1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Astronautas da NASA têm capturado da Estação Espacial Internacional raros relâmpagos que disparam para cima em vez de cair na Terra, como o jato gigante fotografado em 2025 pela astronauta Nichole Ayers, fenômenos elétricos da alta atmosfera quase impossíveis de ver do solo
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Astronautas da NASA têm capturado da Estação Espacial Internacional raros relâmpagos que disparam para cima em vez de cair na Terra, como o jato gigante fotografado em 2025 pela astronauta Nichole Ayers, fenômenos elétricos da alta atmosfera quase impossíveis de ver do solo

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 06/06/2026 às 21:49
Atualizado em 06/06/2026 às 21:53
Astronautas da NASA capturam da Estação Espacial raros relâmpagos que disparam para cima, como sprites e jatos gigantes, fenômenos quase invisíveis do solo.
Astronautas da NASA capturam da Estação Espacial raros relâmpagos que disparam para cima, como sprites e jatos gigantes, fenômenos quase invisíveis do solo.
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

Eles brotam do topo das tempestades e sobem rumo ao espaço, em vez de descer até o chão. Duram milésimos de segundo e quase nunca são vistos da superfície. Da órbita, porém, os astronautas têm flagrado esses clarões coloridos, que ajudam a ciência a desvendar como nascem os raios e a proteger a aviação.

Existe um tipo de relâmpago que foge completamente da imagem que temos das tempestades. Astronautas da NASA têm capturado da Estação Espacial Internacional raros relâmpagos que disparam para cima, em direção ao espaço, em vez de cair na Terra, como o jato gigante fotografado pela astronauta Nichole Ayers, fenômenos elétricos da alta atmosfera quase impossíveis de enxergar do solo.

A imagem mais comentada foi registrada em 3 de julho de 2025 pela astronauta da NASA Nichole Ayers, enquanto a estação passava sobre uma grande tempestade no norte do México e no sudoeste dos Estados Unidos. Inicialmente, ela achou ter fotografado um sprite, mas a NASA confirmou depois tratar-se de um jato gigante, um fenômeno ainda mais raro. A seguir, explicamos o que são esses relâmpagos que sobem, por que são tão difíceis de observar e o que a ciência ganha ao estudá-los do espaço.

Relâmpagos que sobem em vez de descer

Astronautas da NASA capturam da Estação Espacial raros relâmpagos que disparam para cima, como sprites e jatos gigantes, fenômenos quase invisíveis do solo.
A primeira surpresa é justamente a direção desses raios. 

Diferentemente do relâmpago comum, que vai da nuvem ao solo ou entre nuvens, esses fenômenos são clarões breves que aparecem acima das tempestades e disparam para cima, rumo à alta atmosfera, recebendo o nome técnico de eventos luminosos transitórios, ou TLEs na sigla em inglês, uma família de relâmpagos pouco conhecida do grande público.

Os TLEs reúnem vários tipos com nomes que parecem saídos de uma lenda, mas descrevem atividade elétrica real no alto da atmosfera: os sprites vermelhos, os jatos azuis, os halos, os ELVES e os jatos gigantes.

Cada um se forma em uma faixa de altitude e tem uma aparência própria, mas todos compartilham a mesma característica de surgir muito acima das nuvens, num território que os mapas meteorológicos tradicionais nem alcançam.

O que são sprites e jatos gigantes

Vale entender a diferença entre os dois fenômenos citados. 

Os sprites costumam aparecer como flashes avermelhados, parecidos com águas-vivas, na mesosfera, a cerca de 50 a 85 quilômetros de altitude, enquanto os jatos gigantes são descargas que sobem do topo de uma nuvem de tempestade em direção à alta atmosfera, formando uma espécie de ponte elétrica temporária entre a tempestade e o espaço próximo, podendo alcançar perto de 90 quilômetros de altura.

Foi exatamente essa diferença que gerou a correção na foto de Nichole Ayers: o que parecia um sprite era, na verdade, um jato gigante, mais raro ainda.

Os jatos gigantes surgem quando as condições turbulentas no topo de tempestades muito intensas permitem que a descarga elétrica escape para cima.

Por seu formato, costumam lembrar colunas ou estruturas ramificadas, como galhos de árvore, que se projetam rumo ao céu.

Por que só do espaço dá para ver bem

Capturar esses relâmpagos a partir do solo é quase uma loteria. 

Da superfície, esses clarões são muito difíceis de registrar, porque as nuvens bloqueiam a visão, os eventos duram apenas frações de segundo e ainda é preciso que o céu esteja limpo acima de uma tempestade distante, uma combinação rara de condições que faz a maioria deles passar despercebida.

A Estação Espacial Internacional muda esse jogo.

Orbitando a cerca de 400 quilômetros de altitude, ela oferece aos astronautas e aos instrumentos uma visão limpa do topo das tempestades, justamente onde o tempo deixa de ser apenas chuva e vento e começa a estranha história elétrica da alta atmosfera.

Por isso, os mesmos sistemas de tempestade podem ser observados repetidas vezes, até que um evento raro finalmente apareça.

O laboratório de tempestades da estação

Astronautas da NASA capturam da Estação Espacial raros relâmpagos que disparam para cima, como sprites e jatos gigantes, fenômenos quase invisíveis do solo.
Além das fotos, a estação conta com equipamento dedicado a esse estudo. 

Um instrumento central é o Monitor de Interações Atmosfera-Espaço, conhecido pela sigla ASIM, construído para a Agência Espacial Europeia e instalado na parte externa do módulo Columbus da estação em 2018, que estuda raios, eventos luminosos transitórios e os chamados flashes de raios gama terrestres, funcionando como um verdadeiro laboratório de tempestades em órbita.

O ASIM usa câmeras, fotômetros e sensores de raios X e raios gama para captar clarões rápidos demais para muitos instrumentos em terra.

A fotografia feita por astronautas também virou ferramenta científica: um timelapse da estação, de 26 de junho de 2024, capturou um grande sprite, e o astronauta da ESA Andreas Mogensen fotografou um sprite vermelho com a câmera do experimento Thor-Davis, capaz de registrar o equivalente a 100 mil imagens por segundo, velocidade necessária para flagrar algo que pisca e some num instante.

Uma pista para entender os raios

Mas por que tanto empenho em perseguir esses relâmpagos? 

Uma das razões é que eles podem ajudar os cientistas a entender como os raios começam, um mistério surpreendentemente persistente para um fenômeno tão familiar, já que as primeiras gravações confirmadas desses eventos no alto da atmosfera só vieram no fim da década de 1980, tornando esse campo de pesquisa relativamente jovem.

Segundo a NASA, os dados do ASIM ajudaram a mostrar como descargas no topo das tempestades podem gerar os ELVES, que são anéis de luz que se expandem rapidamente perto da baixa ionosfera, e influenciar essa camada da atmosfera.

Como a ionosfera ajuda a transportar certos sinais de rádio, um clarão que quase ninguém vê pode, ainda assim, ter relação com as comunicações na Terra, o que reforça o valor científico de cada registro.

O que isso significa para a aviação

Esses fenômenos também têm implicações práticas para quem voa. 

Algumas tempestades produzem os flashes de raios gama terrestres, rajadas de radiação de alta energia associadas aos raios, que, segundo a NASA, podem expor aeronaves, seus equipamentos eletrônicos e os passageiros a níveis elevados de radiação, razão pela qual mapear esses eventos é considerado importante para a segurança aérea.

Isso não significa que toda tempestade seja uma ameaça radiológica escondida, mas dá a pilotos, fabricantes de aeronaves e agências meteorológicas bons motivos para se preocupar com o que acontece bem acima do topo das nuvens, especialmente perto de tempestades muito fortes.

Os jatos gigantes, inclusive, podem estar associados a turbulência severa.

Para ampliar o monitoramento, pequenos satélites, como o CubeSat Light-1, da agência espacial do Japão, já foram lançados da estação para testar a detecção desses flashes de radiação.

As imagens de relâmpagos que sobem, capturadas por astronautas da NASA da Estação Espacial Internacional, são muito mais do que fotografias bonitas do espaço.

Elas conectam a tempestade que vemos da janela a temas como a segurança da aviação, a química da atmosfera, os sinais de rádio e a ciência ainda incompleta sobre como nascem os raios.

Cada sprite ou jato gigante flagrado lá de cima ajuda a montar um quebra-cabeça que intriga os cientistas há décadas, mostrando que, mesmo em algo tão comum quanto uma tempestade, ainda há muito mistério a desvendar.

E você, já tinha ouvido falar desses relâmpagos que disparam para cima, em direção ao espaço? O que achou dessas imagens raras capturadas da Estação Espacial Internacional? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião e ajude a divulgar a matéria para quem se interessa por ciência, espaço e os fenômenos da natureza.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x