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Austrália inaugura usina solar flutuante colossal sobre reservatório que bloqueia a rápida evaporação em períodos de seca extrema e de quebra ainda produz 600 mil kWh por ano com 1.260 painéis bifaciais para cortar 600 toneladas de CO₂ e reduzir custos de água

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 30/05/2026 às 18:59
Atualizado em 30/05/2026 às 19:09
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Austrália inaugura usina solar flutuante com 1.260 painéis bifaciais para gerar 600 mil kWh e reduzir emissões no setor de água.
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Usina solar flutuante instalada sobre reservatório em Victoria combina geração de energia renovável, redução de emissões e apoio ao abastecimento de água potável, em um projeto que amplia o uso de superfícies aquáticas para cortar custos operacionais no setor hídrico australiano.

A Wannon Water concluiu em Warrnambool, no estado australiano de Victoria, uma usina solar flutuante de 500 kW instalada sobre o reservatório de Brierly Basin, com capacidade prevista para gerar mais de 600 mil kWh por ano e reduzir emissões em mais de 600 toneladas anuais de gases de efeito estufa.

O projeto, desenvolvido pela Enervest, reúne 1.260 painéis solares bifaciais sobre estruturas flutuantes no reservatório usado pela concessionária para abastecimento de água.

A obra foi apresentada como uma das maiores instalações solares flutuantes da Austrália e integra a estratégia da empresa para cortar custos operacionais e ampliar o uso de energia renovável.

Energia solar flutuante reduz custo de bombeamento de água

A principal função da usina é compensar parte da energia consumida no bombeamento de água de Brierly Basin até a estação de tratamento da Wannon Water, que atende moradores e empresas em Warrnambool, Allansford e Koroit.

Essa operação exige grande consumo elétrico porque a água precisa ser levada morro acima até a unidade de tratamento.

Por isso, a geração no próprio reservatório foi considerada mais vantajosa do que a instalação em áreas onde o abastecimento ocorre por gravidade.

Segundo a Wannon Water, o sistema deve melhorar a eficiência energética da operação e aliviar despesas ligadas ao fornecimento de água potável.

Austrália inaugura usina solar flutuante com 1.260 painéis bifaciais para gerar 600 mil kWh e reduzir emissões no setor de água.
Austrália inaugura usina solar flutuante com 1.260 painéis bifaciais para gerar 600 mil kWh e reduzir emissões no setor de água.

O diretor-geral da empresa, Steven Waterhouse, afirmou que iniciativas desse tipo ajudam a manter os custos sob controle.

“Projetos como este nos ajudam a usar a energia de forma mais eficiente e a manter os custos baixos, o que significa melhor custo-benefício para nossos clientes”, disse Waterhouse.

Painéis bifaciais aproveitam a luz refletida pela água

Os módulos usados na usina são bifaciais, tecnologia que permite captar radiação solar pela parte superior e também aproveitar a luz refletida pela superfície da água.

Esse desenho aumenta o rendimento do conjunto em comparação com painéis que recebem luz apenas por uma face.

Os equipamentos foram instalados sobre pontões feitos de polietileno de alta densidade, material aplicado em estruturas flutuantes pela resistência à água e à exposição prolongada ao ambiente externo.

No caso de Brierly Basin, a superfície do reservatório passa a cumprir dupla função: armazenar água bruta e gerar eletricidade limpa para a operação local.

Além de produzir energia, a cobertura parcial formada pelos painéis reduz a incidência direta de sol sobre a lâmina d’água.

Esse efeito pode ajudar a diminuir perdas por evaporação, embora a Wannon Water destaque principalmente os ganhos energéticos, econômicos e ambientais do empreendimento.

Wannon Water amplia geração renovável em reservatórios

A usina de Brierly Basin se tornou o maior sistema solar flutuante já instalado pela Wannon Water.

Antes dela, a concessionária já operava uma planta de 250 kW na Estação de Tratamento de Água de Warrnambool e dois sistemas de 100 kW na Estação de Tratamento de Água de Hamilton.

Com a nova unidade, a empresa reforça sua meta de atingir emissões líquidas zero até 2030.

Austrália inaugura usina solar flutuante com 1.260 painéis bifaciais para gerar 600 mil kWh e reduzir emissões no setor de água.
Austrália inaugura usina solar flutuante com 1.260 painéis bifaciais para gerar 600 mil kWh e reduzir emissões no setor de água.

A redução estimada de mais de 600 toneladas por ano contribui diretamente para esse plano e se soma a outras iniciativas de eficiência energética no setor hídrico australiano.

A construção, iniciada em março de 2026, foi contratada por cerca de AU$ 2 milhões, valor equivalente a aproximadamente US$ 1,4 milhão na conversão divulgada.

A conclusão ocorreu em maio de 2026, dentro do cronograma informado pela concessionária para o projeto.

Austrália acelera uso de energia solar sobre reservatórios

O empreendimento em Warrnambool faz parte de um movimento mais amplo de interesse pela energia solar flutuante na Austrália.

Empresas de água, produtores rurais, distritos de irrigação e operações industriais passaram a avaliar reservatórios, açudes e barragens como áreas úteis para geração renovável sem ocupar solo produtivo.

A tecnologia tem atraído atenção porque combina produção de eletricidade com possível redução de perdas hídricas em regiões sujeitas a seca.

Em países com forte dependência de irrigação e reservatórios abertos, a evaporação representa uma preocupação econômica e ambiental relevante.

Em 2025, avançou no país o projeto Novel Energy and Evaporative Storage Technologies for Irrigators, conhecido pela sigla NEESTI.

A iniciativa, liderada pela AgEcon Australia com apoio da Cotton Research and Development Corporation, busca avaliar o uso de painéis solares flutuantes em barragens de irrigação agrícola.

O programa tem orçamento anunciado de AU$ 13 milhões e recebeu AU$ 6 milhões do Future Drought Fund, fundo do governo federal australiano voltado à resiliência contra secas.

A proposta é estudar aspectos técnicos, econômicos, regulatórios e legais para viabilizar um mercado de energia solar flutuante no campo.

A pesquisa também mira setores com alto consumo de água e energia, incluindo algodão e outras culturas irrigadas.

Um dos pontos avaliados é a possibilidade de usar estruturas flutuantes para reduzir a exposição direta da água ao sol, ao mesmo tempo em que os produtores geram eletricidade para uso próprio ou venda.

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Parcerias internacionais testam novos modelos solares flutuantes

O mercado australiano também passou a receber soluções de empresas estrangeiras especializadas em energia solar flutuante.

A norueguesa Ocean Sun anunciou parceria com a Canopy Power Australia para introduzir sistemas circulares baseados em membranas flutuantes.

A tecnologia divulgada pelas empresas usa estruturas de cerca de 70 metros de diâmetro, com capacidade aproximada de 700 kWp por unidade.

Nesse modelo, os módulos ficam apoiados sobre uma membrana que mantém contato térmico com a água, o que pode favorecer a dissipação de calor e melhorar o desempenho dos painéis.

A Ocean Sun afirma que esse desenho pode elevar o rendimento energético em comparação com sistemas tradicionais, embora o desempenho dependa das condições de instalação, operação e manutenção.

A parceria mira diferentes tipos de clientes, como empresas de água, fazendas, companhias de energia e projetos em áreas remotas.

Enquanto isso, projetos como o de Brierly Basin mostram uma aplicação mais imediata da tecnologia no setor público de serviços essenciais.

Ao instalar painéis sobre reservatórios já existentes, concessionárias conseguem gerar eletricidade perto do ponto de consumo e reduzir a pressão de custos em atividades intensivas em energia.

No caso da Wannon Water, a usina solar flutuante não substitui a infraestrutura de abastecimento, mas passa a complementar a operação de tratamento e bombeamento.

A combinação de reservatório, geração local e redução de emissões explica por que a tecnologia ganhou espaço em regiões que precisam equilibrar segurança hídrica, controle de despesas e transição energética.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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