1. Início
  2. / Construção
  3. / Austrália entra em nova corrida para construir o arranha-céu mais alto com Sydney, Melbourne, Brisbane e Gold Coast disputando projetos que podem superar os 322 metros da Q1 Tower após duas décadas de reinado absoluto
Tempo de leitura 8 min de leitura Comentários 0 comentários

Austrália entra em nova corrida para construir o arranha-céu mais alto com Sydney, Melbourne, Brisbane e Gold Coast disputando projetos que podem superar os 322 metros da Q1 Tower após duas décadas de reinado absoluto

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 04/03/2026 às 10:04
Atualizado em 04/03/2026 às 10:06
Assista o vídeoArranha-céu mais alto da Austrália volta à disputa com Melbourne, Gold Coast e Sydney tentando derrubar a Q1 Tower após duas décadas de liderança absoluta.
Arranha-céu mais alto da Austrália volta à disputa com Melbourne, Gold Coast e Sydney tentando derrubar a Q1 Tower após duas décadas de liderança absoluta.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
11 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

O novo arranha-céu mais alto da Austrália ainda não saiu do papel, mas Sydney, Melbourne, Brisbane e Gold Coast já disputam limites urbanos, exceções políticas e ambição imobiliária para superar os 322 metros da Q1 Tower, recordista desde 2005 e ainda intocada após duas décadas de reinado absoluto no país.

O arranha-céu mais alto da Austrália voltou a ser tema de disputa real depois de duas décadas em que a Q1 Tower, na Gold Coast, permaneceu isolada no topo com 322 metros. Agora, Sydney, Melbourne, Brisbane e a própria Gold Coast reaparecem na corrida com projetos, mudanças regulatórias e exceções urbanas que podem reabrir um recorde que parecia congelado.

A questão não é apenas simbólica. Um novo arranha-céu desse porte envolve espaço urbano, emprego, moradia, prestígio internacional e capacidade de uma cidade empurrar seus próprios limites físicos. Durante anos, nenhuma concorrente conseguiu derrubar a Q1 Tower. Mas, desta vez, a disputa parece menos teórica, ainda que continue cheia de travas, riscos financeiros e incertezas de execução.

Como Sydney perdeu a dianteira e Melbourne assumiu o protagonismo

Durante boa parte do século 20, Sydney foi a referência australiana quando o assunto era arranha-céu. Em 1967, a cidade ergueu a Australia Square Tower, com 170 metros, o primeiro grande marco vertical do país.

Arranha-céu mais alto da Austrália volta à disputa com Melbourne, Gold Coast e Sydney tentando derrubar a Q1 Tower após duas décadas de liderança absoluta.
Australia Square Tower

Na década seguinte, avançou ainda mais e ultrapassou a faixa dos 200 metros pela primeira vez, consolidando a imagem de capital nacional dos grandes edifícios e chegando a deter o posto de construção mais alta de todo o hemisfério sul por nove anos.

Esse domínio começou a ruir em 1986, quando Melbourne entrou de vez na disputa com as Rialto Towers, um edifício de escritórios de 251 metros. A partir dali, o centro de gravidade da corrida mudou.

Pouco depois, a própria Melbourne voltou a superar a marca anterior com a 120 Collins Street e segurou a coroa por 14 anos.

Foi o momento em que a velha liderança de Sydney deixou de ser automática e o recorde passou a circular entre cidades com ambições cada vez maiores.

A virada mais brusca, porém, veio em 2005, quando a Gold Coast surgiu quase como desafiante improvável. Menor e menos tradicional que Sydney e Melbourne, a cidade apostou no efeito de imagem para se projetar nacionalmente.

Foi assim que nasceu a Q1 Tower, com 322 metros, primeiro edifício da Austrália a ultrapassar os 300 metros e marco que redesenhou a hierarquia do país.

Arranha-céu mais alto da Austrália volta à disputa com Melbourne, Gold Coast e Sydney tentando derrubar a Q1 Tower após duas décadas de liderança absoluta.
Q1 Tower

No ano seguinte, Melbourne respondeu com a Eureka Tower.

Seu telhado era ligeiramente mais alto que o da Q1 Tower, mas o conjunto oficial da torre da Gold Coast ainda prevalecia por causa da ponta superior. Desde então, ninguém conseguiu mudar esse resultado.

A Austrália passou vinte anos olhando para o mesmo topo sem conseguir deslocá-lo.

Por que construir tão alto virou disputa urbana e econômica

A corrida pelo próximo arranha-céu mais alto da Austrália não existe apenas por vaidade. Esses edifícios são vistos como instrumentos para maximizar uso do solo em áreas de grande pressão urbana.

O raciocínio é simples: em um mesmo terreno, quanto mais pavimentos, maior a área útil para escritórios, moradia e atividades econômicas. Isso pesa especialmente em cidades que tentam concentrar empregos, atrair investimento e responder ao crescimento populacional.

O exemplo usado na própria discussão australiana é direto. Um edifício como a 120 Collins Street, em Melbourne, oferece 65 mil metros quadrados de escritórios e sustenta milhares de empregos.

Já a Q1 Tower, na Gold Coast, é residencial e reúne espaço suficiente para 526 apartamentos. O arranha-céu, nesse contexto, não é só um troféu visual, mas uma forma de empilhar densidade econômica e habitacional onde o solo é mais valorizado.

Ao mesmo tempo, essas torres criam problemas. Elas projetam sombra, alteram a circulação do vento, pressionam rotas aéreas e exigem regras urbanas mais complexas.

Na Austrália, essas limitações aparecem com força porque os controles são mais rígidos do que em mercados que aceitam alturas mais extremas com maior flexibilidade.

Há proteção de parques públicos contra sombreamento, exigências ligadas ao espaço aéreo e limites urbanos definidos cidade por cidade.

Esse ponto é decisivo. O teto da corrida não é nacional; ele é municipal.

Isso significa que Sydney, Melbourne, Brisbane e Gold Coast entram no jogo com cartas diferentes. Não basta querer construir o maior arranha-céu da Austrália.

É preciso que a cidade aceite juridicamente essa altura e consiga sustentar politicamente a exceção ou a mudança de regra.

Sydney e Brisbane querem subir, mas esbarram em limites mais duros

Brisbane cresceu bastante no mercado de torres nas últimas décadas, especialmente depois que a Gold Coast tomou a dianteira com a Q1 Tower.

A cidade abriu a Brisbane Sky Tower, com 270 metros, em 2019, e outro edifício de 260 metros em 2021. Ainda assim, nenhum deles chegou perto do recorde nacional.

O problema central é regulatório: o limite de altura de Brisbane está em 275 metros, e até agora nada mudou de forma suficiente para colocá-la em disputa real pelo topo.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Esse bloqueio está ligado ao aeroporto movimentado da cidade e às preocupações das autoridades com as rotas dos aviões.

Em outras palavras, Brisbane pode construir perto do limite, mas não pode ultrapassá-lo. Isso praticamente a tira da corrida contra a Q1 Tower, porque um novo campeão da Austrália precisaria passar de 322 metros, algo simplesmente fora do alcance legal atual da cidade.

Sydney vive uma situação diferente. Durante muito tempo, também ficou presa a um limite parecido com o de Brisbane.

A cidade concordou recentemente em elevar o teto para 330 metros. Esse movimento foi defendido com a ideia de que edifícios mais altos poderiam gerar novos empregos e ampliar o potencial urbano do centro.

Mesmo com essa elevação, Sydney ainda parece atrás das propostas mais ousadas que surgiram em outros lugares.

Em 2025, aprovou alguns edifícios na faixa dos 300 metros, o que mostra avanço, mas não necessariamente uma investida clara para tomar o recorde nacional.

Sydney continua relevante na conversa, mas hoje não parece ser a favorita no papel, mesmo carregando o peso histórico de ter sido pioneira nos grandes edifícios da Austrália.

Melbourne e Gold Coast são as cidades que realmente ameaçam a Q1 Tower

Se Brisbane fica travada e Sydney sobe menos do que poderia, a disputa principal se concentra entre Melbourne e Gold Coast. Em Melbourne, o projeto mais agressivo é o STBNK, também chamado de Green Spine, concebido para Southbank.

A proposta prevê duas torres e atinge altura máxima de 365 metros. Isso colocaria a cidade bem acima dos 322 metros da Q1 Tower e devolveria a Melbourne um recorde que ela já segurou no passado.

O detalhe é que o limite oficial de altura de Melbourne é de 315 metros. Ainda assim, a cidade já mostrou disposição para abrir exceções quando considera que o empreendimento oferece valor excepcional.

Foi exatamente isso que permitiu a aprovação oficial do Green Spine em 2020. Ou seja, Melbourne não ganhou a corrida ainda, mas já mostrou que está disposta a flexibilizar as regras para tentar vencer.

A resposta da Gold Coast veio no fim de 2025 com a aprovação do One Park Lane, outro projeto de duas torres. A mais baixa seria voltada a escritórios, enquanto a mais alta seria residencial.

Arranha-céu mais alto da Austrália volta à disputa com Melbourne, Gold Coast e Sydney tentando derrubar a Q1 Tower após duas décadas de liderança absoluta.
One Park Lane

O número central desse plano é o que realmente muda a conversa: 393 metros. Se sair do papel, o One Park Lane não apenas supera a Q1 Tower, como também vai além do Green Spine de Melbourne.

Isso recoloca a Gold Coast em uma posição muito forte.

A cidade já mostrou em 2005 que sabe usar um arranha-céu para se promover nacionalmente, e seu regime de altura é muito mais flexível que o de Brisbane e mais permissivo do que o de várias concorrentes.

A perda regulatória de Brisbane virou vantagem direta para a Gold Coast, que conseguiu avançar justamente porque o espaço aéreo e as regras locais lhe deram mais liberdade.

Nada garante que o próximo recorde realmente será construído

Apesar da aparência de final entre Melbourne e Gold Coast, a corrida ainda está longe de resolvida. O primeiro motivo é financeiro.

O Green Spine já encontrou dificuldades, com a empresa por trás do projeto enfrentando problemas e buscando uma estratégia alternativa. Isso não significa cancelamento definitivo, mas mostra que aprovar um arranha-céu recordista e efetivamente construí-lo são coisas muito diferentes.

O segundo motivo é que a própria história australiana já produziu propostas gigantescas que nunca saíram do papel.

O caso mais emblemático foi a Grollo Tower, imaginada em Melbourne nos anos 1990 com números estimados entre 500 e 678 metros. Nada disso aconteceu.

A Austrália conhece bem a distância entre ambição gráfica e concreto real, e o mercado de supertalls costuma ser exatamente o espaço onde esse abismo aparece.

O One Park Lane, da Gold Coast, também ainda está em fase inicial demais para ser tratado como vencedor inevitável. A proposta é ousada, conceitual e exigirá execução técnica, demanda de mercado e sustentação financeira em nível muito alto.

Arranha-céu mais alto da Austrália volta à disputa com Melbourne, Gold Coast e Sydney tentando derrubar a Q1 Tower após duas décadas de liderança absoluta.

Um arranha-céu de 393 metros não é apenas uma obra maior. É um empreendimento que precisa funcionar economicamente por muitos anos em uma cidade que aposta grande parte de sua identidade nesse gesto vertical.

Por isso, o recorde australiano continua aberto, mas não decidido. Hoje, Melbourne e Gold Coast lideram no papel; amanhã, nenhuma das duas pode entregar o que prometeu.

E, se isso acontecer, Sydney ou até Brisbane podem voltar à conversa caso consigam alterar seus limites ou aprovar novos saltos. A corrida continua viva justamente porque o topo da Austrália ainda depende menos do desejo e mais da execução.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x