Encenação com fantasias de animais vira crise nos bastidores da conferência em Belém, gera protestos por falta de pagamento e expõe descumprimento de acordos financeiros durante o evento
A abertura da COP30, realizada em Belém, ganhou contornos inesperados após os atores que participaram da performance artística fantasiados de animais denunciarem um calote por parte da organização do evento. Apesar de aceitarem pagar o “mico” em cena diante do público e das câmeras, os profissionais agora afirmam que sequer receberam a primeira parcela dos cachês contratados, o que desencadeou uma série de protestos e nova repercussão negativa nas redes sociais.
Logo após a apresentação viralizar — dessa vez, não pelo mérito artístico, mas pelo constrangimento — o grupo decidiu denunciar publicamente o atraso nos pagamentos. A informação foi divulgada pelo portal Extra e repercutiu amplamente, revelando que os artistas continuam sem receber os valores prometidos, mesmo após a encenação ter sido usada como parte da abertura oficial do encontro climático.
Artistas afirmam ter recebido apenas R$ 1.500 e denunciam “enrolação” dos contratantes
De acordo com o depoimento de uma das atrizes envolvidas, o acordo previa um cachê de R$ 5 mil para cada profissional, dividido em duas parcelas de R$ 2.500. A primeira parcela deveria ter sido quitada no dia 5 de novembro, mas isso não ocorreu. Em vez disso, os artistas afirmam que receberam apenas R$ 1.500, valor considerado insuficiente e visto como uma tentativa de afastar o grupo das manifestações.
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Entretanto, ao contrário do que esperavam os contratantes, o pagamento parcial acabou fortalecendo o movimento dos artistas. Em um vídeo gravado durante o protesto, a atriz declarou que todos estavam “sendo enrolados” e que estavam “pedindo o mínimo” ao exigir que o acordo fosse cumprido integralmente. As falas ecoaram nas redes, ampliando a pressão sobre os responsáveis pela contratação.

Durante a manifestação, cartazes com frases como “paguem os artistas da Free Zone” e “queremos nossos direitos pagos” foram erguidos diante do espaço cultural Free Zone — área destinada a apresentações artísticas e atividades sociais dentro da conferência.
Performance virou piada nas redes sociais e protesto coincidiu com discurso oficial de Lula
A apresentação que desencadeou a crise durou poucos minutos e aconteceu no pavilhão da sociedade civil. No ato, os artistas rastejavam vestidos com fantasias de animais de pano, momento que rapidamente se transformou em memes e críticas após ser compartilhado em massa nas redes sociais. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL) foi uma das figuras públicas que divulgaram o vídeo, amplificando a repercussão.
Conforme destacou o Extra, o protesto dos atores ocorreu poucas horas após o discurso de abertura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ressaltou a urgência de enfrentar os impactos das tragédias climáticas. A coincidência dos acontecimentos reforçou a sensação de desorganização e conflitos internos na conferência, trazendo ainda mais atenção ao episódio.
Enquanto isso, os artistas seguem cobrando o pagamento completo dos cachês e afirmam que não aceitarão novos acordos parciais. Para eles, o maior “mico” não foi a apresentação em si, mas a falta de respeito contratual após terem cumprido sua parte no evento.


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