Cortes em uma área estratégica, projetos arquivados e novos investimentos em tecnologia recolocam a robótica no centro das decisões da Amazon, em um momento de reorganização interna que expõe mudanças na forma como a empresa distribui recursos.
A mais recente rodada de cortes da Amazon atingiu uma área que a própria empresa trata como estratégica para o futuro do negócio.
A companhia confirmou a eliminação de pelo menos 100 postos administrativos em sua divisão de robótica, responsável pelo desenvolvimento de sistemas automatizados usados sobretudo em centros de distribuição.
A medida se soma a uma sequência de demissões no quadro corporativo e ocorre no momento em que a empresa revisa projetos, reduz estruturas internas e direciona investimentos para inteligência artificial e infraestrutura.
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Segundo informações divulgadas pela Reuters, os desligamentos fazem parte de uma reestruturação mais ampla em andamento desde o fim de 2025.
De acordo com Scott Dresser, vice-presidente da Amazon Robotics, a decisão foi “difícil, mas necessária”.
Em mensagem enviada a funcionários e relatada pela imprensa internacional, o executivo afirmou que a área de robótica continua sendo uma prioridade estratégica, apesar da reestruturação.
A Amazon também classificou os desligamentos como um corte de escala relativamente pequena dentro da unidade.
Ainda assim, o movimento chamou atenção por atingir um setor associado à expansão tecnológica da companhia.
Desde outubro de 2025, a empresa vem promovendo sucessivas reduções em sua força de trabalho corporativa.
A rodada iniciada no fim do ano passado cortou cerca de 14 mil vagas.
Em janeiro de 2026, outros 16 mil postos foram eliminados.
Com isso, o total recente chegou a aproximadamente 30 mil demissões, o equivalente a quase 10% da estrutura administrativa da companhia, segundo relatos publicados pela Reuters.
No acumulado desde o fim de 2022, mais de 57 mil cargos corporativos já foram encerrados.
Amazon robótica e automação nos centros de distribuição
O alcance dessa rodada ganha relevância porque a Amazon transformou a automação em um dos pilares de sua operação logística.
A empresa informa ter ultrapassado a marca de 1 milhão de robôs em operação e manter uma rede automatizada distribuída por mais de 300 instalações no mundo.
Em junho de 2025, a companhia anunciou um novo modelo de inteligência artificial para coordenar a movimentação de sua frota robótica.
Segundo a própria Amazon, a ferramenta foi desenvolvida para melhorar a eficiência do deslocamento desses equipamentos em 10%.
Nos comunicados institucionais, a empresa afirma que essas tecnologias foram criadas para atuar em conjunto com funcionários.
A Amazon também informa ter treinado mais de 700 mil empregados para funções ligadas a tecnologia e operação avançada.
Esse discurso, porém, passou a conviver com um cenário de cortes, revisão de prioridades e pressão por eficiência operacional.
Na prática, a empresa mantém a aposta em automação enquanto reduz parte das equipes corporativas e reavalia projetos internos.
Nos últimos meses, esse contraste ficou mais visível.
Ao mesmo tempo em que reforçou a mensagem de que robôs e inteligência artificial devem acelerar entregas e elevar a produtividade dos galpões, a companhia enxugou parte da estrutura responsável por desenvolver essas soluções.
Segundo a Reuters, o movimento indica uma tentativa de selecionar com mais rigor os projetos que seguirão recebendo recursos.
A mudança ocorre sem que a empresa tenha anunciado recuo em sua estratégia de automação.
Projeto Blue Jay e a revisão de prioridades da Amazon
A revisão de prioridades também apareceu no destino do projeto Blue Jay.
Apresentado pela Amazon em 22 de outubro de 2025, o sistema foi descrito pela empresa como uma aposta para acelerar a operação de entregas no mesmo dia dentro dos centros logísticos.
Instalado no teto dos armazéns, o equipamento combinava múltiplos braços robóticos para separar, consolidar e movimentar pacotes em alta velocidade.

No anúncio, a Amazon informou que a tecnologia estava em testes na Carolina do Sul.
Meses depois, porém, o projeto foi arquivado.
Reportagens publicadas no início de março de 2026 informaram que o Blue Jay enfrentava obstáculos práticos, entre eles o alto custo de fabricação e a complexidade de instalação.
A decisão de interromper o sistema reforçou a percepção, apontada por veículos internacionais, de que a empresa passou a aplicar critérios mais restritivos sobre iniciativas com implantação cara ou retorno operacional incerto.
A Amazon não apresentou, nos comunicados públicos consultados, uma justificativa detalhada sobre o encerramento do projeto.
O arquivamento do Blue Jay, no entanto, não significou a suspensão dos investimentos em automação.
Em vez disso, a empresa continuou divulgando novos sistemas voltados à expansão da robótica em larga escala.
Um exemplo é o Vulcan, apresentado em maio de 2025 como o primeiro robô da Amazon com “senso de toque”.
Segundo a companhia, o equipamento consegue manipular aproximadamente três quartos dos itens armazenados em seus centros de distribuição.
Investimentos em IA, cortes e impacto no emprego
A estratégia da Amazon para automação não depende de um único projeto.
A empresa vem defendendo que robôs, visão computacional e inteligência artificial generativa são peças centrais para reduzir tempo de entrega, elevar produtividade e diminuir custos operacionais.
No início de fevereiro de 2026, a companhia projetou cerca de US$ 200 bilhões em investimentos de capital ao longo do ano.
O valor ficou acima dos cerca de US$ 131 bilhões registrados em 2025.
Segundo a Reuters, a maior parte desse aumento está ligada principalmente à expansão de infraestrutura voltada para inteligência artificial, com destaque para data centers e capacidade computacional.
Nesse contexto, os cortes em áreas corporativas aparecem ao mesmo tempo em que a empresa amplia os gastos em frentes consideradas prioritárias.
A relação entre automação e emprego também ganhou atenção nos últimos meses.
Em outubro de 2025, documentos internos obtidos pelo The New York Times e repercutidos por outros veículos apontaram que a equipe de robótica da Amazon discutia a meta de automatizar até 75% das operações da companhia até 2033.
De acordo com esses relatos, esse avanço poderia evitar a necessidade de contratar mais de 600 mil trabalhadores nos Estados Unidos nesse período.
A Amazon contestou essa interpretação e afirmou que os documentos não representavam a estratégia completa da empresa.
Esse histórico ajuda a explicar por que os desligamentos na área de robótica repercutiram além da unidade atingida.
A divisão segue vinculada a uma das principais frentes de expansão da companhia, mas passou a ser afetada pela mesma lógica de revisão de custos aplicada a outros setores administrativos.
A empresa continua ampliando sua base de robôs, desenvolvendo novos sistemas e associando sua estratégia operacional ao avanço da inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, reduziu parte da estrutura interna e interrompeu projetos que, segundo relatos da imprensa, enfrentavam dificuldades de escala ou custo.
Com isso, a reestruturação recente indica uma mudança na distribuição de recursos dentro da agenda tecnológica da Amazon.
Os cortes na unidade de robótica ocorreram em paralelo à continuidade dos investimentos em automação e infraestrutura de IA, sem anúncio de abandono dessa estratégia.


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