Banco Central anuncia criação de teto no Pix e novas regras para fintechs em 2025. Medidas buscam aumentar a segurança e coibir crimes.
O Banco Central (BC) confirmou que vai implementar mudanças regulatórias para reforçar a segurança no sistema de pagamentos brasileiro. As medidas, que serão detalhadas em coletiva nesta sexta-feira, 5 de setembro de 2025, em Brasília, incluem a criação de um teto para transferências via Pix e TED, além de novas exigências de capital e requisitos técnicos para fintechs.
A decisão busca frear crimes financeiros e ampliar o controle sobre operações de alto valor.
Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, a iniciativa visa reduzir os riscos de ataques cibernéticos e impedir que organizações criminosas usem fintechs para movimentar grandes quantias de forma ilícita.
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A medida também antecipa o cronograma de supervisão sobre instituições de pagamento, trazendo as fintechs para o radar regulatório já em 2026, três anos antes do previsto inicialmente.
O que muda com o teto para transferências no Pix
Uma das novidades mais aguardadas é o teto Pix, que vai limitar o valor máximo permitido em cada transação bancária, tanto para pessoas físicas quanto para empresas.
De acordo com a fonte, o limite será fixado em um patamar considerado “alto o suficiente para não atrapalhar a rotina de pagamentos”, mas que dificultará movimentações milionárias em uma única operação.
A ideia é facilitar a detecção de atividades suspeitas, já que transações de grande porte poderão ser rastreadas de forma mais eficiente.
Essa decisão surge após casos recentes de ataques que desviaram centenas de milhões de reais em um curto espaço de tempo, demonstrando fragilidades no sistema atual.
Fintechs na mira do Banco Central
As fintechs, que oferecem soluções digitais no setor financeiro, também estão no centro das mudanças. O Banco Central pretende exigir mais capital e robustez técnica dessas empresas, especialmente das chamadas Prestadoras de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs).
Companhias como C&M Software e Sinqia, que já foram alvos de ataques hackers neste ano, estão entre as que precisarão se adequar às novas regras.
Parte do mercado pode não ter condições de acompanhar as exigências, o que tende a gerar consolidação no setor.
Além disso, o BC quer antecipar de 2029 para 2026 o prazo final de enquadramento das fintechs no regulamento oficial, aumentando seu poder de fiscalização sobre as atividades dessas instituições.
Combate ao crime organizado no sistema financeiro
O endurecimento das regras tem ligação direta com o avanço das investigações contra o uso de fintechs por facções criminosas.
A Operação Carbono Oculto revelou que contas abertas em algumas instituições de pagamento foram utilizadas para lavagem de dinheiro.
Outro ponto de atenção são as chamadas contas-bolsão, criadas em bancos tradicionais por meio de fintechs, mas de difícil rastreamento do cliente final.
Esse mecanismo pode ser explorado pelo crime organizado, tornando a fiscalização ainda mais complexa.
Paralelamente, a Receita Federal já havia anunciado novas obrigações para fintechs, exigindo relatórios mais detalhados sobre movimentações financeiras de clientes.
Impactos esperados no mercado e para os usuários
Embora o anúncio gere apreensão entre empresas do setor, o Banco Central garante que o teto Pix não trará impacto negativo para o dia a dia da população.
A expectativa é que a medida aumente a segurança e dê mais confiança para usuários do sistema digital de pagamentos.
Especialistas acreditam que as mudanças podem levar à consolidação do mercado de fintechs, fortalecendo empresas mais estruturadas e eliminando aquelas que não conseguirem se adaptar às novas exigências técnicas e financeiras.
Ao mesmo tempo, a fiscalização mais rígida deve ajudar a reduzir os crimes financeiros e blindar o sistema contra ataques que causam prejuízos milionários.

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