O barco-drone ASTRA 460 foi apresentado na Austrália como primeiro USV impresso em 3D do Hemisfério Sul, com casco de polímeros reciclados feito em 40 horas, software autônomo, 40 nós de velocidade, 200 quilômetros de autonomia e produção planejada de 10 a 100 unidades mensais para defesa marítima e segurança.
O barco-drone ASTRA 460 foi apresentado na Austrália como o primeiro veículo de superfície não tripulado impresso em 3D do Hemisfério Sul. A embarcação de 4,6 metros foi projetada para defesa, vigilância, reconhecimento e segurança marítima, combinando casco reciclado, inteligência artificial e produção rápida.
A novidade foi revelada na conferência de Defesa e Segurança do Oceano Índico, em Perth, pelo ministro da Defesa da Austrália Ocidental, Paul Papalia. O projeto reúne a Hyperion Systems, a Versatile Marine e a Greenroom Robotics em uma tentativa de acelerar sistemas navais autônomos de baixo custo.
Barco-drone impresso em 3D estreia na Austrália

O ASTRA 460 é descrito como um veículo de superfície não tripulado, ou USV, voltado a missões marítimas sem tripulação a bordo. O modelo foi desenvolvido para operar como plataforma multifuncional em cenários de defesa e segurança.
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A embarcação chama atenção porque une impressão 3D industrial, resíduos reciclados e navegação autônoma em um único projeto. Em vez de seguir o ritmo tradicional da construção naval, a proposta aposta em produção rápida e adaptação de missão.
Com 4,6 metros, ou 15 pés, o barco não tripulado foi criado para atuar em missões como vigilância, segurança de fronteiras, reconhecimento, coleta de informações e apoio a operações de defesa.
Segundo a Hyperion Systems, o projeto pode fortalecer a capacidade de produção nacional australiana e abrir caminho para sistemas navais autônomos fabricados com mais rapidez e menor custo.
Casco pode ser fabricado em cerca de 40 horas
Um dos principais diferenciais do ASTRA 460 está no processo de fabricação. Segundo a Hyperion Systems, o casco pode ser produzido em cerca de 40 horas com manufatura aditiva de grande formato, conhecida como LFAM.
Esse processo é uma forma de impressão 3D em escala industrial, voltada à produção rápida de peças grandes. No caso do barco-drone, a técnica permite construir o casco com resíduos de polímero reciclados.
O material foi usado nas instalações da Hyperion em Henderson, onde a empresa desenvolve soluções de manufatura avançada. A produção também utiliza a plataforma TitanCell, descrita como uma fábrica compacta que combina robótica, impressão 3D em larga escala e materiais reciclados.
O CEO da Hyperion, Joshua Wigley, comparou esse prazo aos métodos convencionais de construção naval, que poderiam levar de quatro a seis semanas para finalizar o casco. Para ele, a redução no tempo mostra o potencial da manufatura aditiva para capacidade marítima rápida e resiliência industrial.
Resíduos reciclados viram embarcação militar autônoma

O uso de resíduos de polímero reciclados dá ao projeto um componente ambiental e industrial. Em vez de depender apenas de materiais convencionais, a equipe de engenharia transformou resíduos em casco funcional para uma embarcação de defesa.
Esse detalhe reforça o contraste entre sustentabilidade, produção rápida e aplicação militar. A mesma tecnologia que reaproveita materiais também pode acelerar a fabricação de plataformas navais autônomas.
A embarcação foi desenvolvida pela Hyperion Systems em parceria com a Versatile Marine, responsável por arquitetura, engenharia e consultoria naval, e a Greenroom Robotics, especializada em inteligência artificial.
Essa combinação mostra que o ASTRA 460 não é apenas uma peça impressa em 3D. Ele reúne casco, desenho naval, autonomia, software e integração de missão em uma plataforma preparada para testes no mar.
Inteligência artificial controla navegação e operação
A Greenroom Robotics forneceu o software autônomo de navegação e controle, desenvolvido com sua plataforma GAMA. Segundo a empresa, isso dá ao barco capacidade de operação sem tripulação a bordo.
Harry Hubbert, CEO da Greenroom Robotics, afirmou que a adaptação rápida de embarcações a requisitos de missão em mudança pode oferecer vantagem tática em ambientes contestados.
A ideia é que o barco-drone possa ser impresso, equipado com autonomia e colocado na água em questão de dias. Esse tipo de velocidade interessa a forças militares que precisam responder rapidamente a novas demandas operacionais.
Em cenários de defesa, plataformas não tripuladas podem atuar onde embarcações convencionais seriam mais caras, mais lentas ou mais arriscadas para tripulações humanas.
ASTRA 460 chega a 40 nós e até 200 km de autonomia
O ASTRA 460 foi projetado para atingir cerca de 40 nós de velocidade máxima. Em operação de cruzeiro, a faixa informada fica entre 20 e 30 nós, com autonomia de até 200 quilômetros, ou 124 milhas.
Esses números colocam o barco em uma categoria voltada a deslocamento rápido e presença marítima persistente. A velocidade permite resposta ágil, enquanto a autonomia amplia a capacidade de patrulha e vigilância.
A embarcação também foi projetada para operar em diferentes condições marítimas. Sua carga útil modular permite adaptar o sistema a funções específicas de missão.
Essa modularidade é importante porque o mesmo casco pode ser configurado para reconhecimento, vigilância, segurança de fronteiras ou outras aplicações de defesa, conforme a necessidade operacional.
Plataforma modular pode mudar missões de vigilância
Jacob Kleinman, gerente de projeto da ASTRA, afirmou que USVs oferecem vantagens como multiplicadores de força. Segundo ele, são mais baratos de construir e operar do que embarcações tripuladas tradicionais.
O conceito de multiplicador de força é central para entender o projeto. Em vez de substituir totalmente navios com tripulação, o barco-drone pode ampliar a presença marítima e atuar ao lado de frotas convencionais.
A carga útil modular permite reconfiguração rápida. Isso significa que sensores, equipamentos ou sistemas podem ser ajustados conforme a missão, reduzindo o tempo entre uma demanda e a resposta operacional.
Em um ambiente marítimo amplo, como o entorno da Austrália e rotas do Oceano Índico, esse tipo de plataforma pode reforçar patrulhas, monitoramento de fronteiras e operações de segurança.
Produção pode chegar a mais de 100 unidades por mês
A Hyperion afirma que está se preparando para fabricar 10 unidades por mês de imediato. Segundo Joshua Wigley, a produção poderia ser ampliada para mais de 100 unidades mensais, caso necessário.
Esse dado é um dos mais fortes da pauta, porque mostra que o projeto não mira apenas um protótipo isolado. A ambição é criar capacidade de produção rápida e escalável para embarcações autônomas.
Em um cenário de aumento da demanda militar por drones marítimos, conseguir fabricar cascos em poucas dezenas de horas pode representar vantagem industrial.
A impressão 3D também permite variar formatos e configurações de missão. Segundo a empresa, os sistemas de IA e as capacidades de manufatura da Hyperion permitirão que as naves ASTRA sejam fabricadas em diferentes versões.
Testes no mar devem começar ainda em maio de 2026
O ASTRA 460 deverá iniciar uma série de testes no mar ainda em maio de 2026. Essa fase será importante para validar desempenho, autonomia, estabilidade, controle e capacidade de operar em condições reais.
O teste no mar é o momento em que a promessa tecnológica precisa enfrentar o ambiente operacional. Velocidade, autonomia e software autônomo precisam funcionar fora da apresentação oficial e dos testes controlados.
A empresa também revelou que um protótipo maior, de 26 pés, equivalente a cerca de 8 metros, será entregue a uma marinha europeia ainda em 2026.
Esse modelo deverá participar de um importante exercício naval, ampliando o alcance internacional da tecnologia desenvolvida na Austrália.
Demanda militar impulsiona drones marítimos
O lançamento do ASTRA 460 ocorre em um momento de maior interesse por embarcações não tripuladas. A guerra moderna tem aumentado a procura por sistemas autônomos, baratos, rápidos de produzir e capazes de operar sem colocar tripulações em risco direto.
Barcos-drone podem cumprir missões de vigilância, patrulha e reconhecimento com menor custo operacional. Também podem ser usados para ampliar a presença de frotas em áreas extensas.
A vantagem não está apenas no preço. Está na possibilidade de fabricar rapidamente, reconfigurar conforme a missão e multiplicar pontos de observação ou atuação no mar.
Por isso, projetos como o ASTRA 460 chamam atenção de setores de defesa que buscam respostas industriais mais rápidas para um ambiente estratégico em mudança.
Austrália aposta em fabricação rápida e autonomia naval
O barco-drone ASTRA 460 mostra como a Austrália tenta entrar em uma nova fase da tecnologia naval. A embarcação combina impressão 3D, resíduos reciclados, IA, navegação autônoma, velocidade de até 40 nós e produção escalável.
Mais do que uma curiosidade tecnológica, o projeto sinaliza uma mudança na forma de fabricar e empregar plataformas marítimas. Se o casco pode ser impresso em 40 horas e a autonomia instalada em poucos dias, a lógica da construção naval militar começa a mudar.
Ainda será preciso acompanhar os testes no mar, a confiabilidade do sistema e a capacidade real de produção em escala. Mas o ASTRA 460 já coloca o Hemisfério Sul no mapa dos USVs impressos em 3D.
E você, acha que barcos-drone impressos em 3D podem mudar a defesa marítima, ou embarcações tripuladas tradicionais ainda serão indispensáveis por muito tempo? Comente sua opinião.

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