Cruzeiros de luxo hospedam delegações internacionais enquanto moradores convivem com orlas degradadas e cobram investimentos que nunca chegaram às praias
O contraste salta aos olhos e incomoda até quem tenta ignorar. Enquanto dois transatlânticos de luxo se destacam no horizonte da ilha de Outeiro, servindo de hospedagem para delegações da COP30, a poucos metros dali, a Praia da Brasília revela uma realidade completamente oposta: infraestrutura precária, orla destruída e abandono social.
R$250 milhões no porto, nada nas praias
Para receber os navios de luxo, o governo federal investiu mais de R$250 milhões em obras de dragagem, reforço do cais e melhorias no porto de Outeiro. As intervenções permitiram criar estruturas de desembarque, áreas de controle de segurança e transporte direto até a chamada Blue Zone, o centro oficial da conferência sobre o clima.
No entanto, moradores da região afirmam que o dinheiro poderia ter sido melhor aplicado.
“Foi gasto mais de duzentos milhões aqui, nessa parte do cruzeiro. Foi um dinheiro bem gasto em parte, mas deixaram Outeiro abandonado. As praias estão horríveis, a descida é um transtorno. A orla da Praia Grande está toda acabada”, relatou Damião de Paula Araújo, morador da área.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
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A Praia da Brasília, que se tornou o ponto mais próximo dos navios, acabou virando um símbolo do paradoxo entre o discurso de sustentabilidade global e a negligência local. A informação foi divulgada pelo canal Brasil Paralelo, que registrou o contraste entre os luxuosos navios e o cenário de abandono à beira-mar.
Cruzeiros milionários: os “hotéis flutuantes” da COP30
Os dois navios contratados pela Embratur somam 3.900 cabines, com capacidade para até 6 mil hóspedes. As diárias variam entre R$7.900 e R$48.562, dependendo da categoria da suíte.
Trazidos da Itália exclusivamente para o evento, o MSC Seaview e o Costa Diadema impressionam pelas dimensões: o primeiro tem 20 andares e 323 metros de comprimento, enquanto o segundo possui 19 andares e 306 metros. Juntos, ultrapassam 280 mil toneladas.
Segundo o governo federal, até o dia 5 de novembro, 1.700 leitos já haviam sido reservados — com prioridade para delegações de países em desenvolvimento. A diária média subsidiada é de até US$200, conforme os parâmetros estabelecidos pela ONU.
A operação faz parte de um plano emergencial de hospedagem, uma vez que Belém precisou dobrar sua capacidade hoteleira para receber os cerca de 50 mil participantes esperados para a conferência climática.
Críticas, custos e polêmicas
O custo total da operação dos cruzeiros chega a R$260 milhões, com parte do valor repassado à Embratur e à empresa Qualitours, responsável pela gestão das embarcações. Além disso, o governo destinou R$259 milhões adicionais para cobrir possíveis prejuízos caso as cabines não fossem totalmente ocupadas.
A decisão gerou críticas severas dentro e fora do país. Países como Suécia, Holanda e Canadá protestaram oficialmente contra o que classificaram como “explosão de preços” da rede hoteleira local, que chegou a cobrar até 15 vezes o valor de mercado.
O Tribunal de Contas da União (TCU) também apontou indícios de superfaturamento em contratos de infraestrutura e serviços para a COP30 — com itens básicos custando até 10 vezes mais que o valor normal.
Conforme dados apurados pelo portal, o custo total das estruturas emergenciais e de luxo já supera R$500 milhões, reforçando o debate sobre a disparidade entre investimentos em imagem internacional e melhorias locais.
A COP vista da areia: o luxo de uns, o abandono de outros
Enquanto delegações internacionais desembarcam dos cruzeiros e seguem para os auditórios climatizados da conferência, os moradores de Outeiro continuam convivendo com ruas esburacadas e praias tomadas pelo lixo.
“Essa movimentação toda é bonita de ver, mas quando os navios forem embora, quem fica somos nós”, lamentou Pablo Monteiro, morador da Praia da Brasília.
O sentimento predominante entre os locais é o de distância entre o discurso de inclusão e a prática política. Para eles, a COP30 — que deveria simbolizar a união em torno da sustentabilidade — acabou se transformando em um grande palco de luxo, vaidade e contradição ambiental.
No fim, resta a pergunta que ecoa na areia e nas redes sociais: a COP ainda é um evento para salvar o planeta ou apenas um espetáculo político para impressionar o mundo?


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