Projeto da UFPB e da UNI usa inteligência artificial para otimizar produção de hidrogênio verde e ampliar avanços em energia renovável.
A busca global por fontes limpas de energia segue acelerando investimentos em tecnologias voltadas para o hidrogênio verde. Nesse cenário, pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Nacional de Engenharia do Peru (UNI) desenvolveram um modelo de gêmeo digital capaz de simular operações em tempo real em uma planta experimental de produção de hidrogênio.
Segundo publicação da UFPB no dia 26 de maio de 2026, o sistema utiliza inteligência artificial e redes neurais artificiais para acompanhar o desempenho da planta, prever falhas e atualizar continuamente os dados operacionais. O avanço coloca UFPB, UNI e pesquisadores latino-americanos em destaque em uma das áreas mais estratégicas da transição energética mundial.
UFPB e UNI apostam em tecnologia para acelerar o hidrogênio verde
O projeto desenvolvido pelos pesquisadores cria uma espécie de réplica virtual da planta de produção de hidrogênio verde da UNI, no Peru. Essa cópia digital consegue reproduzir o comportamento da instalação física em tempo real, permitindo análises, previsões e monitoramento contínuo das operações.
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Na prática, o gêmeo digital funciona como um ambiente virtual inteligente. Ele recebe dados operacionais da planta real e consegue identificar padrões, variações e possíveis falhas antes que problemas maiores ocorram.
Segundo os autores do estudo, o modelo apresentou alta precisão ao reproduzir a produção de hidrogênio da planta experimental. Isso torna a tecnologia uma ferramenta relevante para aumentar a eficiência operacional e reduzir desperdícios.
Além disso, a iniciativa reforça o potencial da UFPB e da UNI em pesquisas voltadas para energia renovável e inovação industrial.
Pesquisadores usam inteligência artificial para prever desempenho da planta
O sistema criado pelos pesquisadores integra diferentes tipos de informações operacionais da planta experimental da UNI. Entre os dados utilizados estão variáveis elétricas, térmicas e hidráulicas coletadas diretamente da estrutura física.
Para processar essas informações, o modelo utiliza algoritmos de redes neurais artificiais. O objetivo é prever o rendimento do hidrogênio verde e avaliar a eficiência geral da planta em diferentes cenários operacionais.
A metodologia aplicada inclui etapas importantes, como:
- Aquisição de dados operacionais
- Pré-processamento das informações
- Normalização dos dados
- Aprendizado incremental do sistema
- Atualização contínua do modelo virtual
Outro diferencial está no chamado batch retraining, um processo de reaprendizado contínuo. Nesse método, novos dados são incorporados gradualmente ao sistema para melhorar a precisão das previsões.
Segundo os pesquisadores, essa atualização constante ajuda o gêmeo digital a acompanhar mudanças reais da planta e reduzir diferenças entre resultados previstos e observados experimentalmente.
Como o hidrogênio verde ganha força na transição energética
O hidrogênio verde é produzido a partir da eletrólise da água utilizando eletricidade gerada por fontes limpas, como energia solar, eólica e hidrelétrica. Diferentemente do hidrogênio produzido com combustíveis fósseis, o processo praticamente não gera emissão de carbono.
Nos últimos anos, diversos países passaram a investir bilhões de dólares em projetos ligados ao hidrogênio verde. O combustível é visto como uma alternativa importante para descarbonizar setores industriais considerados difíceis de eletrificar.
Entre os segmentos que podem utilizar a tecnologia estão:
- Indústria siderúrgica
- Transporte pesado
- Produção de fertilizantes
- Aviação sustentável
- Armazenamento de energia renovável
Nesse contexto, pesquisas desenvolvidas pela UFPB, pela UNI e por outros centros acadêmicos ganham relevância estratégica para o futuro da energia renovável na América Latina.

Gêmeo digital pode reduzir falhas industriais e desperdícios
Um dos pontos mais importantes do estudo é a capacidade do gêmeo digital de antecipar problemas operacionais. Isso pode ajudar empresas e centros de pesquisa a reduzir custos com manutenção e evitar interrupções inesperadas.
A tecnologia também permite testar cenários virtuais sem necessidade de interromper o funcionamento da planta física. Isso aumenta a segurança operacional e facilita ajustes nos sistemas industriais.
Os pesquisadores destacam que o modelo desenvolvido pode futuramente ser integrado a estratégias mais avançadas de controle operacional e inteligência artificial explicável.
Além disso, a metodologia pode ser aplicada em plantas maiores e em outras tecnologias de eletrólise voltadas para produção de hidrogênio verde.
UFPB, UNI e pesquisadores fortalecem cooperação internacional
O trabalho foi liderado pelo professor Juan M. Mauricio Villanueva, do Centro de Energias Alternativas e Renováveis da UFPB, em parceria com pesquisadores da UNI.
Também participaram do estudo os pesquisadores Rubén Aquize Palacios, Aurelio Morales-Villanueva, Cesar Briceño Aranda, Oswaldo A. Waters Torres e James Erick Vílchez García.
A cooperação entre universidades brasileiras e peruanas mostra como projetos internacionais vêm se tornando fundamentais para acelerar avanços tecnológicos ligados à energia renovável.
Além da troca de conhecimento científico, essas parcerias permitem compartilhar infraestrutura, experiências operacionais e novas metodologias aplicadas ao setor energético.
Energia renovável impulsiona novos projetos na América Latina
O avanço do hidrogênio verde também abre oportunidades econômicas para países latino-americanos. Regiões com grande potencial de geração solar e eólica podem se tornar produtoras estratégicas de combustíveis sustentáveis nas próximas décadas.
Brasil, Chile e Peru aparecem frequentemente em estudos internacionais como países com condições favoráveis para ampliar projetos ligados à energia renovável e à produção de hidrogênio de baixa emissão.
Nesse cenário, soluções tecnológicas como os gêmeos digitais podem ajudar a tornar plantas industriais mais eficientes, seguras e competitivas. Especialistas apontam que a combinação entre inteligência artificial, automação industrial e energia renovável deve transformar profundamente o setor energético nos próximos anos.
O que esse avanço representa para o futuro do hidrogênio verde
O projeto desenvolvido por pesquisadores da UFPB e da UNI mostra como universidades latino-americanas estão participando diretamente da nova corrida tecnológica global por energia limpa.
O gêmeo digital criado para a planta experimental de hidrogênio verde consegue simular operações em tempo real, prever falhas e acompanhar mudanças operacionais continuamente. Isso amplia a confiabilidade do sistema e fortalece futuras aplicações industriais.
Além de impulsionar pesquisas em energia renovável, a iniciativa demonstra como inteligência artificial e monitoramento inteligente podem ajudar a acelerar a transição energética e tornar o hidrogênio verde mais eficiente e acessível no futuro.
Com informações de UFPB.


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