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Basta mistura cimento e resina acrílica e surge uma tinta emborrachada que promete impermeabilizar lajes, pisos e calçadas: fórmula simples com pigmento, secagem em 24 horas e até duas demãos extras de resina para reforçar a resistência à água.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 14/03/2026 às 15:47
Assista o vídeoMistura de cimento e resina acrílica viraliza como tinta emborrachada para lajes e pisos. Veja como funciona e o que dizem normas técnicas.
Mistura de cimento e resina acrílica viraliza como tinta emborrachada para lajes e pisos. Veja como funciona e o que dizem normas técnicas.
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Mistura de cimento com resina acrílica volta a circular nas redes como alternativa caseira para impermeabilizar lajes, pisos e calçadas. Demonstração promete efeito emborrachado e resistência à água após 24 horas de secagem, mas levanta dúvidas sobre desempenho real e ausência de especificações técnicas.

Uma mistura caseira de cimento, resina acrílica à base de água e pigmento voltou a circular com força nas redes ao prometer uma “tinta emborrachada” capaz de proteger lajes, pisos e calçadas contra umidade e infiltrações.

A demonstração mostra aplicação direta sobre piso áspero, secagem em 24 horas e teste com água e sabão, mas não apresenta ficha técnica, traço exato, ensaio de desempenho nem identificação do responsável pela formulação.

Receita caseira que viralizou nas redes

O ponto que mais chama atenção no vídeo é o apelo da simplicidade.

Primeiro, o cimento é despejado em uma vasilha.

Em seguida, a resina acrílica vai sendo incorporada aos poucos, enquanto a massa é mexida até perder grumos e ganhar aspecto uniforme.

Depois disso, entra o pigmento, descrito como líquido, embora também se mencione a possibilidade de uso da versão em pó para mudar a cor final do revestimento.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Na prática, a combinação apresentada tenta reproduzir, de forma artesanal, um princípio conhecido do mercado de impermeabilização: a associação entre componentes cimentícios e polímeros acrílicos.

Fabricantes do setor oferecem produtos bicomponentes com essa base, mas eles são industrializados, levam aditivos específicos, têm indicação de uso definida e são vendidos com orientação técnica para concreto, argamassa ou alvenaria.

Não se trata, portanto, de uma equivalência automática entre a mistura caseira e os sistemas prontos comercializados para obras.

Diferença entre mistura artesanal e produtos profissionais

Esse detalhe é central porque o vídeo sugere um uso amplo demais, incluindo pisos grossos, calçadas e lajes com goteira ou infiltração, sem distinguir as exigências de cada superfície.

A ABNT NBR 9574, norma de execução de impermeabilização, trata justamente de critérios para proteção contra passagem de fluidos nas partes construtivas que exigem estanqueidade, o que reforça a necessidade de especificação correta do sistema em vez de soluções genéricas apresentadas como universais.

Outro ponto relevante envolve a própria resina acrílica.

Boletins técnicos de fabricantes consultados indicam que esse tipo de produto, quando formulado para impermeabilizar ou proteger superfícies porosas, é destinado a telhas, concreto aparente, tijolos à vista, pedras naturais e pisos cimentados.

Em alguns casos, a recomendação é expressa: a resina não deve ser aplicada sobre superfícies esmaltadas, vitrificadas, enceradas ou não porosas, e problemas prévios de umidade precisam ser tratados antes da pintura.

Falta de proporção e dados técnicos na demonstração

A gravação também recomenda peneirar o cimento caso o material esteja empedrado, o que faz sentido do ponto de vista prático para reduzir grumos e melhorar a homogeneização.

Ainda assim, a ausência da proporção entre cimento, resina e pigmento impede qualquer verificação objetiva sobre viscosidade, cobertura, aderência, elasticidade e resistência ao intemperismo.

Sem esse dado básico, não há como confirmar se o resultado obtido em uma área pequena pode ser repetido com segurança em toda a laje ou em uma calçada exposta a sol, chuva e variação térmica.

Teste com água e promessa de impermeabilização

Na etapa de aplicação, a mistura é espalhada sobre um piso áspero com pincel, em camada contínua, e o narrador afirma que o composto pode ser usado em áreas externas e em lajes com infiltração.

Depois de 24 horas, aparece um teste com detergente, água e vassoura para sustentar a ideia de que a película teria ficado impermeável e emborrachada.

Em seguida, surge a orientação de aplicar duas demãos extras apenas de resina acrílica sobre a área já pintada, como forma de reforçar a resistência à água.

Esse complemento com resina pura encontra algum paralelo nas fichas técnicas de produtos de mercado, que costumam prever duas a três demãos e admitem mais camadas em superfícies muito porosas quando se busca maior proteção ou brilho.

Há também orientações objetivas sobre secagem.

Uma das resinas consultadas indica secagem ao toque em 30 minutos, intervalo de quatro horas entre demãos, secagem final em 12 horas e espera mínima de 24 horas para tráfego de pessoas, além de 48 horas para veículos leves.

Nada disso, porém, valida automaticamente a receita caseira, já que cada produto industrializado trabalha com composição, espessura e rendimento definidos.

Preparação da superfície também influencia o resultado

O cuidado com a base é outro aspecto pouco explorado na demonstração.

Documentos técnicos de fabricantes informam que reboco, emboço, concreto e pisos novos de cimento precisam cumprir cura mínima de 30 dias antes de receber resina impermeabilizante.

Além disso, a preparação inclui limpeza, remoção de pó, correção de imperfeições e eliminação da umidade, porque a pintura não deve começar sobre substrato com problema ativo de infiltração.

Quando o vídeo apresenta a mistura como solução direta para lajes com goteira, esse contexto técnico fica ausente.

Também chama atenção a troca entre termos como “tinta emborrachada”, “impermeabilização” e “resistência à água”, usados como se fossem equivalentes absolutos.

No mercado, há diferenças importantes entre resinas de proteção para superfícies porosas, mantas líquidas acrílicas e argamassas impermeabilizantes bicomponentes.

Algumas são voltadas a paredes externas, outras a telhados e lajes, enquanto os revestimentos cimentícios flexíveis são indicados para estruturas suspensas e áreas sujeitas a microfissuras.

Essa distinção técnica muda o desempenho esperado e o modo de aplicação.

Segunda mistura apresentada no vídeo

A parte final da gravação ainda apresenta uma segunda mistura, feita com cola, álcool e pigmento, para pintura de ferro, gesso, vidro e artesanato.

Como não há identificação do produto, composição completa, especificação do tipo de cola nem confirmação independente sobre aderência nesses substratos, a demonstração não oferece base suficiente para transformar esse procedimento em orientação segura de uso amplo.

Por isso, o foco mais verificável permanece na combinação entre cimento e resina acrílica, que ao menos encontra correspondência parcial em sistemas industriais já conhecidos pela construção civil, embora com formulações controladas e desempenho documentado.

No conjunto, o vídeo mostra uma receita que pode gerar uma película pigmentada sobre superfície porosa e reproduz, de maneira simplificada, a lógica de produtos cimentícios com polímero.

O problema começa quando o experimento doméstico é apresentado como resposta abrangente para impermeabilizar lajes, pisos e calçadas, sem traço definido, sem ensaio comparativo e sem atender às exigências técnicas normalmente adotadas para sistemas de impermeabilização.

Em obra, a diferença entre repelir água em um teste pontual e resolver infiltração de forma durável costuma depender justamente do que a gravação não informa: preparação correta da base, especificação do sistema, espessura, consumo por metro quadrado, número de demãos e cura completa.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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