um passo que pode mudar o mercado de carros elétricos para sempre. A CATL, maior fabricante de baterias do mundo, confirmou o início do fornecimento de baterias de íons de sódio para carros de passeio a partir de abril de 2026.

A tecnologia usa sódio extraído de sal comum no lugar de lítio, cobalto e níquel. São materiais abundantes e baratos.

O resultado é uma bateria até 50% mais barata que as atuais de lítio. E com desempenho surpreendentemente próximo.

A BYD também avança com sua terceira geração de baterias de sódio. O foco é em veículos de entrada com custo reduzido.

As remessas globais de baterias de sódio atingiram 9 GWh em 2025. Isso representa um crescimento de 150% em relação ao ano anterior.

Linha de produção de baterias de íons de sódio em fábrica chinesa
A CATL inicia fornecimento de baterias de sódio para carros de passeio em abril de 2026 — Imagem ilustrativa

Como uma bateria feita de sal substitui o lítio

O sódio é o sexto elemento mais abundante na crosta terrestre. Pode ser extraído de sal marinho ou depósitos minerais.

Diferente do lítio, que é concentrado em poucos países, o sódio está disponível em praticamente todo o planeta.

A bateria da CATL alcança 175 Wh/kg de densidade energética. É próxima das baterias LFP de lítio, que ficam entre 160 e 200 Wh/kg.

A autonomia chega a 500 km com uma carga. Para uso urbano diário, é mais que suficiente.

Em temperaturas negativas, as baterias de sódio perdem muito menos capacidade que as de lítio. É uma vantagem técnica importante.

A segurança também é superior. O risco de ignição é quase zero, graças à estabilidade térmica do sódio.

Os números que explicam a revolução

  • Custo: até 50% mais barata que baterias de lítio
  • Densidade energética: 175 Wh/kg (CATL)
  • Autonomia: até 500 km por carga
  • Vida útil: até 10.000 ciclos (BYD 3ª geração)
  • Quilometragem total: 5,8 milhões de km (CATL)
  • Remessas 2025: 9 GWh (+150% vs 2024)
  • Produção em massa: a partir de abril-julho 2026

A vida útil de 5,8 milhões de quilômetros é impressionante. Equivale a dar 145 voltas ao redor da Terra.

Comparação entre minerais de sódio e lítio usados em baterias
O sódio é extraído de sal comum e está disponível em todo o planeta, diferente do lítio escasso — Imagem ilustrativa

CATL e BYD lideram a corrida

A CATL lançou em abril de 2025 a primeira bateria de sódio em escala industrial. A densidade atingiu 175 Wh/kg.

O primeiro carro de passeio com a tecnologia será o GAC Aion. A produção em série começa entre abril e julho de 2026.

A empresa também planeja expandir para o Aion Y Plus. A meta é democratizar o acesso a carros elétricos acessíveis.

A BYD investe na terceira geração de baterias de sódio. O foco é ultrabarato com durabilidade extrema de 10.000 ciclos.

Outras fabricantes como EVE Energy e Ronbay Technology também constroem linhas de produção dedicadas ao sódio.

A CATL ainda desenvolve packs híbridos que combinam sódio e lítio. A ideia é otimizar custo e autonomia no mesmo veículo.

O que muda no preço dos carros elétricos

O carbonato de lítio chegou a 170.000 yuans por tonelada na China. Isso equivale a cerca de R$ 130.000 por tonelada.

A alta do lítio foi um dos principais motores da busca por alternativas. O sódio surge como resposta direta a esse problema.

Com baterias 50% mais baratas, carros elétricos de entrada podem finalmente competir em preço com os modelos a combustão.

O impacto também alcança o armazenamento de energia. Usinas solares e eólicas podem usar baterias de sódio para guardar energia a custo menor.

Para o Brasil, a tecnologia é especialmente relevante. O país poderia se beneficiar como produtor de sódio em larga escala.

Carro elétrico chinês compacto com bateria de sódio em estação de carregamento
O GAC Aion será o primeiro carro de passeio com bateria de sódio em produção em série — Imagem ilustrativa

Sódio complementa, mas ainda não substitui o lítio

Apesar dos avanços, a densidade energética do sódio ainda é inferior. Para veículos premium com alta autonomia, o lítio segue necessário.

A cadeia de suprimentos do sódio é imatura. A produção em larga escala ainda está em desenvolvimento.

Os próximos dois a três anos serão decisivos, segundo o Fórum da Cadeia da Indústria de Baterias de Sódio realizado na China.

A China domina cerca de 70% do mercado global de baterias. O Ocidente foca em lítio por causa de subsídios como o IRA nos EUA.

Ainda assim, o sódio abre uma janela para países em desenvolvimento. Materiais abundantes reduzem a dependência geopolítica.

As informações deste artigo foram compiladas a partir de reportagens do Canal VE e do Portal N10. Dados sobre produção e custos são baseados em projeções de mercado e podem sofrer variações.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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