Pesquisadores da UFPR desenvolvem bateria de íon-sódio com propriedades inéditas, apontada como alternativa mais segura e sustentável às baterias de lítio e com potencial de impulsionar soluções em energias renováveis.
O desenvolvimento de soluções eficientes para armazenamento de energia segue como um dos principais desafios das energias renováveis. Nesse contexto, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apresentaram um avanço tecnológico que pode alterar o cenário do setor.
Trata-se de uma bateria de íon-sódio com características inéditas, projetada para oferecer mais segurança, sustentabilidade e versatilidade em aplicações futuras.
A tecnologia foi destacada pela revista Ciência UFPR como uma alternativa promissora às baterias de íon-lítio, amplamente utilizadas em dispositivos eletrônicos e sistemas de energia limpa.
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O novo modelo amplia as possibilidades de integração com fontes renováveis, especialmente em sistemas que exigem armazenamento estável e de baixo impacto ambiental.
Alternativa ao lítio reduz riscos e impactos ambientais
As baterias de íon-lítio dominaram o mercado nas últimas décadas, sobretudo pela alta capacidade de armazenamento e longa vida útil. No entanto, pesquisadores apontam limitações importantes associadas a esse tipo de tecnologia, especialmente no que se refere à segurança e ao uso de materiais tóxicos.
“Por muito tempo, as baterias de íons de lítio dominaram a eletrônica portátil graças à sua alta capacidade de armazenamento e longa duração. No entanto, essas baterias utilizam solventes orgânicos tóxicos e inflamáveis, o que pode causar curtos-circuitos e aumentar o risco de acidentes”, declarou Maria Karolina Ramos, pesquisadora da UFPR.
A nova bateria de íon-sódio elimina o uso desses solventes inflamáveis, funcionando em meio aquoso. Com isso, o risco de acidentes é reduzido e o impacto ambiental do processo produtivo também diminui, fator relevante para cadeias ligadas às energias renováveis.
Protótipo reúne propriedades inéditas em quase três décadas de estudos
Após cerca de 30 anos de pesquisas na área, o grupo da UFPR conseguiu desenvolver um protótipo funcional que reúne, de forma inédita, três características simultâneas: flexibilidade, transparência e operação em meio aquoso. A combinação desses atributos amplia o leque de aplicações possíveis, incluindo eletrônicos flexíveis, dispositivos vestíveis e soluções integradas a sistemas de geração limpa.
Segundo os pesquisadores, a inovação está diretamente relacionada ao método utilizado na produção dos materiais. A técnica permite criar filmes extremamente finos, com espessura de poucos nanômetros, que podem ser aplicados sobre diferentes superfícies.
Tecnologia de filmes finos amplia aplicações futuras
De acordo com o professor Zarbin, a base do projeto está na forma como os materiais são preparados. Essa abordagem foi decisiva para alcançar as propriedades inéditas da bateria de íon-sódio.
“Toda a base do estudo é uma tecnologia de preparar materiais na forma de filme fino, com poucos nanômetros de espessura. A gente consegue depositar esse material em cima de qualquer coisa”, explicou o professor.
Essa flexibilidade abre espaço para o uso da bateria em diferentes contextos, inclusive em sistemas descentralizados de energias renováveis, onde leveza, segurança e adaptação a diferentes formatos são fatores estratégicos.
Potencial para integrar soluções de energia limpa
Com maior abundância e menor custo em relação ao lítio, o sódio surge como um elemento estratégico para tecnologias de armazenamento associadas às energias renováveis. A expectativa dos pesquisadores é que o avanço contribua para sistemas mais sustentáveis, especialmente em aplicações que exigem escalabilidade e menor impacto ambiental.
Ao reunir segurança, inovação e sustentabilidade, a bateria de íon-sódio desenvolvida na UFPR se insere como um passo relevante no esforço científico de ampliar a eficiência e a viabilidade das energias renováveis, acompanhando a crescente demanda por soluções limpas e tecnologicamente avançadas.

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