Operação americana contra a bicheira-do-Novo-Mundo avança na fronteira com o México e mobiliza aviões, moscas estéreis, quarentenas e vigilância sanitária em meio à pressão sobre a pecuária do Texas.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos decidiu redirecionar aviões e insetos estéreis para reforçar a contenção da bicheira-do-Novo-Mundo na fronteira com o México, depois de novos registros do parasita em áreas cada vez mais próximas do Texas.
A operação prevê a liberação de 100 milhões de moscas estéreis por semana para reduzir o risco de reprodução da espécie em regiões consideradas estratégicas pelo governo americano.
A medida foi anunciada pelo Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal, o Aphis, órgão vinculado ao USDA.
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A nova área de dispersão inclui operações cerca de 50 milhas para dentro do Texas, ao longo da divisa dos Estados Unidos com Tamaulipas, no nordeste do México.
O alerta aumentou após a identificação da bicheira-do-Novo-Mundo em uma ovelha jovem no estado mexicano de Coahuila, a cerca de 31 milhas, ou 50 quilômetros, da fronteira americana.
Segundo a Reuters, esse foi o registro mais próximo dos Estados Unidos no surto recente, em meio aos esforços de Washington e do governo mexicano para conter a expansão do parasita.
Em 4 de junho de 2026, o USDA também confirmou a presença do parasita em um bezerro no sul do Texas.
A Reuters informou que o caso foi identificado em La Pryor, cidade próxima à fronteira com o México, e levou autoridades federais e estaduais a ampliarem as ações de vigilância e resposta sanitária.
Moscas estéreis são usadas para conter a bicheira-do-Novo-Mundo
A técnica adotada pelos Estados Unidos é conhecida como técnica do inseto estéril.
O método consiste em criar machos estéreis em larga escala e liberá-los em áreas definidas pelas autoridades sanitárias.
Como a fêmea da bicheira-do-Novo-Mundo acasala apenas uma vez, o cruzamento com um macho estéril impede a geração de larvas viáveis.
Com isso, a estratégia busca reduzir a reprodução do inseto e limitar sua expansão territorial.
O USDA afirma que a liberação das moscas precisa ser combinada com vigilância em campo, restrições de movimentação de animais, protocolos de importação e orientação a produtores rurais.
“At Secretary Rollins’ direction, our highest priority is protecting the United States from screwworm”, disse Dudley Hoskins, subsecretário de Programas Regulatórios e de Marketing do USDA, no comunicado oficial.
De acordo com o órgão, a mudança no chamado polígono de dispersão foi adotada para reforçar a cobertura ao longo da fronteira.
As moscas estéreis usadas na operação recebem um corante fluorescente ainda na fase de pupa.
Quando se tornam adultas, carregam a marcação, que pode ser detectada sob luz ultravioleta e, em alguns casos, observada a olho nu.
Esse procedimento permite que agentes de saúde animal diferenciem insetos liberados pelo governo de moscas selvagens capazes de se reproduzir.
Pecuária do Texas está no centro da preocupação econômica
O impacto econômico projetado pelas autoridades é um dos pontos centrais da mobilização.
Segundo estimativa citada pela Reuters, um surto amplo no Texas poderia causar US$ 1,8 bilhão em prejuízos à economia do estado, que tem papel relevante na produção de gado dos Estados Unidos.
A ameaça ocorre em um período de oferta reduzida de bovinos no país.
A Reuters informou que o rebanho americano está no menor nível em 75 anos e que os preços da carne bovina chegaram a patamares recordes.
Nesse cenário, especialistas ouvidos pela agência afirmam que novas restrições ao transporte de animais ou perdas de bezerros poderiam afetar a cadeia produtiva.
A bicheira-do-Novo-Mundo não infesta apenas bovinos.
As larvas podem atingir animais domésticos, espécies silvestres e, em casos menos comuns, seres humanos.
A mosca deposita ovos em feridas abertas ou em aberturas naturais do corpo, como nariz, orelhas, genitais e umbigo de animais recém-nascidos.
Depois da eclosão, as larvas penetram no tecido vivo e ampliam a lesão.
De acordo com o USDA, a infestação pode causar feridas com secreção, aumento de tamanho e sinais de desconforto nos animais.
Por isso, criadores, veterinários e donos de animais são orientados a comunicar suspeitas às autoridades sanitárias.

Quarentenas e inspeções reforçam barreira sanitária dos EUA
Além da liberação de insetos estéreis, os Estados Unidos mantêm protocolos sanitários para reduzir o risco de entrada da praga por animais importados.
Washington bloqueou importações de gado do México em diferentes momentos durante o avanço do surto, medida que afetou o comércio entre os dois países.
O USDA também relatou um caso identificado em uma instalação de quarentena de importação de equinos na Flórida.
Um cavalo vindo da Argentina apresentou ferida aberta com larvas durante inspeção de rotina.
Amostras foram enviadas ao Laboratório Nacional de Serviços Veterinários, em Iowa, e os exames confirmaram a presença da bicheira-do-Novo-Mundo.
Conforme o órgão, o animal permaneceu em quarentena e recebeu tratamento previsto nos protocolos sanitários.
O USDA afirmou que o episódio não parecia estar ligado ao surto em andamento no México, mas foi citado pela agência como exemplo da importância das inspeções em rotas de entrada de animais.
Nas áreas de maior risco da fronteira, equipes americanas mantêm armadilhas específicas para a bicheira-do-Novo-Mundo e utilizam estruturas de monitoramento de outros insetos.
O USDA também informou que realiza inspeções em animais silvestres, já que espécies livres podem dificultar a detecção rápida da praga em áreas extensas.
Produção de moscas estéreis depende de unidades especializadas
A bicheira-do-Novo-Mundo já foi um problema sanitário relevante para a pecuária americana, mas os Estados Unidos eliminaram a praga do território nacional no século 20 com o uso da técnica do inseto estéril.
O desafio atual, segundo autoridades sanitárias, é impedir que o parasita volte a se estabelecer após a expansão registrada na América Central e no México.
A produção das moscas estéreis depende de instalações especializadas.
O USDA informa que a unidade de Pacora, no Panamá, operada em parceria com autoridades locais por meio da Copeg, é a única fábrica de produção de moscas estéreis da bicheira-do-Novo-Mundo em operação na América do Norte e produz aproximadamente 100 milhões de insetos por semana.
Outra estrutura, localizada em Tuxtla Gutiérrez, no México, funciona como instalação de dispersão.
Segundo o USDA, o local tem capacidade para liberar até 100 milhões de moscas por semana, com pupas estéreis transportadas do Panamá, incubadas no México e depois liberadas em áreas-alvo.
A resposta americana combina ações emergenciais, monitoramento de fronteira e ampliação da capacidade operacional.
Segundo a Reuters, após a confirmação no Texas, autoridades estabeleceram medidas de contenção, incluindo restrições de movimentação em uma área ao redor do foco identificado e inspeções em estradas.
Para produtores rurais, a orientação oficial é reforçar a observação diária dos animais, tratar feridas rapidamente e comunicar qualquer suspeita.
Em humanos, a infestação é incomum, mas autoridades de saúde recomendam procurar atendimento médico diante de lesões suspeitas, especialmente após contato com animais ou permanência em áreas com risco sanitário.


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