Banco Central desmonta o Drex, abandona pagamentos e adia nova fase para 2026 após falhas de privacidade na tecnologia blockchain
O Banco Central (BC) decidiu alterar profundamente o projeto da moeda digital Drex (Digital Real X), criado para simplificar operações financeiras por meio de tokenização. A iniciativa começou em 2020, mas, por causa de problemas de privacidade, foi adiada para 2026 e seguirá com um foco diferente do planejado inicialmente.
Origem do Drex e mudanças no cronograma
O BC iniciou o Drex em 2020 com um grupo de trabalho responsável por estudar a criação da moeda digital. No ano seguinte, a instituição divulgou as diretrizes do desenvolvimento, que incluíam pagamentos no varejo, operações online e offline e até a possibilidade de uma versão física da moeda.
Em 2023, começaram os testes da nova tecnologia e foram selecionados os 16 primeiros participantes, entre consórcios e instituições financeiras. Nesse período, também surgiu o nome Drex, substituindo a denominação anterior, Real Digital. Ainda naquele ano, ocorreu a primeira transferência entre bancos utilizando a plataforma, em caráter experimental.
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O BC iniciou a segunda fase de testes em 2024 e planejava iniciar a terceira em 2025. O lançamento ao público, previsto para o início deste ano, não aconteceu. Agora, o órgão estima uma nova etapa de testes apenas para 2026.
Com a reorientação do projeto, o Drex deixará de incluir funcionalidades de pagamento. Segundo o BC, parte da infraestrutura baseada em DLT (Distributed Ledger Technology) será desligada na próxima segunda-feira (10), conforme comunicado aos consórcios que participam do desenvolvimento.
Motivos para a mudança e próximos passos
A mudança ocorre porque o Drex utilizaria uma infraestrutura blockchain que ainda apresenta problemas de privacidade não resolvidos. Questões como sigilo bancário exigem correções estruturais, que não avançaram no ritmo necessário.
O BC prevê decidir, no primeiro semestre de 2026, qual tecnologia irá substituir a atual base para a continuidade do programa piloto.
Entre as prioridades está o desenvolvimento de um serviço que garanta registros seguros sobre o uso de ativos como garantia de crédito. O objetivo é aprimorar esse mecanismo antes de avançar para outras funcionalidades.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Fabio Araujo, coordenador do projeto, afirmou que as soluções testadas “ainda não apresentam nível de maturidade compatível com o que é requerido pelos serviços operados no sistema financeiro nacional”. Ele também destacou que chamar o Drex de “moeda digital” pode gerar interpretações equivocadas, já que essa não é a essência do projeto.
Internamente, o Banco Central não interpreta a mudança de rota como um fracasso. A instituição avalia novos modelos de negócio e estuda outras formas de aplicação para a tecnologia desenvolvida até aqui, enquanto reorganiza os próximos passos do Drex para 2026.

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